A CRCC, estatal de infraestrutura da China, iniciou em 19 de maio a construção do novo complexo de engenharia da Emirates em Dubai South, ao lado do Aeroporto Internacional Al Maktoum. Segundo informações do xinhuanet, o projeto de US$ 5,1 bilhões terá 1,1 milhão de metros quadrados, oito hangares de manutenção, dois hangares de pintura e capacidade para atender 28 aeronaves de grande porte simultaneamente. A previsão é que se torne a maior e mais avançada instalação de manutenção, reparos e revisão aeronáutica do mundo até 2030.
A China acaba de iniciar a construção de um dos maiores complexos de manutenção aeronáutica do planeta, desta vez em Dubai. A estatal China Railway Construction Corporation, conhecida pela sigla CRCC, é responsável pela execução do novo centro de engenharia da Emirates Airline na área de Dubai South, com investimento total de 5,1 bilhões de dólares e previsão de conclusão até 2030. A cerimônia de lançamento das obras, realizada em 19 de maio, contou com a presença do xeique Ahmed bin Saeed Al Maktoum, presidente da Emirates, do presidente da companhia Sir Tim Clark e de Dai Hegen, presidente da CRCC.
O complexo terá 1,1 milhão de metros quadrados, incluindo oito grandes hangares de manutenção, dois hangares de pintura, 77 mil metros quadrados de oficinas especializadas e 380 mil metros quadrados de áreas de logística e armazenamento. O destaque técnico é um hangar com vão livre de 285 metros e a maior oficina de trens de pouso do mundo. Quando concluído, o centro poderá atender simultaneamente 28 aeronaves de fuselagem larga, oferecendo serviços completos de inspeção, manutenção de motores e pintura. A China classificou o projeto como um marco da cooperação bilateral com os Emirados Árabes e da Iniciativa Cinturão e Rota.
O que a Emirates está construindo e por que precisa disso

A Emirates opera atualmente uma frota de mais de 260 aeronaves, incluindo a maior frota global de Airbus A380 e de Boeing 777. A companhia aguarda a chegada de centenas de novos aviões nos próximos anos, entre eles Boeing 777X, Airbus A350 e Boeing 787 Dreamliner. O volume de aeronaves em operação e em encomenda exige uma infraestrutura de manutenção que o atual centro no Aeroporto Internacional de Dubai não consegue absorver sozinho.
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O novo complexo em Dubai South foi projetado para ser a instalação de MRO (manutenção, reparos e revisão) mais avançada do mundo. A estratégia da Emirates é centralizar operações críticas de engenharia em um único polo altamente especializado, que inclui desde revisão de fuselagem até produção de peças e suporte técnico. A construção pela China, por meio da CRCC, reflete a especialização chinesa em grandes projetos de infraestrutura e a relação comercial entre os dois países.
A CRCC e o padrão “China Construction” no Oriente Médio

A China Railway Construction Corporation é uma das maiores empresas de infraestrutura do mundo e já executou projetos ferroviários, rodoviários e portuários em dezenas de países. Dai Hegen, presidente da CRCC, classificou o empreendimento como uma “prática importante para aprofundar a cooperação pragmática entre a China e os Emirados Árabes Unidos” e como um projeto demonstrativo do conceito “China Construction”, que combina velocidade de execução com alta complexidade técnica.
A China é o maior parceiro comercial dos Emirados há dez anos consecutivos, com comércio bilateral que atingiu 108 bilhões de dólares em 2025, crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Empresas chinesas como Huawei e Alibaba já operam centros regionais em Dubai e Riade, apoiando redes 5G, data centers e plataformas de nuvem. O complexo de manutenção aeronáutica é mais uma peça na estratégia da China de construir infraestrutura crítica em mercados estratégicos do Oriente Médio.
Os números que fazem o complexo ser único
A escala do projeto é difícil de visualizar sem comparações. Os 1,1 milhão de metros quadrados equivalem a mais de 150 campos de futebol. Os oito hangares de manutenção foram dimensionados para receber aeronaves de fuselagem larga como o A380, o maior avião comercial de passageiros em operação, que exige hangares com portas de altura e largura excepcionais.
O hangar principal terá vão livre de 285 metros, distância que permite acomodar múltiplas aeronaves lado a lado sem colunas intermediárias. A oficina de trens de pouso será a maior do mundo, capacitada para desmontar, inspecionar, reparar e remontar os conjuntos de rodas e amortecedores que sustentam aviões de mais de 500 toneladas durante pousos e decolagens. A China construirá tudo isso em quatro anos, de 2026 a 2030, com consultoria técnica da francesa Artelia.
O contexto estratégico para Dubai e para a aviação global
A construção do complexo acontece em paralelo à expansão do Aeroporto Internacional Al Maktoum, que está sendo transformado no maior aeroporto do mundo, com cinco pistas paralelas, 400 portões de embarque e capacidade para 260 milhões de passageiros por ano. O investimento combinado no aeroporto e no centro de engenharia posiciona Dubai como o epicentro global da aviação comercial nas próximas décadas, meta alinhada à agenda econômica D33 do emirado.
Para a China, o projeto reforça uma presença que já inclui portos, ferrovias, telecomunicações e energia no Oriente Médio e na África. A CRCC não está apenas construindo hangares em Dubai, ela está demonstrando que a indústria de construção chinesa pode executar os projetos mais complexos do setor aeronáutico, categoria que até poucos anos atrás era dominada por empresas europeias e americanas. O complexo da Emirates será a vitrine dessa capacidade.
Você sabia que a China está construindo o maior centro de manutenção aeronáutica do mundo em Dubai? O que mais impressiona: os US$ 5,1 bilhões, os 28 aviões mantidos ao mesmo tempo ou o hangar com vão de 285 metros? Conta nos comentários.

