Missão chinesa avalia controles sanitários no país enquanto a União Europeia retoma compras com cronograma escalonado; setor prevê normalização gradual das exportações.
O Brasil vive uma semana-chave para a cadeia de carne de frango. A China iniciou uma auditoria para verificar o status sanitário brasileiro após o foco de influenza aviária em maio, enquanto a União Europeia reabriu o mercado com regras e datas definidas.
Segundo o Ministério da Agricultura, a reabertura europeia vale a partir de terça, 23 de setembro, e vem em etapas que contemplam todo o país e, depois, o Rio Grande do Sul. A decisão ocorre cinco meses após as suspensões motivadas pelo foco em Montenegro (RS).
Para o setor, o retorno da UE reduz incertezas, mas a liberação chinesa é o passo decisivo para recuperar volumes e receita. A missão técnica de Pequim no Brasil é vista como gatilho para um parecer que pode encerrar o embargo ao frango brasileiro.
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UE reabre mercado com cronograma e datas de produção
A União Europeia confirmou a retomada das compras de frango e peru do Brasil, com início nesta terça (23/9). Produtos com data de produção a partir de 18 de setembro estão autorizados para todo o território nacional, exceto o Rio Grande do Sul neste primeiro momento.
O RS estará liberado a partir de 2 de outubro, excetuando-se a área do foco em Montenegro. Já a zona de 10 km ao redor da granja terá embarques retomados em 16 de outubro, consolidando a normalização logística.
O anúncio encerra um ciclo de cinco meses de restrições no bloco europeu após o registro do foco. Para o agronegócio, a previsibilidade do cronograma facilita a programação de abates, frio e embarques.
Segundo dados setoriais, entre janeiro e maio (antes da suspensão), o Brasil enviou 125,3 mil toneladas à UE, com US$ 386,3 milhões em receita, indicando a relevância do destino nas exportações de carne de frango.
China realiza auditoria sanitária no Brasil
A China enviou uma missão para auditar o sistema brasileiro de controle da gripe aviária. O governo brasileiro trata a visita como etapa final para restabelecer as vendas ao seu maior cliente de frango.
Fontes do setor e da imprensa especializada relatam que a auditoria foca procedimentos oficiais, rastreabilidade e biosseguridade em plantas sob Serviço de Inspeção Federal. A expectativa é que o parecer técnico sirva de base para uma decisão de Pequim.
Com a UE em retomada, a China permanece como o único grande mercado ainda com restrições abrangentes ao frango brasileiro. A liberação chinesa teria efeito imediato sobre preço, mix de corte e rota de containers.
O caso de Montenegro (RS) e o status sanitário do Brasil
O primeiro e único foco de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) em granja comercial no Brasil foi confirmado em 16 de maio, em Montenegro (RS), segundo o Mapa. As medidas incluíram abate sanitário, desinfecção e vazio sanitário.
Após 28 dias sem novos registros em estabelecimentos comerciais, o país se declarou livre da doença em 18 de junho, comunicação feita à OMSA e a parceiros comerciais.
A UE reconheceu o Brasil como livre de gripe aviária no início de setembro, o que pavimentou a decisão desta semana. Para Bruxelas, pesaram a transparência de dados e o arcabouço regulatório sanitário brasileiro.
Impactos nas exportações e na indústria de aves
A ABPA afirma que, com a reabertura europeia, as exportações tendem a retornar aos patamares anteriores, com chance de incremento pela demanda reprimida no período de suspensão. O setor projeta normalização gradual do fluxo aos portos.
Antes do embargo, a UE respondia por parte relevante do mix brasileiro, embora a China concentre maior volume. A recuperação de ambos tende a reequilibrar preços internos, ocupação de capacidade frigorífica e contratos de cortes processados.
Para logística e câmbio, a previsibilidade de janelas de 23/9, 2/10 e 16/10 reduz custos de armazenagem e renegociação de fretes. Empresas reportam realocação de rotas durante o embargo e esperam margem melhor com a reabertura.
UE liberou com cronograma claro, mas a China mantém bloqueio até concluir a auditoria. Você acha que Pequim deveria regionalizar o embargo como a UE fez ou manter a cautela até o fim do processo? Comente se a estratégia chinesa é prudente ou excessiva para o risco atual.
