Com quase 72 milhões de toneladas em reservas combinadas, China, Brasil e Índia concentram a maior parte das terras raras conhecidas no mundo os 17 elementos químicos essenciais para smartphones, carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas militares que estão no centro da disputa entre Estados Unidos e China pelo controle da tecnologia global.
As terras raras se tornaram o recurso mais disputado da geopolítica contemporânea. Esse grupo de 17 elementos químicos está presente em praticamente tudo o que define a tecnologia moderna de smartphones e carros elétricos a mísseis teleguiados e turbinas eólicas. Apesar do nome, as terras raras não são necessariamente escassas, mas sua extração e principalmente seu refino são complexos e concentrados em poucos países. Isso transformou o acesso a esses minerais em uma questão de segurança nacional para as maiores potências do mundo.
Segundo a Revista Fórum, no centro dessa disputa estão três países que, juntos, concentram a esmagadora maioria das reservas conhecidas de terras raras: a China, com cerca de 44 milhões de toneladas; o Brasil, com aproximadamente 21 milhões; e a Índia, com 6,9 milhões, segundo dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Os Estados Unidos e a União Europeia estão pressionando para firmar parcerias com o Brasil e a Índia, enxergando neles a alternativa estratégica para reduzir a dependência da China que domina não apenas as reservas, mas toda a cadeia de produção e refino.
O que são terras raras e por que elas estão no centro da disputa global

As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos da tabela periódica os 15 lantanídeos, mais escândio e ítrio. Segundo o Ministério de Minas e Energia, entre eles estão lantânio, cério, neodímio, disprósio e outros elementos com nomes pouco conhecidos do público, mas absolutamente decisivos para o funcionamento da economia moderna.
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Sem terras raras, não existiriam ímãs permanentes de alta potência, que são essenciais para motores elétricos, geradores eólicos e equipamentos de defesa.
As aplicações vão de televisores de tela plana e lâmpadas fluorescentes a satélites, foguetes e mísseis teleguiados. Especialistas apontam que as terras raras vão exercer nas próximas décadas um papel geopolítico semelhante ao que o petróleo exerceu no século XX.
A demanda cresce com a transição energética: carros elétricos, painéis solares e turbinas eólicas exigem cada vez mais desses elementos. Em 2025, restrições de exportação impostas pela China chegaram a provocar interrupções em linhas de produção da indústria automotiva global, evidenciando a dependência do mundo em relação a esses minerais.
China: 44 milhões de toneladas e o controle quase absoluto sobre as terras raras do mundo
A China lidera com folga o ranking de reservas de terras raras cerca de 44 milhões de toneladas, o equivalente a quase metade do total mundial, segundo o relatório Mineral Commodity Summaries 2024 do USGS. Mas o domínio chinês vai muito além das reservas: o país controla aproximadamente 70% da produção global e quase toda a cadeia de refino desses minerais. Isso dá a Pequim uma alavanca geopolítica que poucos países possuem.
Nos últimos anos, a China tem usado esse poder de forma cada vez mais explícita. Ao longo de 2025, Pequim endureceu os controles de exportação sobre elementos médios e pesados de terras raras, reforçando a pressão sobre países ocidentais. A dependência do mundo em relação à China é considerada um risco estratégico por relatórios internacionais, o que acelerou a busca por fornecedores alternativos. É nesse contexto que Brasil e Índia entram no jogo.
Brasil: a segunda maior reserva de terras raras do planeta e um potencial ainda desperdiçado
O Brasil ocupa a segunda posição mundial em reservas de terras raras, com aproximadamente 21 milhões de toneladas cerca de 23% do total global. Apesar desse potencial colossal, o país responde por menos de 1% da produção mundial, devido a altos custos de processamento, falta de infraestrutura industrial e ausência de uma cadeia de refino nacional.
Em janeiro de 2026, o Ministério de Minas e Energia anunciou o início da formulação de uma Estratégia Nacional de Terras Raras um movimento que especialistas consideram tardio, mas necessário.
O interesse internacional pelo Brasil é crescente e vem de todos os lados. Os Estados Unidos investiram US$ 565 milhões na Serra Verde, única produtora de terras raras em escala comercial no Brasil, em Goiás, e garantiram direito de participação acionária na empresa.
A União Europeia negocia investimentos conjuntos e promete processar os minerais em território brasileiro. Projetos de terras raras no Brasil já atraíram cerca de US$ 700 milhões em financiamento nos últimos dois anos, majoritariamente de investidores ocidentais.
Em fevereiro de 2026, Trump convocou cerca de 20 países incluindo o Brasil para uma reunião em Washington com o objetivo de criar um mecanismo internacional de preço mínimo para terras raras, buscando limitar a capacidade da China de definir sozinha os preços globais.
O Brasil se vê numa posição delicada: pressionado pelos EUA a integrar uma frente anti-China, mas mantendo historicamente uma relação econômica sólida com Pequim. Especialistas avaliam que qualquer decisão precisará considerar impactos econômicos, diplomáticos e estratégicos.
Índia: 6,9 milhões de toneladas e o novo polo estratégico de terras raras na Ásia
A Índia completa o trio com a terceira maior reserva de terras raras do planeta cerca de 6,9 milhões de toneladas, segundo estimativas baseadas nos dados do USGS.
O país vem sendo observado por grandes potências como um possível novo polo estratégico de produção, especialmente diante da necessidade global de cadeias de fornecimento mais seguras e diversificadas.
Em fevereiro de 2026, Brasil e Índia firmaram um acordo sobre terras raras e ampliaram sua parceria comercial.
O primeiro-ministro Narendra Modi afirmou que “o acordo sobre minerais críticos ajudará a moldar uma cadeia de suprimentos nova e resiliente” após encontro com o presidente Lula em Nova Déli.
A posição geográfica estratégica da Índia na Ásia e seu potencial geológico podem transformar o país em um dos protagonistas da nova corrida por recursos críticos especialmente se conseguir atrair os investimentos necessários para desenvolver sua cadeia de produção e refino.
A disputa que vai definir o futuro: por que as terras raras são o novo petróleo
O cenário é claro: quem controla as terras raras controla a tecnologia. E quem controla a tecnologia define os rumos da economia mundial.
A reorganização das cadeias de suprimento de terras raras não é uma disputa comercial episódica é uma reestruturação estratégica de escala global, na qual países detentores de reservas deixam de ser meros exportadores de commodities e passam a ocupar posições geopolíticas sensíveis.
Para o Brasil, o desafio é duplo: aproveitar a oportunidade sem repetir erros históricos. O país corre o risco de exportar matéria-prima a preços baixos e importar componentes processados a milhares de dólares exatamente o que aconteceu com outros recursos naturais ao longo da história.
Sem investimentos em refino, tecnologia e infraestrutura industrial, possuir a segunda maior reserva de terras raras do mundo pode significar muito pouco na prática. A janela de oportunidade existe, mas está se fechando à medida que outras nações avançam.
O tabuleiro das terras raras: três países, muitas potências e uma corrida sem volta
China, Brasil e Índia concentram juntos mais de 70 milhões de toneladas em reservas de terras raras o suficiente para serem peças centrais de uma disputa que vai definir quem domina a economia e a tecnologia nas próximas décadas.
A China já transformou suas terras raras em instrumento de poder. A Índia está se posicionando. E o Brasil tem a segunda maior reserva do planeta, mas ainda precisa decidir o que vai fazer com ela.
Os minerais que alimentam seu smartphone, seu carro elétrico e os satélites que orbitam a Terra estão no centro de uma guerra silenciosa. E os próximos movimentos de Pequim, Brasília e Nova Déli podem redesenhar o mapa do poder global.
Você acha que o Brasil deveria se alinhar aos Estados Unidos na disputa pelas terras raras ou manter uma posição independente? E o que pensa sobre o risco de o país exportar matéria-prima barata e importar tecnologia cara? Deixe sua opinião nos comentários.

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