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China ativa usina de bombeamento mais alta do mundo: barragem de 182 metros com turbinas híbridas a 800 m de profundidade, 1,3 GW de potência, reservatório de 17 milhões de m³, investimento de R$ 7,9 bilhões

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 18/11/2025 às 14:50
Assista o vídeoChina inaugura usina de bombeamento com barragem recorde de 182 m e 1,3 GW de potência instalada, ampliando o armazenamento hidrelétrico na província de Jiangsu.
China inaugura usina de bombeamento com barragem recorde de 182 m e 1,3 GW de potência instalada, ampliando o armazenamento hidrelétrico na província de Jiangsu.
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Usina chinesa recém-ativada redefine limites da engenharia ao combinar armazenamento massivo, barragem recordista e operação subterrânea profunda.

A China colocou em operação a Usina Hidrelétrica de Bombeamento de Zhenjiang/Jurong, na província de Jiangsu, considerada hoje a barragem de armazenamento por bombeamento mais alta do mundo.
Com cerca de 182,3 metros de altura, reservatório superior de 17,07 milhões de m³ e capacidade instalada de aproximadamente 1,35 GW, o empreendimento passa a funcionar como uma “bateria” de grande porte para estabilizar a rede elétrica na região do delta do rio Yangtzé.

Altura recordista e expansão energética em Jiangsu

Localizada no município de Jurong, em Jiangsu, a usina foi planejada para atender uma das áreas de maior consumo de eletricidade da China, marcada por forte concentração industrial e urbana.

A construção começou em 2017 e foi concluída em cerca de oito anos, dentro do padrão de grandes obras de infraestrutura acelerada do país.

A barragem do reservatório superior atinge 182,3 metros, altura equivalente a um prédio de aproximadamente 60 andares.

China inaugura usina de bombeamento com barragem recorde de 182 m e 1,3 GW de potência instalada, ampliando o armazenamento hidrelétrico na província de Jiangsu.
China inaugura usina de bombeamento com barragem recorde de 182 m e 1,3 GW de potência instalada, ampliando o armazenamento hidrelétrico na província de Jiangsu.

A estrutura foi erguida no vale de Lunshan, formando um reservatório artificial com capacidade para 17,07 milhões de metros cúbicos de água, volume comparável a milhares de piscinas olímpicas.

Fontes oficiais indicam que o projeto estabeleceu vários recordes na engenharia de usinas reversíveis, incluindo o de barragem mais alta já construída para esse tipo de sistema.

Embora a usina seja frequentemente associada ao rio Yangtzé, o empreendimento está localizado no delta do rio, conectado ao sistema elétrico que atende a região, onde já se encontram grandes hidrelétricas como a Barragem das Três Gargantas.

Nesse contexto, Zhenjiang/Jurong não se destaca tanto pelo volume de geração contínua, mas pela função estratégica de armazenamento e regulação rápida de carga.

Casa de força subterrânea e turbinas híbridas

O complexo de geração não se resume à barragem.

A casa de força principal foi construída em caverna subterrânea, a cerca de 800 metros de profundidade, com aproximadamente 250 metros de comprimento, 60 metros de altura e 25 metros de largura, configurando um dos conjuntos subterrâneos mais complexos já implantados em usinas de bombeamento no país.

Nesse espaço estão instaladas seis unidades reversíveis, que funcionam tanto como bombas quanto como turbinas geradoras, cada uma com 225 MW de potência.

Somadas, atingem capacidade instalada de cerca de 1,35 GW, o que coloca a usina entre os maiores projetos de armazenamento hidrelétrico do mundo no segmento de bombeamento.

China inaugura usina de bombeamento com barragem recorde de 182 m e 1,3 GW de potência instalada, ampliando o armazenamento hidrelétrico na província de Jiangsu.
China inaugura usina de bombeamento com barragem recorde de 182 m e 1,3 GW de potência instalada, ampliando o armazenamento hidrelétrico na província de Jiangsu.

Informes técnicos indicam que o empreendimento bateu uma série de marcas em engenharia, incluindo inovações em equipamentos de grande porte, sistemas de válvulas e soluções de impermeabilização para a barragem e para as galerias subterrâneas.

Essas tecnologias são citadas como referência para outros projetos de usinas reversíveis em áreas de planície com alta demanda de carga.

Operação como bateria hidráulica para 360 mil residências

A usina de Zhenjiang/Jurong opera como uma usina hidrelétrica reversível:

Em horários de menor consumo, utiliza eletricidade excedente da rede para bombear água do reservatório inferior para o reservatório superior.

Nos momentos de pico, libera essa água de volta, fazendo-a passar pelas turbinas e gerando energia novamente.

De acordo com dados da operadora, o sistema foi dimensionado para consumir cerca de 1,8 bilhão de kWh por ano no processo de bombeamento.

E gerar aproximadamente 1,35 bilhão de kWh anuais na fase de descarga.

Essa diferença corresponde a perdas na conversão e no armazenamento, em torno de 25%, índice compatível com usinas reversíveis de grande porte.

A energia anual gerada é estimada como suficiente para abastecer em torno de 360 mil residências, reforçando o papel da usina como “pulmão” de energia limpa para o leste da China.

Além de garantir segurança de suprimento em horários críticos, o empreendimento ajuda a acomodar a crescente participação de fontes renováveis variáveis, como eólica e solar.

Autoridades chinesas destacam ainda o benefício ambiental.

A operação em regime pleno deve evitar o consumo de cerca de 140 mil toneladas de carvão por ano.

E reduzir aproximadamente 349 mil toneladas de emissões de CO₂ anuais.

Engenharia adaptada para áreas planas e estabilidade da rede

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O projeto também é citado como demonstração de que é possível implantar grandes sistemas de armazenamento por bombeamento em áreas de topografia relativamente plana, desde que se criem desníveis artificiais adequados.

Jiangsu é um território majoritariamente plano, o que tradicionalmente dificulta a instalação desse tipo de usina.

Para viabilizar Zhenjiang/Jurong, engenheiros utilizaram o material escavado na própria obra para conformar o maciço da barragem e criar a diferença de altura necessária, concentrando no vale de Lunshan o desnível hidráulico que permite a operação do sistema com queda inferior a 200 metros.

A planta foi conectada ao sistema operado pela State Grid na província de Jiangsu, região que vem registrando aumentos sucessivos na carga máxima.

Segundo dados recentes, o consumo de eletricidade na província alcança valores recordes na estação atual, pressionando a infraestrutura de geração e transmissão.

A usina entra em operação justamente para ampliar a margem de segurança na ponta e aumentar a flexibilidade na gestão do despacho.

No contexto da operação da rede, o diretor do Departamento de Desenvolvimento da State Grid Zhenjiang Power Supply Company, Wang Chenhui, resume o papel do empreendimento afirmando: “Em plena operação, ela fornecerá aproximadamente 2,7 milhões de quilowatts de capacidade de regulação de energia bidirecional, aliviando a pressão sobre a rede elétrica durante os períodos de pico de demanda”.

A avaliação é alinhada a comunicados oficiais que apontam a usina como um recurso de ajuste rápido para o sistema elétrico regional.

Zhenjiang/Jurong no mosaico hidrelétrico do Yangtzé

A região do rio Yangtzé já abriga megaestruturas como a Barragem das Três Gargantas, considerada a maior usina hidrelétrica do mundo em capacidade instalada.

A nova usina de Zhenjiang/Jurong não alcança o mesmo patamar de geração contínua, mas assume um papel complementar ao atuar como armazenamento estratégico para suavizar variações de oferta e demanda em um sistema cada vez mais dependente de fontes renováveis intermitentes.

Especialistas em energia veem o projeto como um laboratório em escala real para a expansão de usinas reversíveis em outras áreas de carga elevada e relevo pouco favorável.

Ao mostrar que é viável erguer uma barragem de cerca de 190 metros de altura em planície e operar o conjunto com elevada vazão volumétrica e queda mais baixa que a de usinas tradicionais, Zhenjiang/Jurong pode servir de modelo para futuros empreendimentos em territórios com características semelhantes.

Com a combinação entre altura recorde, armazenamento massivo, profundidade da casa de força e operação reversível, a usina se consolida como marco global em engenharia hidrelétrica.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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