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Chilli Beans enfrenta dívida de R$ 89 milhões, ganha prazo até 26 de outubro para negociar e tentar evitar recuperação judicial

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Escrito por Ana Alice Publicado em 15/10/2026 às 18:32 Atualizado em 15/10/2026 às 18:40
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Chilli Beans negocia dívida de R$ 89 milhões até 26 de outubro, enquanto tenta reestruturar passivos e afastar risco de recuperação judicial. – Imagem: Ilustrativa via I.A
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Chilli Beans negocia com credores após atrasar parcelas de uma operação financeira, enquanto busca alongar dívidas, reduzir juros e preservar a operação antes do novo prazo estabelecido para 26 de outubro.

A Chilli Beans ganhou algumas semanas adicionais para tentar reorganizar uma dívida de R$ 89 milhões e evitar que a pressão dos credores avance para uma etapa mais grave.

Em assembleia realizada em 2 de outubro, segundo o portal Exame, investidores concordaram em suspender temporariamente os efeitos do vencimento antecipado da operação e estabeleceram 26 de outubro de 2026 como novo prazo para as negociações.

A decisão não representa perdão da dívida nem significa que um acordo definitivo tenha sido alcançado. Na prática, os credores aceitaram interromper temporariamente a cobrança antecipada do saldo enquanto a varejista e seus controladores tentam encontrar uma solução para parcelas vencidas e para a estrutura financeira do negócio.

Loja da Chilli Beans; a rede tenta conciliar a operação de seus pontos de venda com a renegociação de dívidas e a reestruturação financeira. Crédito: Reprodução/Neofeed
Loja da Chilli Beans; a rede tenta conciliar a operação de seus pontos de venda com a renegociação de dívidas e a reestruturação financeira. Crédito: Reprodução/Neofeed

Parcelas de R$ 16,5 milhões ficaram sem pagamento

O problema se agravou depois que parcelas referentes a julho e agosto, que juntas somavam R$ 16,5 milhões, deixaram de ser pagas. Os credores já haviam concedido uma extensão anterior, permitindo que os valores fossem quitados até 25 de setembro.

O pagamento, porém, não ocorreu dentro do prazo renegociado. Em 30 de setembro, a Vert Companhia Securitizadora declarou o vencimento antecipado da operação, mecanismo que permitiria exigir imediatamente todo o saldo devedor de aproximadamente R$ 89 milhões, em vez de aguardar os vencimentos previstos originalmente.

A cobrança inicial previa apenas três dias úteis para a quitação. Dois dias depois da declaração do vencimento antecipado, no entanto, uma nova assembleia mudou temporariamente o cenário e abriu espaço para negociações até 26 de outubro.

No centro da disputa está uma operação originalmente estruturada em R$ 100 milhões, realizada em fevereiro de 2025 e relacionada à Mustang 25 Participações, holding controladora da Chilli Beans.

Segundo informações divulgadas sobre a operação, o vencimento original estava previsto para janeiro de 2029 e a remuneração era de CDI mais 3,9% ao ano.

Caito Maia, fundador da Chilli Beans, aparece como avalista da operação. Isso adiciona uma camada de pressão às tratativas porque o compromisso não está restrito apenas à empresa envolvida na captação.

Caito Maia, fundador da Chilli Beans, que participa das negociações relacionadas à reestruturação financeira da companhia. Crédito: Marcela Soares Cardoso Silva/Wikimedia Commons
Caito Maia, fundador da Chilli Beans, que participa das negociações relacionadas à reestruturação financeira da companhia. Crédito: Marcela Soares Cardoso Silva/Wikimedia Commons

Dívida bruta cresceu antes da atual renegociação

O episódio dos R$ 89 milhões, contudo, é apenas uma parte das dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo.

Segundo o Times Brasil, documentos ligados à operação de crédito indicam que a dívida bruta passou de R$ 216 milhões em 2023 para R$ 290 milhões em 2024, crescimento de aproximadamente 34% em um ano.

Há estimativas de mercado de que o endividamento total tenha se aproximado de R$ 600 milhões ao fim de 2025, mas esse número não foi apresentado como dado financeiro auditado pela empresa. Por isso, ele deve ser tratado como uma estimativa atribuída a fontes de mercado, e não como valor oficial consolidado.

Ao mesmo tempo, a Chilli Beans vem negociando com bancos credores uma reorganização mais ampla. A companhia confirmou que busca alongar prazos de pagamento e reduzir juros, movimento destinado a diminuir a pressão imediata sobre o caixa.

Em setembro, quando surgiram reportagens afirmando que a empresa avaliava uma recuperação judicial, a Chilli Beans contestou essa informação.

Em nota divulgada à imprensa, afirmou que não havia discussão sobre um eventual processo desse tipo e classificou as conversas com bancos como uma negociação amigável avançada.

Desde então, porém, a situação da operação de R$ 100 milhões ganhou um novo componente com o atraso das parcelas e a declaração de vencimento antecipado.

O prazo atual de negociação foi apresentado como uma etapa anterior a uma eventual recuperação judicial caso a reestruturação consensual não avance.

Isso não significa que exista um pedido de recuperação judicial já apresentado ou que o procedimento seja inevitável. Até o momento, o fato concreto é a negociação com credores, acompanhada da suspensão temporária da cobrança antecipada até 26 de outubro.

Chilli Beans reforça gestão durante reestruturação

A reorganização financeira também provocou mudanças na gestão.

André Dela Togna assumiu a vice-presidência da Chilli Beans em 1º de outubro, com a missão de apoiar Caito Maia na operação e no processo de reestruturação.

Dela Togna tem experiência em turnaround, termo utilizado para processos de reorganização de empresas que enfrentam problemas financeiros ou operacionais.

Antes da chegada do executivo, a própria companhia já havia informado que pretendia reforçar a gestão enquanto Maia concentraria mais atenção em clientes, franqueados, marketing e área comercial.

Paralelamente às negociações financeiras, a Chilli Beans tenta reorganizar partes de sua rede de franquias. A empresa vem transferindo pontos entre operadores e afirma que algumas dessas mudanças produziram aumento nas vendas.

Segundo números fornecidos pela companhia, uma franqueada que já administrava duas unidades em Aracaju assumiu outros oito pontos em Alagoas e teria registrado crescimento de 32% nas vendas em um ano.

Em São José do Rio Preto, um operador responsável por 32 lojas apresentou avanço de 12%, enquanto quatro unidades assumidas por um franqueado em Goiânia e Aparecida de Goiânia teriam crescido 18%.

Os resultados são informações reportadas pela própria Chilli Beans e representam operações específicas, não podendo ser usados como indicação de crescimento uniforme de toda a rede.

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Empresa projeta crescimento enquanto negocia com credores

A empresa também afirmou em setembro que projetava crescimento de 10% em 2026, mesmo enquanto negociava sua estrutura de endividamento.

A estratégia comercial inclui lançamentos de coleções e ações voltadas ao fim do ano, período importante para o varejo.

O desempenho das lojas, entretanto, é apenas uma parte da equação. A prioridade financeira imediata está no acordo com os detentores da operação que chegou ao saldo de R$ 89 milhões e nas negociações paralelas com instituições financeiras.

Se houver entendimento até 26 de outubro, os termos poderão reorganizar vencimentos, pagamentos e demais condições da dívida.

Caso não exista acordo, a suspensão concedida pelos credores poderá perder efeito, devolvendo à discussão a cobrança antecipada do saldo.

Assim, o prazo representa um ponto importante da reestruturação em andamento, mas não encerra a situação financeira da empresa.

A Chilli Beans precisa conciliar pagamentos atrasados, renegociação bancária e operação de uma extensa rede de franquias, enquanto tenta preservar vendas e fluxo de caixa suficientes para sustentar o negócio durante o processo.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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