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Morte por pneumonia de origem desconhecida no Instituto Anti-Peste de Irkutsk põe ala de hospital em quarentena, 200 pessoas sob vigilância e máscara em usina vizinha

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 06/10/2026 às 15:08 Atualizado em 06/10/2026 às 15:30
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Técnicos com macacão branco de proteção, máscara e luvas preparam amostras dentro de laboratório móvel com cabine de segurança biológica.
Foto: Instituto Anti-Peste de Irkutsk/Divulgação
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O Instituto Anti-Peste de Irkutsk, na Sibéria, pesquisa a peste desde 1934. A agência sanitária russa diz não ter achado micro-organismo ligado ao trabalho da técnica. No Brasil, a bactéria da peste fica em laboratório NB3 da Fiocruz no Recife.

Cerca de 200 pessoas estão sob monitoramento sanitário na região de Irkutsk, na Sibéria, depois da morte de uma técnica do Instituto Anti-Peste de Irkutsk. Segundo a CNN Brasil, ela morreu de “pneumonia de origem desconhecida”. A morte foi confirmada por autoridades russas na semana passada.

O número de pessoas observadas foi divulgado pelo veículo regional independente Liudi Baikala, citado pela CNN. A ala de internação do hospital onde a funcionária foi tratada entrou em quarentena. Uma usina de alumínio próxima ao laboratório orientou os funcionários a usar máscaras, como prevenção.

O que diz o Rospotrebnadzor

O Rospotrebnadzor é o serviço federal russo de vigilância sanitária, e o instituto responde a ele. A agência afirmou que “nenhum micro-organismo associado às funções profissionais da funcionária foi detectado” nas amostras coletadas.

O Rospotrebnadzor também disse que a situação sanitária e epidemiológica em Shelekhov e na capital regional, Irkutsk, estava “estável”. Até aqui, nem o Rospotrebnadzor nem outra fonte oficial apontou a causa da pneumonia.

O caso do Instituto Anti-Peste de Irkutsk chegou a Washington. O Departamento de Estado dos Estados Unidos disse acompanhar a situação de perto com o CDC, o centro de controle de doenças do país. O CDC informou que também monitora o caso na Rússia.

O que o Instituto Anti-Peste de Irkutsk pesquisa

O nome oficial é Instituto de Pesquisa Anti-Peste de Irkutsk da Sibéria e do Extremo Oriente. Pelo site oficial do instituto, ele foi criado em 5 de junho de 1934, por ordem do representante do Conselho de Trabalho e Defesa da antiga União Soviética, como órgão de combate à peste.

Especialista com traje branco de proteção completo, agachado no chão de terra, coleta amostra ao lado de caixa térmica.
Coleta de amostras no exercício de maio de 2026 que simulou um foco de antraz. Foto: Instituto Anti-Peste de Irkutsk/Divulgação

Com o tempo, entraram outras doenças consideradas especialmente perigosas: cólera, brucelose, tularemia e antraz. Hoje o Instituto Anti-Peste de Irkutsk é o centro regional do Rospotrebnadzor para monitorar agentes dos grupos de patogenicidade I e II na Sibéria. Também é centro de referência para a encefalite viral transmitida por carrapato.

O trabalho não fica só na bancada. Entre 18 e 21 de maio de 2026, as equipes móveis do Instituto Anti-Peste de Irkutsk fizeram um exercício simulando um foco de antraz, com coleta de amostras no ambiente e identificação do *Bacillus anthracis*. Segundo a CNN, o instituto tem cerca de 95 pesquisadores.

Um dos nomes históricos do Instituto Anti-Peste de Irkutsk é o professor Nikolai Gaisky. Entre 1939 e 1947, ele desenvolveu no instituto uma vacina viva atenuada contra a tularemia, segundo a página de história da instituição.

Os quatro níveis de biossegurança

Laboratórios que lidam com bactérias e vírus seguem níveis de contenção. No Brasil, o documento oficial é a Classificação de Risco dos Agentes Biológicos, do Ministério da Saúde. Ele define quatro níveis de biossegurança: NB-1, NB-2, NB-3 e NB-4.

Cada nível soma instalações, equipamentos de segurança e práticas de trabalho. A escolha do nível de biossegurança depende da classe de risco do agente manipulado:

Classe de riscoRiscoExemplos do Ministério da Saúde
1Baixo para a pessoa e para a comunidade*Lactobacillus* e *Bacillus subtilis*
2Moderado para a pessoa, limitado para a comunidade*Schistosoma mansoni* e vírus da rubéola
3Alto para a pessoa, moderado para a comunidade*Bacillus anthracis* (antraz) e HIV
4Alto para a pessoa e para a comunidadeVírus Ebola e vírus da varíola

A bactéria da peste, *Yersinia pestis*, está na classe de risco 3 na lista brasileira. A classe 4 reúne agentes de alta transmissibilidade sem medida preventiva ou tratamento eficaz conhecidos, principalmente vírus.

A Organização Mundial da Saúde trata do tema no Manual de Biossegurança Laboratorial, cuja 4ª edição saiu em dezembro de 2020. O texto da OMS reforça a avaliação de risco caso a caso, para equilibrar as medidas de segurança com o risco real de cada trabalho.

Onde ficam os laboratórios NB3 e NB4 no Brasil

O Brasil tem um serviço próprio para a peste. O Serviço de Referência Nacional em Peste funciona no Instituto Aggeu Magalhães, a Fiocruz Pernambuco, no campus da UFPE, no Recife. Ele faz diagnóstico sorológico, bacteriológico e molecular e treina equipes da rede pública.

Esse trabalho depende de biossegurança de nível 3. O laboratório NB-3 da Fiocruz Pernambuco foi inaugurado em março de 2004 e integra a Rede Nacional de Laboratórios de Saúde Pública. Lá são feitos o diagnóstico da peste, a produção de imunobiológicos e a análise molecular da *Yersinia pestis*.

A vigilância da peste no país é feita em nove estados: Rio Grande do Norte, Piauí, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Bahia, Alagoas, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os laboratórios centrais desses estados podem acionar o serviço da Fiocruz.

O nível máximo ainda não existe no país. O primeiro laboratório de biossegurança máxima está em obras no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP). O projeto Orion terá a primeira estrutura NB4 da América Latina, além de áreas NB2 e NB3.

O Orion será ligado ao Sirius, o acelerador de elétrons do CNPEM, por três linhas de luz. Entre os alvos de pesquisa citados estão o vírus Sabiá, os hantavírus e os vírus Nipah e Hendra. No caso do Instituto Anti-Peste de Irkutsk, a resposta sobre a causa da morte segue com as autoridades russas.

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Bruno Teles

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