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CEO da Honor na Espanha diz que celulares vão mudar com IA, dobráveis e até telefone robô; crise de componentes encarece modelos baratos em 2026 e empurra foco para premium

Escrito por Carla Teles
Publicado em 10/04/2026 às 16:05
Atualizado em 10/04/2026 às 16:09
CEO da Honor na Espanha diz que celulares vão mudar com IA, dobráveis e até telefone robô; crise de componentes encarece modelos baratos em 2026 e empurra foco para premium
Celulares da Honor terão IA e dobráveis, mas a crise de componentes já pressiona os modelos de 2026.
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Os celulares entram em uma nova fase na visão da Honor, com inteligência artificial, formatos dobráveis e até conceitos como telefone robô ganhando espaço, ao mesmo tempo em que a alta no custo de componentes empurra o mercado para aparelhos mais caros e sofisticados.

Os celulares, segundo Laurance Li, CEO da Honor na Espanha, não serão substituídos tão cedo, mas devem passar por mudanças profundas na forma, no uso e na interação com o usuário. Nesse cenário, a empresa aposta em inovação de hardware e software, enquanto tenta se posicionar melhor em um mercado europeu cada vez mais competitivo.

A fala do executivo combina duas frentes que hoje se cruzam na indústria. De um lado, marcas como a Honor aceleram testes com dobráveis, integração de ecossistema e novos conceitos de aparelho. Do outro, o setor enfrenta um aumento de custo que atinge principalmente os modelos de entrada e torna 2026 um ano delicado para os segmentos mais baratos.

Na leitura de Li, o futuro dos smartphones passa menos por desaparecimento e mais por transformação. O aparelho continua central, mas a forma como ele se apresenta e se comunica com o usuário tende a mudar bastante, especialmente com o avanço da IA.

Celulares não devem desaparecer, mas vão mudar bastante

Laurance Li trabalha no setor de telefonia móvel há quase 20 anos e acompanhou transições marcantes, do 2G ao 5G. Ao falar sobre o futuro, ele deixa claro que não vê os celulares sendo substituídos no curto prazo, mesmo com a chegada de novos dispositivos conectados.

A avaliação dele é que o telefone seguirá como peça central da experiência digital. Mesmo em um cenário com óculos inteligentes e outros aparelhos conectados, ainda será necessário ter um celular para integrar tudo isso. Para o executivo, o dispositivo continua insubstituível por enquanto, embora esteja prestes a mudar em formato e função.

Essa visão ajuda a entender por que a Honor insiste em experimentar. Em vez de tratar o smartphone como produto já definido, a empresa trabalha com a ideia de que os celulares ainda estão em transformação.

IA aparece como a próxima grande virada do setor

Ao olhar para a trajetória da telefonia móvel, Li compara diferentes fases de mudança tecnológica. Ele lembra o impacto das videoconferências e chamadas de vídeo na passagem do 2G para o 3G, depois a força dos jogos na evolução do 3G para o 4G, e observa que o salto do 4G para o 5G não teve para o usuário comum uma diferença tão visível quanto se imaginava.

É justamente aí que entra a inteligência artificial. Para o CEO da Honor na Espanha, a IA será o próximo divisor de águas da indústria, com potencial para alterar profundamente a forma como as pessoas usam os aparelhos.

Na prática, isso passa por uma mudança de interface. Em vez de depender apenas de toques e digitação, o usuário poderá se relacionar com o aparelho de forma mais conversacional. A ideia é que o software se torne mais inteligente, mais responsivo e mais natural no contato diário.

Dobráveis seguem no centro da aposta da Honor

Se existe um formato em que a Honor já mostra convicção há algum tempo, esse formato é o dobrável. Laurance Li afirma que acredita que os celulares dobráveis serão o futuro, ainda que hoje muitas pessoas não façam a migração por causa do preço.

A empresa tem investido fortemente nessa categoria e reforçou essa estratégia com aparelhos como o Honor Magic V6, citado como mais fino e com maior duração de bateria. A proposta é fazer o dobrável parecer cada vez menos um experimento e cada vez mais um aparelho pronto para o uso cotidiano.

Esse movimento também tem um objetivo comercial importante. Ao reduzir resistência de uso e melhorar o desenho do produto, a Honor tenta ampliar o apelo dos dobráveis para além do público entusiasta.

Telefone robô mostra que a disputa também passa por novos formatos

Durante a MWC, a Honor chamou atenção com o Honor Robot Phone, conceito que levou a discussão sobre inovação móvel para outro patamar. O aparelho se destaca pela câmera retrátil traseira, mas a ideia vai além de um recurso visual diferente.

Segundo Li, esse tipo de dispositivo importa porque muda a forma como interagimos com o telefone. No conceito apresentado, a câmera responde ao usuário, acompanha movimentos e reage a comandos, aproximando o aparelho de uma experiência mais emocional e mais dinâmica.

A proposta ainda parece futurista, mas serve para sinalizar uma direção. A Honor quer mostrar que os celulares podem deixar de ser apenas telas retangulares com especificações fortes e passar a incorporar comportamentos mais ativos no contato com o dono.

Honor tenta atrair usuários do iPhone sem romper com o ecossistema

Outro ponto importante da estratégia da marca é a tentativa de reduzir as barreiras para usuários da Apple que pensam em migrar. Em vez de fazer um discurso de ruptura total, a Honor trabalha a ideia de compatibilidade entre seu ecossistema e o iPhone.

Segundo Li, alguns usuários querem mudar, mas esbarram justamente nesse bloqueio de integração. Por isso, a empresa deu destaque na MWC à convivência entre dispositivos da Apple e produtos da Honor. A lógica é simples: convencer o consumidor de que ele pode experimentar outro sistema sem perder tudo o que já construiu no ecossistema anterior.

Essa abordagem combina com a aposta nos dobráveis. A Honor tenta ganhar espaço pouco a pouco, sem exigir uma ruptura brusca do usuário com hábitos já consolidados.

Parceiros de varejo e operadoras seguem decisivos para crescer

Ao falar sobre o presente da Honor na Espanha, Laurance Li enfatiza a relação com operadoras e varejistas. Boa parte da conversa sobre 2025 gira em torno do fortalecimento da marca nesses canais.

Segundo os dados citados pelo executivo, a MasOrange já concentra mais de 8% do mercado de smartphones e, considerando tablets vendidos pela operadora, esse número sobe para 20%. Em parceria com a Vodafone, ele afirma que a Honor conta com 800 pontos de venda em que a marca mantém contato direto com o consumidor.

A MediaMarkt também entrou nesse esforço recente de expansão, e o trabalho com o El Corte Inglés continua. A leitura da empresa é que crescer em presença física e parceria comercial ainda é decisivo para construir reputação em um mercado complexo e muito disputado.

Europa cresce, mas o cenário competitivo continua apertado

No balanço apresentado por Li, a Honor encerrou 2025 com crescimento de 18% na Europa em relação ao ano anterior, segundo dados da Counterpoint Research. Isso a posicionou como a quarta maior marca, com 4% do mercado, atrás de Apple, Samsung e Xiaomi.

Ainda assim, o cenário não é totalmente pacificado, porque outros rankings colocam a empresa em quinto lugar, com a Motorola à frente. Isso mostra que a marca avançou, mas ainda disputa espaço em uma faixa muito apertada de mercado.

Esse contexto ajuda a explicar por que a Honor combina ambição tecnológica com esforço comercial. Não basta inovar em formato e IA, é preciso também ganhar distribuição, presença de marca e escala de venda.

Crise de componentes muda o jogo dos celulares baratos

Se o futuro dos celulares parece cheio de experimentação, o presente da indústria traz um problema bem concreto: a crise de componentes. Laurance Li classifica esse momento como o maior desafio enfrentado pelo setor de telefonia nos últimos 20 anos.

A pressão não vem só da memória RAM, mas de uma crise mais ampla de componentes, impulsionada pela explosão de data centers voltados à inteligência artificial. O efeito disso recai sobretudo sobre os aparelhos de entrada.

Segundo o executivo, o aumento do custo da memória deve afetar de forma significativa os dispositivos mais baratos, o que reforça a decisão da Honor de concentrar mais energia em modelos de gama média e alta. Nesses segmentos, o impacto existe, mas é relativamente menor dentro do custo total do aparelho.

Mercado deve empurrar marcas para o segmento premium

Essa combinação entre inovação cara e componente pressionado cria uma tendência clara para 2026. Em vez de ampliar o foco nos aparelhos mais acessíveis, marcas como a Honor tendem a reforçar a presença em categorias de maior valor agregado.

A lógica é econômica. Se o custo sobe de forma pesada nos modelos de entrada, faz mais sentido trabalhar em produtos nos quais a margem é mais protegida e o consumidor aceita melhor diferenciais como IA, acabamento premium e formatos dobráveis.

Isso ajuda a explicar por que o debate sobre o futuro dos celulares hoje passa ao mesmo tempo por telefone robô, IA embarcada e o encarecimento dos aparelhos baratos. A inovação continua, mas ela avança mais rápido onde o preço final consegue absorver esse salto.

Celulares seguem no centro da vida digital, mas em outra forma

Ao fim da conversa, a visão de Laurance Li é clara. Os celulares não estão perto de desaparecer, mas caminham para uma transformação importante. A inteligência artificial deve mudar a interface, os dobráveis devem ganhar espaço e conceitos mais ousados devem abrir caminho para novas formas de interação.

Ao mesmo tempo, a crise de componentes empurra o mercado para cima e dificulta a vida dos aparelhos de entrada. Isso faz de 2026 um ano em que tecnologia e custo caminham juntos de forma ainda mais visível.

No entendimento do CEO da Honor na Espanha, o celular permanece no centro da experiência digital, mas o aparelho que domina esse papel nos próximos anos pode ser bem diferente do que conhecemos hoje.

Na sua opinião, os celulares do futuro vão ganhar mais força com a IA e os dobráveis ou o preço ainda vai travar essa mudança por mais tempo?

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Carla Teles

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