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Na Holanda, um país onde metade do território fica abaixo do nível do mar, bairros inteiros de casas flutuantes sobem e descem com a maré e podem ser a solução para cidades que vão enfrentar enchentes cada vez piores

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 22/04/2026 às 19:15
Atualizado em 22/04/2026 às 19:25
Casas flutuantes modernas em canal de Amsterdã com reflexos na água
Casas flutuantes modernas sobre a água em Amsterdã, Holanda.
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A Holanda convive com a água há séculos, um quarto do país está abaixo do nível do mar e sem diques e bombas a região de Amsterdã estaria debaixo d’água

A Holanda é provavelmente o único país do mundo que existe porque seus habitantes decidiram que o mar não mandava neles. Um quarto do território holandês está abaixo do nível do mar. Sem o sistema de diques, barragens e estações de bombeamento construído ao longo de séculos, cidades como Amsterdã, Roterdã e Haia simplesmente não existiriam.

Os holandeses são, desde sempre, engenheiros da água.

Mas com as mudanças climáticas elevando o nível do mar e intensificando as chuvas, até os diques mais sofisticados têm limites.

A pergunta que os arquitetos holandeses se fizeram foi: e se, em vez de lutar contra a água, a gente morasse em cima dela?

O bairro Waterbuurt em Amsterdã: casas que boiam de verdade

Em IJburg, um bairro construído em ilhas artificiais no leste de Amsterdã, existe o Waterbuurt, o bairro da água.

São dezenas de casas que flutuam sobre o lago IJ.

Cada casa é construída sobre uma fundação de concreto oca que funciona como um barco.

Essa base é amarrada a estacas no fundo, mas tem liberdade para subir e descer conforme o nível da água muda.

Quando a maré sobe, as casas sobem junto. Quando desce, elas descem.

Os moradores nem percebem o movimento. É suave como o balanço de um barco grande.

Fundação flutuante de casa holandesa sobre a água
Detalhe da fundação flutuante de casa holandesa mostrando como ela se apoia sobre a água.

O arquiteto que projeta cidades sobre a água

O maior nome da arquitetura flutuante no mundo é o holandês Koen Olthuis, fundador do escritório Waterstudio.

Olthuis projeta não apenas casas, mas bairros, parques e até fazendas que flutuam.

Um dos seus projetos mais conhecidos é uma fazenda flutuante em Roterdã que produz leite e iogurte sobre a água do porto.

A ideia de Olthuis é que as cidades do futuro terão uma parte em terra firme e outra sobre a água.

Ele chama isso de cidades anfíbias.

Funciona como uma casa normal, mas flutua

Por dentro, uma casa flutuante holandesa é idêntica a qualquer casa em terra.

Tem banheiro, cozinha, quartos, aquecimento central, eletricidade e internet.

A diferença está na fundação.

Em vez de alicerce de concreto enterrado no solo, a base é um caixão de concreto leve e impermeável que boia.

As conexões de água, esgoto e eletricidade são flexíveis, como mangueiras, para acompanhar o movimento.

O custo de uma casa flutuante é cerca de 10 a 25% mais alto que uma casa convencional equivalente em terra.

Mas para quem mora num país ameaçado por enchentes, esse custo extra pode ser a diferença entre ter casa ou perder tudo.

Por que o mundo inteiro está olhando para a Holanda

Com o nível do mar subindo e chuvas extremas ficando mais frequentes, cidades costeiras do mundo inteiro enfrentam o mesmo problema.

Miami, Jacarta, Bangkok, Veneza, Recife, todas correm risco de inundação nas próximas décadas.

A Holanda, por ter enfrentado esse problema há 800 anos, está décadas à frente na solução.

Delegações de urbanistas de mais de 30 países já visitaram o Waterbuurt para estudar o modelo.

As Maldivas, um país que pode desaparecer com a elevação do mar, está desenvolvendo uma cidade flutuante com tecnologia holandesa.

As limitações da vida sobre a água

Nem tudo é perfeito na vida flutuante.

As casas dependem de amarras e estacas que precisam de manutenção.

Em tempestades fortes, o balanço pode ser perceptível.

Animais de estimação precisam se adaptar, cães não podem simplesmente correr para o quintal.

E a revenda é mais complexa, porque nem todos os compradores aceitam viver sobre a água.

Mas para um país que literalmente inventou terra onde antes havia mar, morar sobre a água é só mais um capítulo de uma história de 8 séculos.

E talvez, para o resto do mundo, seja o próximo capítulo.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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