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Fornecedores independentes de cana do Nordeste podem receber R$ 12 por tonelada entregue às usinas na safra 2025/2026, uma conta de R$ 270 milhões aprovada pela Câmara para compensar tarifaço e clima

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 28/10/2026 às 21:10 Atualizado em 28/10/2026 às 21:31
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A Câmara aprovou nesta terça-feira (27) um projeto que autoriza o governo a pagar R$ 12 por tonelada a fornecedores independentes de cana do Nordeste, prejudicados pelo tarifaço dos Estados Unidos ou pelo clima, e libera até R$ 14,5 bilhões do BNDES para renovar frotas de caminhões e ônibus.

O texto aprovado é o substitutivo do deputado Lula da Fonte (PP-PE) ao Projeto de Lei 5.649/2026, do deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE). A votação foi simbólica, e a proposta segue para o Senado, segundo o Atlas Público.

O projeto foi a saída para não perder a Medida Provisória 1.374/2026, que trazia a mesma subvenção e perde a validade nesta quarta-feira (28).

São R$ 12 por tonelada entregue na safra 2025/2026

A subvenção pode chegar a R$ 12 por tonelada de cana produzida e comprovadamente entregue, na safra 2025/2026, a usinas, destilarias ou cooperativas do Nordeste. A comprovação será feita por nota fiscal eletrônica.

O pagamento é extraordinário e vale só para 2026. O Executivo estimou o impacto em R$ 270 milhões, e as despesas dependem de disponibilidade no Orçamento, porque são discricionárias.

Na prática, um fornecedor que entregou 1.000 toneladas às usinas na safra poderia receber R$ 12 mil, se houver dinheiro liberado para o programa.

O governo estima 16 mil produtores beneficiados

No texto original da MP, enviada em julho, o governo estimava que 16 mil produtores seriam beneficiados, segundo a Folha de S.Paulo.

A Conab estima a produção de cana do Nordeste na safra 2026/27 em 55 milhões de toneladas, informou o jornal. A subvenção, porém, mira a safra anterior, a de 2025/2026.

O relator não apresentou estimativa atualizada do impacto financeiro. Seu texto se limita a dizer que as despesas estão sujeitas à disponibilidade no orçamento.

Deputados de terno em pé no plenário da Câmara dos Deputados durante sessão de votação, com a Mesa Diretora ao fundo
Plenário da Câmara na sessão de terça-feira (27) (Foto: Câmara dos Deputados)

Quem tem participação na usina fica de fora

O dinheiro é para o fornecedor independente, aquele que planta a cana e vende para a indústria. Produtores com participação societária, direta ou indireta, nas usinas, destilarias ou cooperativas que recebem a matéria-prima estão excluídos.

“Não terão direito ao apoio financeiro os produtores que detenham participação societária, direta ou indiretamente, nas usinas, destilarias ou cooperativas destinatárias da matéria-prima fornecida”, diz o texto, citado pela Folha.

O objetivo é compensar quem teve prejuízo com a tributação adicional dos Estados Unidos sobre exportações brasileiras ou com eventos climáticos extremos.

Motta disse que muitos produtores ainda não receberam

Antes da votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), explicou que a MP ia vencer sem que todo mundo tivesse sido pago. “Diversos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste não conseguiram ainda receber esta subvenção”, disse, segundo a Agência Câmara.

Motta também citou a alta de custos do setor. “Tivemos as tarifas americanas e a alta dos fertilizantes devido ao conflito do Irã com os Estados Unidos”, afirmou.

O projeto foi aprovado horas depois de ter a urgência votada, o que dispensou a passagem pelas comissões.

Deputados de outros estados reclamaram da regra regional

A aprovação não foi unânime no discurso. Deputados de outras regiões, como Adriana Ventura (Novo-SP), criticaram a subvenção por considerar injusto apoiar produtores de uma só região, segundo a Folha.

A gente lembra que a regra é geográfica: o texto vale apenas para quem entregou cana a usinas, destilarias ou cooperativas do Nordeste.

No Senado, a proposta pode ser mantida como está ou alterada. Se mudar, volta para a Câmara antes de seguir para sanção.

Na mesma votação, R$ 14,5 bilhões para caminhões e ônibus

O projeto também autoriza a União a destinar até R$ 14,5 bilhões, por meio do BNDES, a linhas de financiamento para comprar caminhões e caminhões-tratores novos ou seminovos, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários novos.

Os financiamentos de bens novos exigem fabricação nacional. O Ministério da Fazenda será o gestor, e as condições, como juros e prazos, serão fixadas pelo Conselho Monetário Nacional.

O substitutivo incluiu o microempreendedor individual entre os beneficiários, inclusive para caminhões seminovos. Essa mudança não estava no texto original da MP 1.374.

O relator fala em eficiência diante da volatilidade dos combustíveis

Segundo Lula da Fonte, a medida busca estimular a renovação da frota, modernizar o setor e aumentar a “eficiência energética em meio à volatilidade dos preços dos combustíveis”, informou o Valor Econômico.

O texto ainda permite usar até R$ 10 bilhões do superávit do FNDCT, o fundo de ciência e tecnologia, em financiamentos de equipamentos nacionais para a produção agrícola em 2026.

O BNDES já tinha aberto, em maio, uma linha de até R$ 50 milhões por cliente para caminhões, ônibus e implementos.

O projeto virou um pacote que junta pedaços de outras MPs

Além da MP 1.374, o texto incorpora o artigo 3º da MP 1.353/2026, que já tinha perdido a eficácia, e preserva uma mudança da MP 1.376/2026 sobre o empréstimo do FNDCT à Finep.

O projeto também altera a Lei 9.818, de 1999, que trata do seguro de crédito interno do setor de aviação civil, e a Lei 14.947, de 2024, para admitir capital de giro no financiamento de infraestrutura do FIIS.

Ou seja, a votação desta terça juntou num texto só a MP que ia caducar e trechos de outras duas medidas provisórias.

O que ainda falta para o dinheiro chegar

Para a cana, faltam a votação no Senado, a sanção e a liberação de recursos no Orçamento. Para os caminhões, falta ainda o Conselho Monetário Nacional definir juros, prazos e limites das linhas.

Nenhum dos textos divulgados traz data para os primeiros pagamentos aos fornecedores de cana.

Você fornece cana para usina no Nordeste ou pensa em trocar o caminhão com essa linha do BNDES? Conte nos comentários o que espera da votação no Senado.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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