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Cabo submarino da Nexans desce a 2.150 metros no Mar Tirreno, bate recorde mundial em águas profundas na Itália e conclui trecho HVDC de 500 kV para reforçar a transmissão elétrica entre Sardenha e Sicília

Escrito por Carla Teles
Publicado em 09/05/2026 às 15:52
Atualizado em 09/05/2026 às 15:54
Cabo submarino da Nexans desce a 2.150 metros no Mar Tirreno, bate recorde mundial em águas profundas na Itália e conclui trecho HVDC de 500 kV para reforçar a transmissão
O cabo submarino da Nexans no Mar Tirreno bate recorde mundial e coloca a Itália no centro da nova engenharia submarina.
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Segundo o portal Nexans, mais do que um feito técnico, a operação chamou atenção pelo grau de precisão exigido em um ambiente extremo. Não se tratava apenas de lançar uma estrutura no fundo do mar, mas de instalar um cabo HVDC de 500 kV em águas profundas e, ao mesmo tempo, fechar a conexão física entre Terra Mala, na Sardenha, e Fiumetorto, na Sicília, concluindo a fase submarina de um dos projetos energéticos mais estratégicos da Itália.

O recorde no Mar Tirreno marcou a reta final de uma obra decisiva

O cabo submarino da Nexans no Mar Tirreno bate recorde mundial e coloca a Itália no centro da nova engenharia submarina.

A Nexans anunciou em 7 de janeiro de 2026 que havia concluído com sucesso a instalação do cabo submarino de alta tensão do projeto Tyrrhenian Link. O recorde mundial foi atingido no mês anterior, em dezembro de 2025, e a etapa final da execução offshore terminou em 1º de janeiro de 2026, data em que foi encerrada a segunda operação de instalação do trecho submarino.

Esse momento teve peso especial porque representou o fechamento de todas as atividades de instalação do cabo de alta tensão sob responsabilidade da empresa no trecho ocidental do empreendimento. Na prática, a operação selou um avanço concreto de uma infraestrutura pensada para reforçar a rede elétrica nacional italiana e ampliar a robustez da transmissão entre áreas estratégicas do país.

Os números por trás da operação ajudam a dimensionar o tamanho do projeto

O dado mais chamativo foi a profundidade de 2.150 metros, um patamar que estabeleceu novo recorde mundial para um cabo submarino de energia em corrente contínua de alta tensão. Em projetos desse porte, a profundidade não é apenas um número de impacto. Ela define o grau de dificuldade de toda a operação, desde a preparação da rota até o comportamento do cabo no leito marinho.

O trecho ocidental do Tyrrhenian Link, sob responsabilidade da Nexans, reúne cerca de 480 quilômetros de cabo submarino em águas profundas, instalados em duas campanhas offshore, uma de aproximadamente 200 quilômetros e outra de cerca de 280 quilômetros. Considerando o projeto completo, o Tyrrhenian Link é formado por duas conexões submarinas HVDC de 500 kV, cada uma com cerca de 970 quilômetros de extensão, e capacidade total de transmissão de 1.000 MW.

A parte mais impressionante não foi só a profundidade, mas a precisão exigida no fundo do mar

O aspecto mais curioso da obra está no contraste entre escala e delicadeza. Instalar um cabo submarino a mais de dois mil metros de profundidade exige uma combinação rara de engenharia, planejamento de rota, fabricação especializada e controle operacional da embarcação responsável pela missão, o Nexans Aurora.

Segundo a própria companhia, alcançar esse resultado em um sistema HVDC de 500 kV exigiu disciplina extrema em cada fase do processo. Em vez de uma simples operação de lançamento, o projeto envolveu um encadeamento técnico altamente controlado para garantir que o cabo fosse instalado com segurança, estabilidade e precisão em um cenário onde qualquer desvio pode comprometer toda a infraestrutura.

Por que essa ligação entre Sardenha e Sicília importa para a Itália

O Tyrrhenian Link não foi concebido apenas como uma obra de engenharia de alto nível. Ele tem função estratégica para a transmissão elétrica italiana. Ao conectar pontos de ancoragem em Terra Mala, na Sardenha, e Fiumetorto, na Sicília, o sistema fortalece a malha nacional de energia e amplia a capacidade de transferência elétrica entre regiões relevantes do país.

Na avaliação da Terna, o marco demonstra a capacidade de enfrentar desafios tecnológicos altamente complexos e de entregar infraestrutura voltada para estabilidade, segurança e adequação do sistema elétrico italiano. Em um cenário em que redes nacionais precisam ser mais resilientes e eficientes, esse tipo de interligação ganha peso não apenas técnico, mas também econômico e estratégico.

O projeto amplia a disputa global por infraestrutura energética cada vez mais complexa

O recorde alcançado pela Nexans também revela um movimento maior no setor de energia: a corrida por projetos submarinos mais robustos, mais profundos e mais sofisticados. Interconexões em corrente contínua de alta tensão se tornaram peças centrais para países que buscam reforçar redes nacionais, integrar territórios e aumentar a confiabilidade do fornecimento em sistemas elétricos cada vez mais exigidos.

Nesse contexto, a Itália aparece como palco de uma obra que combina profundidade extrema, longa distância e alta capacidade de transmissão. Para a Nexans, o resultado reforça sua posição em projetos complexos de HVDC em águas profundas. Para o mercado, o caso mostra que a infraestrutura elétrica do futuro passa cada vez mais por soluções submarinas de grande escala, executadas com rigor operacional e alto grau de especialização.

O que esse marco revela sobre o futuro dos cabos submarinos de energia

A conclusão da fase de instalação submarina do Tyrrhenian Link deixa uma mensagem clara: o cabo submarino deixou de ser apenas um elemento de conexão e passou a ocupar papel central nas estratégias de expansão e modernização das redes elétricas. Quando uma operação desse tipo atinge 2.150 metros de profundidade e fecha uma ligação de 500 kV entre ilhas estratégicas, o impacto vai além do recorde.

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Carla Teles

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