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Busca por petróleo deve continuar crescendo até 2050, podendo comprometer metas climáticas globais

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 12/11/2025 às 09:22
Atualizado em 12/11/2025 às 09:23
Relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo global de petróleo e gás seguirá em alta até 2050, impulsionado por políticas atuais e não por metas climáticas, colocando em risco o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo global de petróleo e gás seguirá em alta até 2050, impulsionado por políticas atuais e não por metas climáticas, colocando em risco o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
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Relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) projeta que o consumo global de petróleo e gás seguirá em alta até 2050, impulsionado por políticas atuais e não por metas climáticas, colocando em risco o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C.

A Agência Internacional de Energia (IEA) divulgou um novo relatório nesta quarta-feira afirmando que a demanda mundial por petróleo e gás deve continuar crescendo até 2050, contrariando as expectativas de uma rápida transição energética e de uma redução significativa no uso de combustíveis fósseis.

Diferente das projeções feitas nos últimos anos, o documento World Energy Outlook da IEA indica que o planeta ainda está longe de atingir as metas do Acordo de Paris, mesmo com os esforços de países e empresas para investir em energias limpas.

De acordo com a agência, as previsões mais recentes levam em conta as políticas energéticas efetivamente em vigor, e não as aspirações ou promessas feitas em fóruns internacionais. Assim, o consumo de petróleo deve atingir 113 milhões de barris por dia até meados do século, um salto de 13% em relação aos níveis de 2024.

A influência das políticas governamentais na curva de demanda

Embora a IEA tenha sido uma das principais vozes a defender a descarbonização global, o relatório de 2025 marca uma inflexão. O órgão destaca que a demanda por energia crescerá em 90 exajoules até 2035, o que representa um aumento de cerca de 15% em relação ao consumo atual.

A IEA explicou que este cenário reflete a implementação das políticas já existentes, sem considerar novas medidas ambientais ou restrições mais rígidas. Ou seja, caso o mundo mantenha o ritmo atual, a curva de demanda por petróleo e gás continuará ascendente por pelo menos mais duas décadas.

O texto também menciona que as metas climáticas declaradas por diversos países ainda não possuem planos detalhados para o período de 2031 a 2035, o que dificulta qualquer previsão realista de desaceleração do uso de petróleo.

Tensões políticas e a disputa pelo protagonismo energético

As análises da IEA são amplamente utilizadas por governos e empresas para definir políticas de energia e investimentos. No entanto, a agência enfrenta pressões políticas de diferentes governos, especialmente dos Estados Unidos.

Durante o governo Donald Trump, houve incentivo à expansão da produção de petróleo e gás, e críticas diretas às previsões da IEA que apontavam para o pico da demanda ainda nesta década. O ex-secretário de Energia, Chris Wright, chegou a chamar as projeções de “absurdas”.

Sob o mandato de Joe Biden, a agência adotou uma postura mais voltada à transição energética e à energia limpa, mas o novo relatório sugere que o ritmo global de mudanças ainda é insuficiente.

A IEA reforça que seus cenários não devem ser interpretados como previsões absolutas, mas como projeções condicionadas ao comportamento político e econômico dos países membros — sendo os EUA, aliás, o maior contribuinte financeiro da entidade.

Expansão da capacidade de gás natural liquefeito (GNL)

Um dos pontos de destaque do relatório é o crescimento expressivo da capacidade global de exportação de gás natural liquefeito (GNL).

Segundo a IEA, novos investimentos devem adicionar cerca de 300 bilhões de metros cúbicos de capacidade anual de GNL até 2030, o que representa um aumento de 50% na oferta atual.

Com base nas políticas em vigor, o mercado global de GNL passará de 560 bilhões de metros cúbicos (bcm) em 2024 para 880 bcm em 2035, alcançando 1.020 bcm em 2050. Esse avanço será impulsionado, sobretudo, pelo crescimento de setores intensivos em energia, como os data centers e as aplicações em inteligência artificial, que exigem fornecimento estável e contínuo.

Para a IEA, esse crescimento evidencia a dependência persistente do gás natural como “ponte energética”, mesmo diante do aumento da capacidade de geração renovável.

Cenário climático preocupante e risco de aquecimento acima de 1,5°C

Além dos números de demanda, o relatório da IEA traz um alerta contundente: o planeta ultrapassará o limite de 1,5°C de aquecimento global em todos os cenários analisados, exceto no mais otimista, que prevê emissões líquidas zero até 2050.

O documento reforça que, para limitar o aquecimento, será essencial o desenvolvimento de tecnologias de captura e remoção de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera — algo ainda incipiente e caro.

Mais de 190 países assumiram o compromisso de conter o aquecimento durante o Acordo de Paris, em 2015. No entanto, a falta de coordenação e a dependência contínua do petróleo como fonte primária de energia colocam em risco esse objetivo global.

O papel do petróleo em uma transição energética ainda lenta

Mesmo com o avanço das energias renováveis e da eletrificação, a IEA reconhece que o petróleo continuará desempenhando um papel central nas próximas décadas. O crescimento econômico de países emergentes, a necessidade de energia para alimentar a revolução digital e as limitações técnicas das fontes limpas impedem uma redução acelerada do consumo.

Assim, a era do petróleo parece longe do fim — e as decisões tomadas nos próximos anos definirão se o mundo caminhará para uma transição energética equilibrada ou para uma crise climática sem precedentes.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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