Bunge decide fechar fábrica de amônia e tiossulfato de amônio na Argentina após identificar limitações tecnológicas e mudanças nas condições de mercado.
A Bunge decidiu interromper as atividades industriais de sua fábrica em Campana, na província de Buenos Aires, na Argentina, onde eram produzidos dois insumos destinados à fabricação de fertilizantes: amônia e tiossulfato de amônio. A decisão foi tomada após uma avaliação das alternativas para a continuidade da operação, que enfrenta problemas de viabilidade econômica, conforme informou a multinacional.
Com mais de 50 anos, a planta apresenta limitações de infraestrutura e tecnologia que, somadas às mudanças nas condições de mercado e no abastecimento de matérias-primas, pesaram na decisão da companhia. Apesar do fechamento, a Bunge informou que a medida não afetará suas demais atividades no território argentino.
Bunge aponta fatores econômicos para encerrar operação industrial
A decisão de desativar a produção em Campana foi resultado de uma análise das possibilidades operacionais e comerciais disponíveis para a unidade. De acordo com a Bunge, a continuidade das atividades tornou-se economicamente inviável diante de uma combinação de fatores relacionados à estrutura da fábrica e às condições do setor.
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Entre os problemas apresentados pela companhia estão as limitações tecnológicas de uma instalação com mais de cinco décadas e as alterações no fornecimento dos insumos necessários à produção. As condições de mercado também foram consideradas na avaliação que levou ao encerramento das operações industriais.
Em nota enviada ao g1, a multinacional esclareceu que o fechamento se limita à unidade de Campana e não representa uma mudança nas demais atividades que mantém na Argentina. A empresa também afirmou que pretende continuar destinando investimentos à infraestrutura e aos ativos produtivos voltados ao processamento de matérias-primas agrícolas no país.
Unidade produzia componentes utilizados em fertilizantes agrícolas
A fábrica de Campana atuava no fornecimento de substâncias empregadas pela indústria de fertilizantes, entre elas a amônia, utilizada na fabricação de produtos nitrogenados, como a ureia. Esse tipo de fertilizante é aplicado em diferentes culturas agrícolas, incluindo arroz, milho, cevada e trigo.

O outro produto fabricado na unidade era o tiossulfato de amônio, empregado na composição de fertilizantes líquidos. Sua utilização permite fornecer nitrogênio e enxofre, dois nutrientes importantes para o desenvolvimento das plantas.
Com a decisão da Bunge, a unidade deixará de produzir essas duas matérias-primas, encerrando uma atividade industrial que fazia parte da cadeia de fornecimento de insumos para a agricultura.
Cooperativa argentina participava da produção da fábrica
Além da atuação da Bunge, a operação em Campana contava com a participação da Associação de Cooperativas Argentinas (ACA). Conforme informações publicadas pelo jornal argentino La Nación, a entidade respondia por uma parcela equivalente a 17,5% da produção da unidade.
A participação da cooperativa integrava a estrutura produtiva da fábrica que será desativada. A decisão anunciada pela Bunge, entretanto, está relacionada à avaliação econômica da operação, considerando tanto as condições das instalações quanto as mudanças enfrentadas no mercado e no abastecimento de insumos.
Companhia prevê apoio aos trabalhadores afetados pelo fechamento
O encerramento das atividades também envolve os funcionários vinculados à unidade argentina. Em seu posicionamento, a Bunge afirmou que pretende conduzir o processo com respeito aos profissionais afetados, oferecendo informações e apoio, além de cumprir as obrigações correspondentes.
A companhia não apresentou, na fonte consultada, detalhes sobre a quantidade de trabalhadores atingidos ou um calendário para a finalização do processo.
Embora deixe de operar a fábrica de Campana, a multinacional mantém sua atuação em diferentes segmentos do agronegócio, desde a compra e o processamento de grãos até a fabricação de alimentos e ingredientes industriais.
No Brasil, a Bunge comercializa produtos como os óleos Soya e as farinhas Rosa Branca, além de processar soja para obter farelo destinado à alimentação animal e matérias-primas utilizadas nas indústrias de alimentos e biocombustíveis.
