Grandes indústrias do Norte de Santa Catarina disputam mão de obra com reajustes salariais, ampliação de benefícios e recrutamento fora do estado. Britânia, Tupy e ArcelorMittal anunciaram feirões e novos pacotes para preencher vagas em Joinville e São Bento do Sul, em um cenário de geração recorde de empregos no estado em 2026.
Em maio de 2026, três das maiores indústrias instaladas no Norte de Santa Catarina, Britânia, Tupy e ArcelorMittal, anunciaram em sequência novos feirões de empregos, com reajustes salariais e ampliação de pacotes de benefícios em uma disputa aberta por mão de obra qualificada e operacional. As medidas foram divulgadas em entrevistas concedidas pelas empresas ao portal ND Mais entre 13 e 19 de maio, em meio ao maior aquecimento do mercado de trabalho catarinense já registrado em um primeiro trimestre, segundo dados oficiais do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados em 29 de abril pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O movimento aparece como resposta direta a um quadro inédito de escassez de profissionais na região. Em março de 2026, Joinville foi o município catarinense com maior saldo de empregos formais, com 2.495 novas vagas com carteira assinada, segundo o Caged. No mesmo mês, a indústria catarinense gerou 5.525 postos de trabalho, o segundo melhor desempenho do país. Para preencher esse contingente, as grandes empresas precisam disputar trabalhadores entre si, oferecer salários acima da média e ir buscar mão de obra em outros estados, como fez a Tupy, que recrutou candidatos em Belém, no Pará, para trabalhar em Joinville.
Como a Britânia se posicionou na disputa por mão de obra em Joinville

A Britânia, fabricante de eletroeletrônicos com fábrica em Joinville, abriu 150 vagas efetivas para os cargos de Operador de Produção I e Operador de Depósito I, sem exigência de experiência anterior. O salário inicial passou para R$ 2.156 e pode chegar a R$ 2.782 após o período de experiência, considerando os benefícios variáveis incluídos no pacote. O próximo feirão de contratações ocorre entre os dias 20 e 22 de maio de 2026, na fábrica da empresa, na rua Vergilio Prochnow, 200, em Joinville.
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O pacote de benefícios é parte central da estratégia. A Britânia oferece cartão alimentação sem desconto em folha, bônus por assiduidade e produtividade, transporte fretado, plano de saúde, plano odontológico, participação nos lucros e descontos em produtos da marca. Para uma vaga operacional sem exigência de experiência, esse conjunto de benefícios é considerado acima da média regional e tem sido apontado pela própria empresa como diferencial para atrair candidatos em um mercado com oferta menor do que a demanda.
Tupy busca trabalhadores no Pará para reforçar a operação em SC

A multinacional Tupy, com sede em Joinville e operações industriais em várias unidades pelo país, foi a empresa que mais chamou atenção pela estratégia de captação. A companhia realizou um processo seletivo em Belém, no Pará, para contratar trabalhadores destinados à unidade catarinense. As vagas oferecidas pagavam salários de até R$ 3,3 mil, também sem exigência de experiência anterior, em um sinal claro do tamanho da escassez de mão de obra na região.
Para convencer candidatos a deixar o Pará e se mudar para Santa Catarina, a Tupy montou um pacote completo de relocação. A empresa ofereceu ajuda de custo para deslocamento, moradia paga no primeiro mês e auxílio aluguel nos meses seguintes, além de benefícios já tradicionais como plano de saúde, refeição no local, transporte fretado e participação nos lucros. Em nota ao ND Mais, a companhia afirmou que o recrutamento no Pará faz parte de várias frentes de contratação ativas em paralelo e que a seleção permanente segue funcionando também na sede, em Joinville, com foco em preencher vagas abertas no curto prazo.
ArcelorMittal Tuper amplia salários e pacote em São Bento do Sul

A unidade Tuper da ArcelorMittal, em São Bento do Sul, anunciou mais de 100 vagas abertas nas áreas de produção e logística. O destaque do novo feirão de entrevistas foi a atualização salarial para R$ 2.784, valor considerado acima da média para funções operacionais da região do Planalto Norte catarinense. A movimentação reforça a tendência de reajustes na base operacional da indústria pesada, com efeito direto sobre o custo de produção e o equilíbrio com os preços praticados pelo setor.
O pacote de benefícios da unidade inclui vale-transporte gratuito, plano de saúde, convênio odontológico, restaurante interno, seguro de vida, associação recreativa e trilhas de carreira. Esse último item, voltado ao desenvolvimento profissional dentro da empresa, vem sendo apontado por especialistas em recursos humanos como diferencial relevante na disputa por mão de obra industrial, especialmente entre jovens trabalhadores que pesam perspectivas de crescimento na hora de aceitar uma vaga em chão de fábrica.
O que os dados do Caged mostram sobre o mercado de trabalho em SC
Os números explicam por que as empresas estão tão ativas na captação. Santa Catarina encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 59.396 novos empregos formais, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego em 29 de abril. O resultado coloca o estado na terceira posição nacional, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. Em termos percentuais, o crescimento acumulado catarinense foi de 2,26%, superando a média nacional de 1,27% e a média da Região Sul, de 1,85%.
O setor industrial é o principal motor desse desempenho. Em março de 2026, a indústria catarinense gerou 5.525 postos de trabalho, o segundo melhor saldo do país, atrás apenas de São Paulo. Dentro desse total, a indústria de transformação respondeu por 5.718 contratações líquidas, o que significa que uma em cada quatro novas vagas do segmento no país foi aberta em solo catarinense. Esse adensamento explica a corrida por trabalhadores qualificados e a pressão sobre as folhas de pagamento das grandes empresas instaladas em Joinville e em São Bento do Sul.
Por que o Norte catarinense lidera a corrida por mão de obra
O Norte de Santa Catarina concentra grandes parques industriais de metalurgia, plásticos, eletroeletrônicos, automotivos e bens de consumo. Joinville sozinha responde por uma fatia relevante do PIB industrial do estado e abriga sedes ou unidades de empresas como Embraco, Tigre, Wetzel, Schulz, além de Britânia, Tupy e a própria ArcelorMittal Tuper. Essa densidade industrial cria uma demanda concentrada por mão de obra que pressiona toda a cadeia, do operador de produção ao engenheiro especializado.
São Bento do Sul, por sua vez, é tradicionalmente reconhecida pelo polo moveleiro e pela siderurgia, com a Tuper como uma das maiores empregadoras locais. A cidade vem registrando, segundo a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina, sinais de aquecimento similares aos de Joinville, o que ajuda a explicar por que o reajuste salarial chegou ao patamar de R$ 2.784. Em um mercado com baixo desemprego, atrair mão de obra significa pagar mais e oferecer mais benefícios do que o concorrente do mesmo polo industrial.
O que esperar dos próximos meses no mercado de trabalho catarinense
A expectativa de especialistas em recursos humanos e de entidades empresariais é que essa disputa continue ao longo de 2026. Com a indústria nacional reaquecendo, as cadeias de fornecimento exigindo mais produção local e o setor automotivo brasileiro em transformação, a pressão sobre o mercado de trabalho do Norte catarinense deve seguir alta. Para os trabalhadores, esse cenário tende a se traduzir em mais ofertas de emprego, salários reajustados e pacotes de benefícios cada vez mais robustos.
Para as empresas, no entanto, o desafio é maior do que apenas contratar. É preciso manter os funcionários por mais tempo na operação, evitar o turnover e investir em qualificação para preparar mão de obra própria, sem depender exclusivamente do mercado. Programas de aprendizagem industrial, parcerias com o Senai e iniciativas de qualificação interna devem se intensificar nos próximos meses, em um esforço para reduzir a dependência de recrutamento externo e estabilizar a folha de pagamento em patamares previsíveis.
O Norte de Santa Catarina vive um momento raro no mercado de trabalho brasileiro: indústrias gigantes brigando entre si para conquistar trabalhadores, ao mesmo tempo em que precisam manter competitividade global. Para o trabalhador catarinense ou para quem está disposto a se mudar, a janela é positiva, com salários, benefícios e perspectivas em alta. Para as empresas, o desafio será segurar essas pessoas no longo prazo, evitando que o próprio concorrente do parque industrial leve a equipe na próxima rodada de reajustes.
Você ou alguém que conhece já considerou se mudar para Santa Catarina para trabalhar em uma indústria como Britânia, Tupy ou ArcelorMittal? Acha que o pacote de salário e benefícios oferecido vale a relocação? Deixe seu comentário, conte sua experiência com vagas no Norte catarinense e compartilhe a matéria com quem está em busca de uma nova oportunidade de trabalho em chão de fábrica.

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