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Brasileiro encara adoção solo, acolhe dois irmãos juntos e transforma anos de aproximação no sonho de se tornar pai

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 03/09/2026 às 21:01
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A relação começou quando Éverton Monteiro ajudou Keven, então adolescente acolhido, a acessar um curso e avançou pelo apadrinhamento afetivo. Com a entrada de Daniel na convivência, os irmãos permaneceram juntos e a aproximação terminou na formação jurídica de uma nova família.

Éverton Monteiro não se aproximou de Keven com um projeto de adoção. A relação nasceu de uma ajuda ligada aos estudos, avançou para o apadrinhamento afetivo e passou a incluir Daniel, irmão mais novo do adolescente, até que a convivência levou o guia turístico a decidir assumir a paternidade dos dois.

A trajetória foi relatada pelo Correio do Povo, em uma reportagem sobre homens que exercem a paternidade sem cônjuge. No caso de Éverton, a família foi construída gradualmente, a partir de uma relação que inicialmente não tinha a adoção como objetivo.

Quando as restrições da pandemia afetaram o turismo, área em que trabalhava em Porto Alegre, Éverton também passou pela educação e chegou à direção de uma escola em Canoas, na Região Metropolitana. Foi nesse ambiente que conheceu a situação de Keven, então com 14 anos e morador de uma instituição de acolhimento.

O adolescente queria frequentar um curso ligado a Jogos Digitais oferecido pela escola, mas não tinha condições financeiras de arcar com o custo. Éverton procurou apoio entre pessoas ligadas à instituição de ensino e conseguiu viabilizar uma bolsa parcial para que ele pudesse estudar.

Do apoio aos estudos ao apadrinhamento dos irmãos

A ajuda educacional abriu espaço para uma relação além da escola. À medida que a convivência se fortaleceu, a instituição de acolhimento apresentou a Éverton a possibilidade de participar de um programa de apadrinhamento afetivo, e Keven passou a frequentar sua casa nos fins de semana.

O Conselho Nacional de Justiça explica que o apadrinhamento afetivo permite a construção de vínculos entre crianças ou adolescentes acolhidos e pessoas da comunidade, inclusive por meio de passeios e períodos de convivência fora da instituição. A modalidade, porém, não corresponde por si só a uma adoção.

Passeios, conversas e atividades de fim de semana tornaram-se parte da rotina de Keven e Éverton. A relação ainda estava vinculada ao apadrinhamento quando Daniel conheceu o guia turístico durante uma visita à instituição e manifestou vontade de participar das atividades feitas pelo irmão mais velho.

Daniel tinha 11 anos. Éverton iniciou os procedimentos necessários para incluí-lo no apadrinhamento, e a convivência passou a envolver os dois irmãos, preservando a relação entre eles enquanto o vínculo com o futuro pai se ampliava.

A dinâmica mudou quando períodos previstos apenas como visitas começaram a se prolongar. Durante as festas de fim de ano, Keven e Daniel deveriam passar parte do tempo com uma familiar e outra parte na casa de Éverton, mas pediram para permanecer mais tempo com ele.

Os irmãos continuaram na residência por semanas. Quando a instituição solicitou que retornassem para uma etapa de readaptação, Éverton já havia amadurecido uma decisão diferente daquela que orientara os primeiros encontros: queria assumir de forma permanente a responsabilidade pelos dois.

O processo judicial teve início enquanto Keven e Daniel permaneciam com ele e frequentavam uma escola municipal próxima. Durante essa etapa, a Justiça determinou uma experiência familiar de 90 dias, período destinado à convivência antes da definição da guarda.

A rotina passou a envolver responsabilidades que não faziam parte dos encontros de fim de semana, como horários, acompanhamento escolar, regras domésticas e decisões cotidianas. Éverton começou a exercer a função paterna quando os dois filhos já tinham experiências, referências e personalidades formadas ao longo da infância e da adolescência.

A guarda provisória foi concedida em julho de 2022. O processo foi concluído em março de 2023, cerca de três anos depois da primeira aproximação com Keven, iniciada quando Éverton buscou uma maneira de ajudá-lo a continuar os estudos.

Paternidade começou com os filhos já crescidos

A idade dos irmãos fez com que algumas etapas normalmente separadas por muitos anos acontecessem em um intervalo menor. Keven já estava na adolescência quando conheceu Éverton, enquanto Daniel também havia vivido parte significativa da infância antes de passar a integrar a rotina da nova casa.

Pouco depois de começar a exercer a paternidade de forma permanente, Éverton precisou acompanhar a entrada do filho mais velho na vida adulta. Keven tem 19 anos e tornou-se soldado da Polícia do Exército, enquanto Daniel, aos 16, continua atravessando a adolescência.

Essa diferença de idade mantém o pai diante de necessidades distintas dentro da mesma casa, desde decisões relacionadas à autonomia de um jovem adulto até responsabilidades próprias da criação de um adolescente. Éverton também retomou as atividades ligadas ao turismo e passou a conciliá-las com a rotina familiar.

A experiência integra um grupo pouco numeroso entre os arranjos familiares brasileiros. Dados do Censo Demográfico de 2022 citados pelo Correio do Povo indicam que homens sem cônjuge e com filhos representavam 2% das famílias do país, acima dos 1,8% registrados em 2010 e dos 1,5% observados em 2000.

No Rio Grande do Sul, o Tribunal de Justiça informou ao jornal que havia 53 homens habilitados individualmente como pretendentes à adoção no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento no período considerado pela reportagem. O dado contabiliza candidatos habilitados e não permite determinar quantas adoções resultaram efetivamente em famílias monoparentais masculinas.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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