O Fujian é um porta-aviões chinês de até 85 mil toneladas, 316 metros e três catapultas eletromagnéticas para lançar diferentes tipos de aeronaves.
Com aproximadamente 316 metros de comprimento e deslocamento estimado de até 85 mil toneladas, o Fujian funciona como uma enorme base aérea móvel capaz de transportar dezenas de aeronaves pelo oceano. O terceiro porta-aviões da China também introduziu uma novidade inédita para a Marinha do país: em vez de depender de uma rampa inclinada para colocar os caças no ar, utiliza três catapultas eletromagnéticas instaladas no convés.
O tamanho impressiona, mas é a maneira como as aeronaves operam que diferencia o navio de seus antecessores chineses. O Fujian foi concebido para trabalhar no padrão CATOBAR, com decolagens assistidas por catapulta e pousos auxiliados por sistemas de retenção. Essa arquitetura permite uma operação aérea diferente daquela utilizada no Liaoning e no Shandong.
Fujian tem quase o comprimento de três campos de futebol
Os números ajudam a visualizar as dimensões do porta-aviões. O casco tem cerca de 316 metros de comprimento, medida equivalente a quase três campos de futebol colocados em sequência, considerando aproximadamente 105 metros para cada gramado.
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A largura máxima estimada chega a 76 metros. Já o deslocamento a plena carga fica entre 80 mil e 85 mil toneladas, colocando o Fujian entre os maiores navios militares em operação.
Grande parte desse espaço é destinada à aviação embarcada. Além do convés superior, o navio possui hangar interno e dois elevadores no lado de estibordo para movimentar aeronaves entre os diferentes níveis.
Essa estrutura permite retirar um avião do hangar, levá-lo ao convés e prepará-lo para uma missão sem depender exclusivamente das áreas externas.

Três catapultas fazem os caças ganhar velocidade antes do fim do convés
Uma das características mais curiosas do Fujian está na proa. Ali foram instaladas três catapultas eletromagnéticas, responsáveis por acelerar as aeronaves durante a corrida de decolagem.
A solução elimina a necessidade da grande rampa utilizada nos dois porta-aviões chineses anteriores. No Liaoning e no Shandong, o avião utiliza seus próprios motores e a inclinação na extremidade do convés para ganhar altura.
No Fujian, parte desse trabalho fica a cargo da catapulta. O sistema fornece aceleração adicional antes de a aeronave deixar o navio, permitindo operações que não dependem da configuração STOBAR utilizada anteriormente pela China.
Sistema elétrico utiliza corrente contínua de média tensão
As catapultas do Fujian são alimentadas por uma arquitetura integrada baseada em corrente contínua de média tensão, conhecida pela sigla MVDC.
O Fujian incorporou uma tecnologia de lançamento que até então não existia nos porta-aviões chineses. Isso exigiu mudanças tanto na infraestrutura do navio quanto nas aeronaves preparadas para operar a bordo.

J-35 participou dos testes de lançamento
Entre os modelos associados ao Fujian está o J-35, caça furtivo desenvolvido para operações embarcadas. Imagens divulgadas pela mídia estatal chinesa em setembro de 2025 mostraram a aeronave participando de testes de lançamento com a catapulta eletromagnética.
O episódio foi apresentado pelas fontes chinesas como um marco para a operação de caças de quinta geração a partir desse tipo de sistema.
Outra aeronave preparada para o mesmo método de decolagem é o J-15T. O KJ-600, voltado ao alerta aéreo antecipado e ao controle, também apareceu nos testes relacionados ao navio.
Mais de 50 aeronaves podem formar a ala aérea
A capacidade estimada inclui pelo menos 40 aeronaves de asa fixa e aproximadamente 12 helicópteros. Esse número pode variar conforme a composição escolhida para determinada missão.
O grupo aéreo previsto inclui funções bastante diferentes. O J-15DT atua em guerra eletrônica, enquanto o KJ-600 tem papel de vigilância e coordenação aérea.
Já helicópteros da família HZ-20 aparecem vinculados a tarefas utilitárias. O J-35, por sua vez, representa a presença de um caça furtivo dentro da ala aérea embarcada.
Essa variedade ajuda a transformar o Fujian em algo maior do que uma plataforma de lançamento de caças. O navio precisa coordenar missões de combate, suporte, vigilância e controle aéreo a partir de um único convés.

A decolagem por catapulta chama mais atenção visualmente, mas o pouso também depende de um sistema complexo. O Fujian possui pista de pouso angulada, solução utilizada para separar a área de recuperação das aeronaves de outras partes do convés.
Depois de tocar a pista, o avião precisa perder velocidade rapidamente. Para isso, utiliza equipamentos de retenção projetados para absorver a energia da aeronave em uma distância muito menor do que seria necessária em um aeroporto convencional. Esse conjunto faz parte da lógica CATOBAR adotada pelo navio.
Fujian não usa propulsão nuclear
Apesar do porte e da sofisticação das catapultas, o porta-aviões chinês utiliza propulsão convencional. O sistema é com oito caldeiras e quatro turbinas a vapor, além de geradores a diesel. A transmissão da potência para a água ocorre por quatro eixos.
A velocidade máxima estimada chega a 30 nós, aproximadamente 55 km/h. Para uma embarcação com dezenas de milhares de toneladas, trata-se de uma velocidade elevada. O alcance fica entre 8 mil e 10 mil milhas náuticas, dependendo das condições de navegação e do perfil operacional.
O Fujian foi lançado ao mar em 17 de junho de 2022, no estaleiro Jiangnan. Os testes marítimos começaram em maio de 2024 e avançaram por diferentes etapas antes da incorporação definitiva. No fim de 2024, fotografias feitas após uma das saídas mostraram marcas de pneus no convés, levantando a hipótese de que operações com aeronaves reais já estivessem em curso.
Em 2025, os ensaios avançaram até envolver aeronaves embarcadas e lançamentos por catapulta. O processo culminou na entrada formal do navio em serviço. A incorporação ocorreu em Sanya, na ilha de Hainan, em 5 de novembro de 2025, com a presença de Xi Jinping.
A principal diferença do Fujian em relação aos dois porta-aviões anteriores da China está menos no tamanho isolado e mais na arquitetura de operação aérea.
Liaoning e Shandong utilizam rampas inclinadas para auxiliar a decolagem. O Tipo 003 substituiu esse conceito por catapultas eletromagnéticas e passou a permitir uma configuração diferente de aeronaves embarcadas.
Com mais de 300 metros de comprimento, dezenas de aviões e helicópteros, pista angulada, hangar interno e três catapultas, o Fujian reúne características de uma base aérea capaz de se deslocar pelo oceano.
É justamente essa combinação que torna o navio uma das construções militares mais complexas já produzidas pela China. O porta-aviões não chama a atenção apenas pelas até 85 mil toneladas, mas pelo desafio de fazer dezenas de aeronaves decolarem, pousarem, serem armazenadas e novamente preparadas para o voo em uma plataforma que permanece em movimento sobre o mar.

