Resolução aprovada em Washington expõe divisão entre republicanos e reacende esperanças de acordo com o governo brasileiro
O Senado dos Estados Unidos aprovou na noite de 28 de outubro de 2025 uma resolução que revoga as tarifas impostas por Donald Trump ao Brasil, atingindo produtos como petróleo, café e suco de laranja.
A votação terminou em 52 votos a favor e 48 contra, revelando divisão interna entre republicanos. Mesmo com o resultado, o texto ainda enfrenta obstáculos na Câmara dos Representantes, sob controle conservador.
Senado desafia Trump e coloca tarifas em xeque
A proposta foi apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, da Virgínia, e anula o estado de emergência nacional usado por Trump desde agosto para aplicar tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros.
O movimento tem caráter simbólico, mas expõe insatisfação crescente dentro do Congresso.
A liderança republicana da Câmara pretende barrar o texto, e Trump já indicou que poderá vetá-lo.
Durante a votação, cinco senadores republicanos — Susan Collins (Maine), Mitch McConnell (Kentucky), Lisa Murkowski (Alasca), Rand Paul (Kentucky) e Thom Tillis (Carolina do Norte) — romperam com a base trumpista e apoiaram a revogação das tarifas.
Economia em foco e divisões internas no Congresso
Para Tim Kaine, a votação destaca os efeitos negativos das tarifas na economia americana. Ele afirmou que as medidas aumentam a inflação e reduzem o crescimento.
O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) confirmou, em setembro de 2025, que as tarifas elevaram custos de produção e reduziram o consumo nos Estados Unidos.
Mesmo assim, Trump mantém o discurso protecionista, dizendo que as taxas fortalecem a indústria nacional.
O resultado no Senado revela o enfraquecimento da unidade republicana e reacende o debate sobre a política econômica americana.
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Lula e Trump retomam o diálogo comercial
A votação coincidiu com a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos, após a reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 26 de outubro de 2025, em Washington.
Durante os 45 minutos de conversa, Lula enfatizou a importância do diálogo econômico. Ele disse: “Não queremos confusão, queremos resultado”.
Trump, por outro lado, foi cauteloso. Ele declarou: “A conversa foi muito boa, mas isso não garante um acordo imediato”.
No dia seguinte, 27 de outubro, Mauro Vieira, Márcio Rosa e Audo Faleiro lideraram a primeira rodada técnica de reuniões, focando nos setores mais afetados pelas tarifas.

Brasil cobra reciprocidade e equilíbrio comercial
Durante o encontro, o governo brasileiro questionou as justificativas americanas.
Lula entregou um relatório a Trump mostrando um superávit acumulado de US$ 410 bilhões dos Estados Unidos na balança comercial com o Brasil nos últimos 15 anos.
Ele destacou que, “no G20, apenas Brasil, Reino Unido e Austrália têm superávit com os EUA”.
A conversa foi cordial e objetiva, e os dois líderes manifestaram interesse em visitas oficiais, ainda sem data marcada.
Setores produtivos apostam em acordo e estabilidade
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Amcham Brasil consideraram o diálogo um avanço concreto e esperam um acordo tarifário em breve.
O vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin declarou que não existem temas proibidos nas negociações, mencionando etanol, açúcar e minerais estratégicos.
Ainda assim, analistas afirmam que, mesmo com o gesto do Senado, a resolução deve continuar travada na Câmara.
Enquanto isso, o Brasil mantém sua estratégia de ampliar o comércio com Washington, buscando equilíbrio entre diplomacia e resultados econômicos.
Diante desse cenário, será que o movimento simbólico do Senado americano abrirá caminho para um novo ciclo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos?
