1. Início
  2. / Economia
  3. / Brasil pode se tornar uma potência continental: disputa entre Trump e China, reaproximação diplomática dos EUA com o Brasil e nova ordem mundial criam a chance inédita do país assumir liderança geopolítica regional, diz especialista
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Brasil pode se tornar uma potência continental: disputa entre Trump e China, reaproximação diplomática dos EUA com o Brasil e nova ordem mundial criam a chance inédita do país assumir liderança geopolítica regional, diz especialista

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/12/2025 às 16:24
Assista o vídeoBrasil pode ampliar sua liderança geopolítica em meio à disputa EUA-China e à nova ordem mundial, segundo análise do economista José Kobori.
Brasil pode ampliar sua liderança geopolítica em meio à disputa EUA-China e à nova ordem mundial, segundo análise do economista José Kobori.
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

O cenário internacional citado por José Kobori em vídeo no YouTube revela disputas estratégicas entre Estados Unidos e China, além de movimentos diplomáticos que podem abrir ao Brasil uma rara oportunidade de ampliar sua influência geopolítica regional.

O Brasil pode se beneficiar de um cenário internacional em transformação e ampliar sua influência na América do Sul.

A avaliação foi feita pelo escritor e especialista em economia José Kobori, em vídeo publicado em seu canal no YouTube, ao analisar a disputa entre Estados Unidos e China e o impacto desse contexto na posição brasileira.

Segundo ele, a combinação entre a nova postura diplomática norte-americana, a estratégia chinesa de longo prazo e a reorganização global abre uma janela rara para o país reforçar seu peso geopolítico.

Relação EUA-China e impacto global

De acordo com Kobori, a relação entre Washington e Pequim passa por um momento de tensão controlada.

Ele lembrou que Donald Trump, ao reassumir o comando do governo norte-americano em seu segundo mandato, manteve o tom duro que marcou sua primeira passagem pela Casa Branca.

Ainda assim, os dois países retomaram conversas diretas após um período de rusgas públicas.

Como destacou o especialista, os presidentes se encontraram na Coreia do Sul numa reunião descrita como protocolar diante das câmeras, mas que teria sido marcada por “trocas bastante firmes” a portas fechadas.

Embora Trump adote um discurso mais agressivo, Kobori observou que a China reage com cautela.

Para ele, essa postura reflete um padrão tradicional da diplomacia chinesa, baseada na paciência e na resposta calculada.

Ele explicou que, muitas vezes, esse comportamento pode ser interpretado como sinal de fragilidade, mas funciona como estratégia em negociações prolongadas.

Na avaliação do especialista, mesmo com diferenças profundas, as duas potências tendem a buscar algum tipo de acomodação para evitar prejuízos globais.

Enquanto isso, países de porte médio ou menor observam os desdobramentos com apreensão.

Kobori ressaltou que, quando os maiores atores da economia internacional entram em confronto aberto, “o impacto costuma atingir primeiro os mais vulneráveis”.

Por outro lado, se Washington e Pequim firmarem um entendimento, há receio de que parte das nações emergentes fique em posição ainda mais frágil no tabuleiro global.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Oportunidade inédita para o Brasil

Nesse espaço de incerteza, o Brasil surge com uma oportunidade inédita, afirmou o economista.

Ele comparou o cenário atual à estratégia adotada por Getúlio Vargas antes da Segunda Guerra Mundial, quando o país usou a rivalidade entre potências para acelerar sua industrialização.

Conforme explicou, a diplomacia brasileira tenta novamente equilibrar interesses divergentes, aproximando-se dos Estados Unidos sem ignorar a importância da China como principal parceiro comercial.

Segundo Kobori, essa reaproximação ficou evidente nas negociações conduzidas pelo governo brasileiro.

Ele relatou que, nos bastidores, autoridades norte-americanas teriam reconhecido a relevância do Brasil para conter a influência chinesa no continente.

Em suas palavras, a mensagem enviada por diplomatas brasileiros aos EUA foi clara: pressionar o Brasil poderia aproximá-lo ainda mais da China.

Esse alerta teria contribuído para destravar o diálogo entre os dois países.

Além disso, Kobori destacou que o governo brasileiro tenta usar esse reposicionamento para ampliar sua margem de manobra.

Ele avalia que a ordem internacional vive um ponto de inflexão e que o equilíbrio de poder já não se assemelha ao período anterior à ascensão política de Trump nos Estados Unidos.

Embora o discurso do ex-presidente seja mais contundente, o especialista considera que a movimentação norte-americana em direção a um confronto estratégico com a China já vinha se desenhando de modo silencioso antes mesmo de 2016.

Nova ordem mundial e rearranjos de poder

Nesse contexto, a disputa entre potências deixou de ocorrer apenas nos bastidores, tornando-se visível ao público e forçando países como o Brasil a redefinir suas posições.

Kobori afirmou que o mundo ruma para uma configuração que muitos chamam de multipolar, embora, em sua visão, o cenário atual esteja mais próximo de um arranjo bipolar, com dois polos dominantes e grandes áreas de influência.

O especialista explicou ainda que a China vem consolidando alianças estratégicas com Rússia, Índia e países do Oriente Médio, região que alguns estudiosos classificam como Ásia Ocidental.

Ele mencionou que, após episódios de instabilidade envolvendo o Irã, Pequim intensificou sua aproximação com Moscou e Nova Délhi, reforçando um eixo que atravessa a Eurásia e muda o balanço global de poder.

Como lembrou, a Rússia tem território estendido entre Europa e Ásia, o que fortalece esse corredor geopolítico.

Brasil como polo regional de poder

Diante desse redesenho internacional, o Brasil aparece relativamente isolado do bloco euro-asiático, inserido numa região tradicionalmente vista como área de influência dos Estados Unidos.

Ainda assim, Kobori avaliou que o país reúne condições para desempenhar papel de liderança no continente sul-americano, caso consiga formular um projeto de longo prazo e articular interesses regionais.

Ele argumentou que essa postura permitiria ao país se tornar um “cluster de poder geopolítico”, contribuindo para um mundo mais equilibrado.

Por fim, o economista afirmou que o momento atual é histórico e exige estratégia.

Para ele, a capacidade de o Brasil aproveitar essa conjuntura pode definir o lugar que o país ocupará nas próximas décadas.

Com essa possibilidade, resta a pergunta: na sua opinião, o país conseguirá transformar essa oportunidade em liderança efetiva na América do Sul?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x