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Brasil mira 6G com metas de até 200 gigabits por segundo, mas quase um terço da população ainda estava fora da cobertura 5G no primeiro trimestre de 2026, segundo Anatel

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 17/10/2026 às 13:42 Atualizado em 17/10/2026 às 14:00
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Brasil pesquisa 6G com metas de até 200 Gbps, mas o 5G ainda cobria só 68% da população no primeiro trimestre de 2026, segundo a Anatel.
Brasil pesquisa 6G com metas de até 200 Gbps, mas o 5G ainda cobria só 68% da população no primeiro trimestre de 2026, segundo a Anatel.
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Pesquisas brasileiras já avançam para a próxima geração de redes móveis, cujos parâmetros internacionais estudam velocidades máximas entre 50 e 200 Gbps. Ao mesmo tempo, o país ainda convive com lacunas importantes na expansão do 5G.

O Brasil já se movimenta para participar do desenvolvimento do 6G, tecnologia móvel cuja chegada comercial é esperada pelo setor por volta de 2030. Universidades, centros de pesquisa, operadoras e empresas de telecomunicações trabalham em projetos que envolvem inteligência artificial, redes abertas, integração com satélites e novas aplicações industriais.

A corrida pela próxima geração, porém, começa antes de o país completar a implantação da atual. No primeiro trimestre de 2026, o sinal 5G alcançava 68% da população brasileira, segundo dados da Agência Nacional de Telecomunicações citados pela Veja. Isso deixava quase um terço dos brasileiros fora da cobertura.

O contraste aparece justamente quando o Brasil começa a discutir frequências que poderão servir às futuras redes 6G. Em outubro de 2026, a Anatel realizou a primeira de duas audiências públicas sobre um futuro leilão da faixa de 6 GHz, considerada uma das bandas que podem ser usadas na evolução das comunicações móveis.

6G poderá alcançar velocidades máximas de até 200 Gbps

O salto esperado em relação ao 5G é expressivo, embora os números ainda representem metas técnicas para a futura tecnologia, e não velocidades já disponíveis ao consumidor.

Os parâmetros da União Internacional de Telecomunicações, agência ligada às Nações Unidas responsável pela coordenação internacional do setor, apontam velocidades máximas entre 50 e 200 gigabits por segundo para o 6G.

A referência de velocidade máxima do 5G é de 20 gigabits por segundo.

Isso significa que, no limite técnico considerado para a nova geração, o 6G poderá alcançar desempenho entre 2,5 e dez vezes superior à referência atual.

Outro objetivo é reduzir ainda mais a latência, o intervalo necessário para os dados viajarem entre o aparelho e a rede.

Para o 6G, as metas mencionadas ficam entre 0,1 e 1 milissegundo, enquanto a referência do 5G é de aproximadamente 1 milissegundo.

Esses números, contudo, não significam que um celular comum necessariamente navegará a 200 Gbps. São parâmetros de desempenho máximo usados no desenvolvimento e na padronização internacional da tecnologia.

Inteligência artificial deverá fazer parte da própria rede

A evolução esperada não se limita a baixar arquivos mais rapidamente.

Uma das principais diferenças estudadas para o 6G é incorporar inteligência artificial à própria arquitetura das redes.

Em vez de a IA funcionar apenas nos aplicativos utilizados pelo consumidor, ela poderá ajudar a administrar a infraestrutura de telecomunicações.

A tecnologia poderá distribuir capacidade conforme a demanda, identificar padrões de uso e tornar a rede mais eficiente.

Samir Vani, diretor de desenvolvimento de negócios para a América Latina da fabricante de semicondutores MediaTek, afirmou à Veja que a inteligência artificial fará parte do 6G desde sua concepção.

As futuras redes também poderão atuar como sensores, utilizando os sinais para identificar movimentos e determinadas características do ambiente.

Satélites poderão trabalhar junto com antenas terrestres

Outra frente de pesquisa está na integração entre redes terrestres e satélites.

Hoje, a telefonia móvel depende principalmente de antenas instaladas em terra. Regiões remotas, estradas e áreas rurais podem apresentar grandes lacunas quando não existe infraestrutura suficiente.

No 6G, a expectativa é aproximar esses dois mundos.

Satélites poderão complementar as antenas terrestres e ampliar a cobertura para locais onde instalar uma rede convencional é difícil ou economicamente pouco atraente.

A integração é estudada como uma maneira de criar redes mais contínuas e menos dependentes da proximidade física de uma estação terrestre.

Esse modelo também pode ser importante para máquinas, sensores e equipamentos conectados que operam longe dos centros urbanos.

Robôs, veículos e cirurgias remotas estão entre as aplicações estudadas

Velocidade e baixa latência ampliam as possibilidades para sistemas que precisam transmitir e receber informações quase instantaneamente.

Entre as aplicações citadas estão robôs industriais, veículos autônomos, monitoramento ambiental, experiências digitais imersivas e procedimentos médicos realizados a distância.

No caso de um robô industrial, por exemplo, pequenas diferenças no tempo de resposta podem ser relevantes quando a máquina depende de comandos externos.

Veículos conectados também precisam trocar informações rapidamente com outros sistemas e com a infraestrutura ao redor.

Essas aplicações ainda são apresentadas como possibilidades em desenvolvimento. Não representam serviços 6G já disponíveis comercialmente.

Brasil tenta desenvolver tecnologia em vez de apenas importá-la

A participação brasileira na corrida pelo 6G não se limita à preparação das operadoras.

Existe uma tentativa de criar conhecimento e propriedade tecnológica dentro do país.

O Instituto Nacional de Telecomunicações, o Inatel, coordena o projeto Brasil 6G, apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações, CPQD, lançou em 2026 o projeto Era 6G, financiado por um fundo ligado ao Ministério das Comunicações.

O programa deverá durar três anos e pesquisar, entre outros pontos, o uso de inteligência artificial e de redes abertas.

A proposta das redes abertas é permitir a combinação de equipamentos de diferentes fornecedores, característica que pode reduzir custos de implantação e operação.

Gustavo Correa Lima, diretor de tecnologia e inovação do CPQD, resumiu o objetivo como fazer com que o Brasil não seja apenas consumidor, mas também produtor de tecnologia.

Vivo participa de dezenas de projetos relacionados ao 6G

As operadoras também acompanham a evolução da tecnologia.

A Vivo participa, por meio do Grupo Telefónica, de 35 projetos europeus de pesquisa ligados ao 6G.

Os estudos envolvem áreas como inteligência artificial, segurança e automação das redes.

Atila Branco, diretor de estratégia e evolução de redes da Vivo, afirmou que a expectativa é de que o 6G ultrapasse a simples ampliação da velocidade e resulte em redes mais inteligentes, eficientes e integradas ao ambiente físico.

Entre as áreas avaliadas para futuras aplicações estão indústria, saúde, educação e agronegócio.

Segundo o executivo, a expectativa do setor é que as primeiras redes comerciais apareçam por volta de 2030.

China já colocou o 6G entre suas prioridades

A disputa pela próxima geração de telecomunicações é internacional.

Na China, o 6G integra os objetivos do planejamento para o período de 2026 a 2030.

O país busca avançar em pesquisa, infraestrutura e aplicações industriais e, ao mesmo tempo, aumentar sua influência na elaboração das normas que orientarão a tecnologia.

Em maio de 2026, o governo chinês autorizou testes na faixa de 6 GHz.

Empresas como Huawei e ZTE também trabalham em soluções para as futuras redes.

A Huawei pesquisa sistemas que incorporam inteligência artificial e integram satélites à infraestrutura terrestre.

A ZTE trabalha com a operadora China Mobile no desenvolvimento do GigaMimo, sistema baseado em grande número de antenas para conectar mais aparelhos simultaneamente e transportar maior volume de dados.

Estados Unidos querem usar Olimpíada de 2028 como vitrine tecnológica

Os Estados Unidos também aceleram os preparativos.

Uma das grandes vitrines previstas será a Olimpíada de Los Angeles, em 2028, quando o governo americano pretende demonstrar aplicações iniciais associadas à nova geração.

A Qualcomm projeta sistemas comerciais a partir de 2029 e trabalha com operadoras, fabricantes e empresas de infraestrutura.

Na União Europeia, programas de pesquisa já reúnem pelo menos 1,8 bilhão de euros em recursos públicos e privados destinados ao desenvolvimento e aos testes do 6G.

O Japão também financia universidades e companhias para criar tecnologia própria.

A disputa não envolve apenas quem terá a conexão mais rápida. Desenvolver equipamentos, patentes e padrões técnicos pode diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros e abrir mercados bilionários para as empresas que dominarem essas tecnologias.

Enquanto o 6G avança, 5G ainda não chegou a grande parte do território

O problema brasileiro aparece quando a discussão tecnológica encontra a infraestrutura disponível.

No primeiro trimestre de 2026, a cobertura 5G alcançava 68% da população, de acordo com a Anatel.

Isso significa que 32% da população permanecia fora do alcance do sinal naquele momento.

A diferença fica ainda mais evidente quando se observa o número de cidades atendidas.

Em agosto de 2026, o 5G estava presente em 1.737 municípios, equivalentes a aproximadamente 31% das cidades brasileiras, segundo levantamento da consultoria Teleco citado pela Veja.

Estar presente em um município também não significa cobrir todo seu território.

Uma cidade pode possuir antenas 5G e, ao mesmo tempo, manter bairros e localidades sem acesso à tecnologia.

Área rural expõe uma das maiores dificuldades de cobertura

A desigualdade territorial é um dos principais desafios das redes móveis brasileiras.

Um infográfico publicado com a reportagem aponta cobertura 5G em 61% da área urbana e apenas 1% da área rural, mostrando como a presença da tecnologia cai fora dos centros mais densamente povoados.

Essa diferença ajuda a explicar por que número de municípios atendidos e população coberta não contam toda a história.

Operadoras tendem a iniciar a implantação em áreas com maior concentração de usuários, onde uma única antena consegue atender mais pessoas.

Levar infraestrutura para locais pouco povoados exige mais equipamentos para alcançar menos clientes, o que torna a expansão economicamente mais complexa.

É justamente nesse tipo de cenário que a integração futura entre redes terrestres e satélites poderá ganhar importância.

Brasil precisa preparar o 6G sem abandonar a expansão do 5G

Começar pesquisas sobre uma nova geração antes de concluir a anterior não é necessariamente uma contradição tecnológica.

O desenvolvimento de padrões, chips, antenas e equipamentos acontece anos antes de uma rede chegar ao mercado.

Se o Brasil esperar o 6G ficar pronto para começar a pesquisar, poderá chegar à fase comercial apenas como comprador de tecnologia estrangeira.

Ao mesmo tempo, os dados de cobertura mostram que avançar na pesquisa não elimina o desafio imediato de expandir o 5G.

O país terá de lidar com as duas frentes simultaneamente: participar da construção tecnológica da próxima geração enquanto amplia a infraestrutura disponível para a atual.

As primeiras redes comerciais 6G são esperadas pelo setor por volta de 2030. Até lá, o desafio brasileiro será transformar pesquisa em tecnologia própria sem repetir uma lacuna já visível no 5G, que ainda deixava quase um terço da população sem cobertura no primeiro trimestre de 2026.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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