1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Brasil esconde maior cratera de meteoro da América do Sul, buraco gigante maior que o Rio de Janeiro, criado há 254 milhões de anos e hoje cobiçado para virar parque geológico turístico
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

Brasil esconde maior cratera de meteoro da América do Sul, buraco gigante maior que o Rio de Janeiro, criado há 254 milhões de anos e hoje cobiçado para virar parque geológico turístico

Publicado em 17/12/2025 às 21:03
Atualizado em 17/12/2025 às 21:05
Descubra o Domo de Araguainha, a maior cratera de meteoro da América do Sul, hoje cobiçada como parque geológico e destino de turismo científico.
Descubra o Domo de Araguainha, a maior cratera de meteoro da América do Sul, hoje cobiçada como parque geológico e destino de turismo científico.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
6 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Formado há cerca de 254 milhões de anos por um asteroide de 4 km, o Domo de Araguainha guarda a maior cratera de meteoro da América do Sul, espalhada por fazendas em MT e GO e hoje cobiçada para virar parque geológico aberto a visitantes do Brasil e do mundo.

Pouca gente sabe, mas o Brasil abriga, na divisa entre Mato Grosso e Goiás, a maior cratera de meteoro da América do Sul. É o Domo de Araguainha, estrutura circular com cerca de 40 km de diâmetro, formada há aproximadamente 254 milhões de anos por um impacto capaz de remodelar completamente a paisagem da região.

Desde 1973, quando pesquisadores da NASA publicaram os primeiros indícios de que ali havia ocorrido um impacto cósmico, até a confirmação detalhada feita em 1978 pelo geólogo Álvaro Crósta, da Unicamp, a área saiu do anonimato científico e hoje é cotada para se tornar um parque geológico oficialmente reconhecido, combinando preservação, pesquisa e turismo educativo.

Cratera gigante maior que a cidade do Rio de Janeiro

A cratera que deu origem ao Domo de Araguainha tem cerca de 40 km de diâmetro e área aproximada de 1,3 mil km², maior que a área da cidade do Rio de Janeiro.

Ela se estende pelos municípios de Araguainha e Ponte Branca, em Mato Grosso, alcançando também Alto Araguaia (MT) e Mineiros (GO), sempre em área de interior.

Apesar da escala monumental, a paisagem de hoje mistura morros suaves, vales e pastagens.

A região é predominantemente rural, com economia baseada na agropecuária, especialmente na criação de gado e no cultivo de soja, milho e outros grãos, onde muitas famílias trabalham sem imaginar que pisam diariamente em uma cicatriz deixada por um antigo asteroide.

Impacto em mar raso provocou terremotos e tsunamis gigantes

Os estudos indicam que a formação da cratera ocorreu no início da Era Mesozóica, há cerca de 254 milhões de anos, quando um asteroide de aproximadamente 4 km de diâmetro atingiu a região a uma velocidade estimada entre 14 e 16 km por segundo.

Naquele tempo, a área hoje ocupada por fazendas era um mar raso.

O choque gerou terremotos intensos, tsunamis e destruição da vida em um raio de até 500 km, afetando especialmente répteis e anfíbios que habitavam o ambiente.

No centro do domo, há hoje uma elevação de rochas mais antigas, empurradas para cima pela força do impacto, revelando camadas profundas do embasamento cristalino que normalmente permaneceriam escondidas no subsolo.

De enigma geológico a vitrine internacional de ciência

A confirmação de que se tratava de uma estrutura de impacto não veio de imediato. Pesquisas de campo identificaram marcas típicas de metamorfismo de choque, fenômeno que transforma minerais sob extrema pressão e temperatura, característico de impactos meteoríticos.

Entre as evidências, foram encontrados minerais deformados, como o zircão, considerados uma assinatura clara da origem cósmica da cratera.

Graças a esses trabalhos, o Domo de Araguainha passou a ser reconhecido internacionalmente. Hoje, o local integra a lista dos 100 principais sítios geológicos do mundo, elaborada pela International Union of Geological Sciences, ligada à Unesco.

Das 11 crateras de impacto conhecidas na América do Sul, 8 estão em território brasileiro, e o Domo de Araguainha figura entre as cinco maiores já mapeadas, reforçando o protagonismo do país nesse tipo de registro geológico.

Ligação com petróleo, gás natural e aquecimento global antigo

Os estudiosos ainda investigam como o impacto pode ter interferido no clima global do passado. Há indícios de que o choque atingiu camadas sedimentares da Bacia do Paraná, liberando grandes volumes de petróleo e gás natural armazenados no subsolo ao redor da estrutura.

Essa liberação maciça de combustíveis fósseis pode ter agravado o aquecimento global da época, somando-se a outros processos naturais em curso naquele período geológico.

Mesmo assim, os cientistas destacam que o evento não teve a mesma magnitude da colisão que, milhões de anos depois, marcaria a extinção em massa dos dinossauros.

Cerrado cobre a cicatriz, turismo começa a revelar o domo

Após centenas de milhões de anos de erosão, a cratera está parcialmente desgastada e coberta pela vegetação típica do Cerrado.

Suas formas circulares, no entanto, ainda podem ser identificadas em imagens de satélite, que revelam o contorno discreto do impacto no meio de propriedades rurais e pequenas cidades.

Atualmente, o Domo de Araguainha recebe visitas de estudantes, cientistas e curiosos, interessados em entender de perto como se forma uma estrutura de impacto dessa escala.

Há iniciativas para transformar a região em parque geológico oficial, com foco na preservação e na educação, o que poderia impulsionar o turismo científico e rural na divisa entre Mato Grosso e Goiás e atrair viajantes em busca de experiências ligadas à natureza e à história da Terra.

Tesouro geológico ainda pouco conhecido pelos brasileiros

Escondida atrás de estradas rurais e de paisagens dominadas por gado e lavouras, a região guarda um patrimônio geológico único: a maior cratera de meteoro da América do Sul, maior que o próprio Rio de Janeiro em área e ainda pouco conhecida pela maioria da população, mesmo com o peso científico e turístico que representa.

Você visitaria um parque geológico dentro dessa cratera gigante ou acha que a maior cratera de meteoro da América do Sul deve continuar quase secreta no interior do Brasil?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x