A primeira unidade está contratada e a segunda permanece como opção. O programa prevê entregas em 2033 e 2035, além de uma arquitetura de combate voltada à defesa aérea e antimíssil, guerra antissubmarino e integração futura de novos sensores e armamentos.
A Itália contratou o desenvolvimento, a construção e o suporte inicial do primeiro destróier DDX de nova geração destinado à Marinha, enquanto uma opção prevista no acordo permite encomendar uma segunda unidade. A execução ficará a cargo da Orizzonte Sistemi Navali (OSN), joint venture da Fincantieri e da Leonardo.
A Organização Conjunta de Cooperação em Matéria de Armamento (OCCAR) assinou o contrato em nome da Itália na última quinta-feira (24), em La Spezia. O valor global chega a € 3,7 bilhões, dos quais aproximadamente € 1,3 bilhão estão vinculados a opções contratuais.
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A estrutura do acordo diferencia a primeira unidade, incluída na contratação, do segundo destróier, que depende do exercício da opção. A previsão divulgada para as entregas é 2033 para o primeiro navio e 2035 para o segundo, caso a encomenda adicional seja confirmada.
O DDX foi concebido para reunir defesa aérea e antimíssil, ataque de longo alcance, guerra antissubmarino e funções de comando e controle. O projeto também prevê integração com meios tripulados e não tripulados empregados em diferentes domínios durante operações navais.
Radar dual band e defesa contra mísseis
A arquitetura de combate reunirá sensores, armamentos, guerra eletrônica e sistemas de comando em uma única plataforma. Entre os equipamentos previstos pela OCCAR estão um radar multifunção dual band, um sistema avançado de gerenciamento de combate e mísseis destinados a enfrentar diferentes ameaças aéreas.
O detalhamento divulgado pela Fincantieri informa que a Leonardo será responsável pelo sistema de combate baseado no C5I SADOC 5, que incluirá um radar AESA totalmente digital de alta potência em banda S.
O conjunto foi projetado para a chamada defesa aérea e antimíssil integrada, conhecida pela sigla IAMD. A configuração prevista inclui capacidade contra ameaças convencionais, balísticas e hipersônicas, além de recursos para compartilhar informações com outras unidades de uma força naval conectada.
A guerra antissubmarino também integra as missões previstas para o destróier. Sistemas não tripulados de superfície e submarinos poderão operar associados à plataforma, ampliando o conjunto de sensores e recursos disponíveis para vigilância, detecção e resposta a ameaças abaixo e acima da superfície.
O sistema de armas terá participação da MBDA, enquanto a Leonardo concentrará o desenvolvimento do sistema de combate. A divisão coloca diferentes fornecedores dentro de uma arquitetura que precisará coordenar sensores, processamento de dados, armamentos e recursos de guerra eletrônica.
Projeto prevê margem para armas de energia dirigida
O DDX foi concebido com reserva física e energética para receber tecnologias que poderão ser incorporadas ao longo de sua vida operacional. Entre elas, a OCCAR cita expressamente armas de energia dirigida, sem identificar nesta fase um sistema específico nem estabelecer uma data para sua instalação.
A possibilidade de incorporar equipamentos de elevada demanda está associada à arquitetura elétrica do navio, que terá uma sub-rede em corrente contínua ligada a sistemas de armazenamento de energia. O projeto também prevê gerenciamento integrado dos balanços térmico e elétrico da plataforma.
Essas características permitem reservar capacidade para futuras gerações de sensores e armamentos sem definir antecipadamente quais equipamentos ocuparão esse espaço. No caso das armas de energia dirigida, portanto, o contrato estabelece preparação para integração futura, e não a aquisição de um modelo já escolhido.
A plataforma terá 180 metros de comprimento e deslocamento de 13.500 toneladas, conforme os dados divulgados pela Fincantieri. A empresa informa autonomia de 4.000 milhas náuticas e uma tripulação prevista de 251 pessoas para a nova classe.
Parte da arquitetura também será dedicada à gestão digital dos sistemas de bordo. O conceito Navis Sapiens deverá reunir e correlacionar dados produzidos pela embarcação para apoiar decisões operacionais, manutenção e gerenciamento técnico durante o ciclo de vida do destróier.
O desenho aberto e escalável busca permitir a incorporação posterior de novos equipamentos sem reconstruir integralmente a arquitetura do navio. A infraestrutura digital também deverá conectar a embarcação a sistemas em terra e apoiar manutenção preditiva, logística e intercâmbio seguro de informações de missão.
Fincantieri e Leonardo dividem o programa
A Fincantieri ficará responsável pelo projeto da plataforma e pela integração dos sistemas do navio, enquanto a Leonardo conduzirá o desenvolvimento do sistema de combate. A OSN, formada pelas duas companhias, atua como contratada principal do programa conduzido pela OCCAR para a Itália.
Os subcontratos previstos somam aproximadamente € 1,8 bilhão para a Fincantieri e € 1,7 bilhão para a Leonardo, valores que também incluem opções. Desse montante, cerca de € 800 milhões na parcela da Fincantieri e aproximadamente € 480 milhões na da Leonardo dependem dessas condições contratuais.
A participação das opções é relevante para interpretar o valor anunciado: os € 3,7 bilhões representam o montante global informado para o acordo, mas uma parte depende de decisões posteriores previstas no próprio contrato, inclusive em relação à segunda unidade.
Além das capacidades de combate, a OCCAR inclui entre os requisitos do DDX a interoperabilidade com forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e com formações multinacionais. O projeto prevê que o navio compartilhe informações e opere integrado a outros meios durante missões conjuntas.
