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Duas torres residenciais em Milão foram cobertas com 900 árvores é 20 mil plantas nas varandas, juntas equivalem a 2 hectares de floresta suspensa no meio da cidade e já inspiraram projetos em 5 continentes

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 24/04/2026 às 21:30
Atualizado em 24/04/2026 às 21:33
Duas torres cobertas de árvores é plantas em Milao
Torres do Bosco Verticale em Milao cobertas de árvores
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São 900 árvores de até 9 metros de altura e mais de 20 mil plantas entre arbustos, flores e trepadeiras distribuídas pelas varandas de 2 torres residenciais no centro de Milão.

Vista de longe, as duas torres parecem montanhas verdes no meio da cidade. De perto, o que se vê são centenas de árvores crescendo nas varandas dos apartamentos, como se a floresta tivesse invadido o prédio.

O Bosco Verticale, que em italiano significa Floresta Vertical, foi inaugurado em 2014 no bairro de Porta Nuova, em Milão.

As torres têm 111 e 76 metros de altura.

Juntas, abrigam 900 árvores, 5 mil arbustos e mais de 11 mil plantas rasteiras e flores.

Se toda essa vegetação fosse espalhada no chão, ocuparia uma área equivalente a 2 hectares de floresta.

Mas em vez de estar no chão, está pendurada no ar, a até 111 metros de altura.

O projeto é do arquiteto italiano Stefano Boeri, que queria provar que prédios e natureza não precisam ser inimigos.

Como as árvores sobrevivem a 100 metros de altura

Plantar uma árvore no chão é fácil. Plantar no 27º andar de um prédio é outro desafio.

O vento a essa altura é muito mais forte. As raízes não têm solo profundo. A irrigação depende de bombeamento.

Para resolver isso, cada árvore foi testada individualmente em um túnel de vento antes de ser plantada.

Os engenheiros precisavam garantir que nenhuma árvore seria arrancada por tempestades.

As varandas foram projetadas com jardineiras de concreto profundas o suficiente para as raízes.

Um sistema de irrigação automatizado distribui água para todas as plantas, com sensores que medem a umidade do solo.

Uma equipe de jardineiros alpinistas faz a manutenção periódica, descendo de rapel pela fachada.

Varandas com árvores crescendo na fachada.

 Varandas com árvores no Bosco Verticale
Varandas com árvores no Bosco Verticale

O impacto no ar e na temperatura da cidade

As árvores do Bosco Verticale absorvem aproximadamente 30 toneladas de CO2 por ano.

Em troca, produzem oxigênio suficiente para parte dos moradores do bairro.

A vegetação também funciona como isolante térmico natural.

No verão, as folhas fazem sombra e reduzem a necessidade de ar-condicionado.

No inverno, as árvores decíduas perdem as folhas e permitem que a luz solar aqueça os apartamentos.

O prédio se adapta às estações como uma floresta real.

Os moradores relatam que a temperatura dentro dos apartamentos é 2 a 3 graus mais baixa no verão do que em prédios vizinhos sem vegetação.

O prêmio de melhor arranha-céu do mundo

Em 2014, o Bosco Verticale recebeu o International Highrise Award, considerado o maior prêmio do mundo para arranha-céus.

O júri destacou a integração entre natureza e arquitetura como modelo para cidades do futuro.

O projeto foi capa de revistas de arquitetura em dezenas de países.

Turistas viajam a Milão só para ver e fotografar as torres verdes.

O edifício se tornou um dos símbolos da cidade, ao lado do Duomo e do Teatro alla Scala.

O efeito cascata: projetos em 5 continentes

Depois de Milão, Stefano Boeri recebeu encomendas de cidades do mundo inteiro.

Uma versão do Bosco Verticale está sendo construída em Nanjing, na China.

Outra em Eindhoven, na Holanda. Outra em Tirana, na Albânia. Outra no Cairo, no Egito.

O escritório de Boeri já trabalha em projetos em mais de 5 continentes.

A ideia de florestas verticais virou um movimento global de arquitetura.

Cidades que antes pensavam em prédios cinzas agora discutem fachadas verdes como política pública.

Quanto custa morar dentro da floresta

Os apartamentos no Bosco Verticale não são baratos.

Preços partem de aproximadamente 1 milhão de euros para unidades menores.

A manutenção da vegetação é incluída no condomínio, mas representa um custo extra.

Os moradores pagam pelos jardineiros alpinistas, pelo sistema de irrigação e pela reposição de plantas.

Ainda assim, a lista de espera é longa. As unidades raramente aparecem no mercado de revenda.

A pergunta que o Bosco Verticale faz

Será que todo prédio novo deveria ter árvores?

Os críticos dizem que o custo é alto, a manutenção é complexa e a escala é limitada.

Os defensores argumentam que o benefício ambiental, estético e de qualidade de vida justifica tudo.

O que ninguém discute é que duas torres em Milão mudaram o jeito de pensar sobre prédios e cidades.

Antes do Bosco Verticale, árvore era coisa de praça. Depois dele, árvore pode ser coisa de varanda.

E talvez, no futuro, toda cidade grande tenha pelo menos uma floresta suspensa no ar.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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