O BK Bank, investigado por envolvimento com o PCC, causa bloqueios no vale-alimentação de servidores públicos em várias cidades.
Milhares de servidores públicos em todo o Brasil estão enfrentando dificuldades para utilizar o vale-alimentação devido a instabilidades causadas pelo BK Bank, instituição financeira que está sob investigação por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
O problema, que ganhou força após uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público no fim de agosto, afeta diretamente o uso do benefício em estabelecimentos comerciais de diversas cidades, como Campo Mourão (PR) e Uberaba (MG).
A situação gerou reações em cadeia, com supermercados deixando de aceitar os cartões do banco, empresas entrando na justiça por falta de pagamento e prefeituras buscando alternativas para garantir que os servidores recebam o valor devido.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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O caso expõe um problema mais profundo: a infiltração do crime organizado no sistema financeiro, especialmente em fintechs — empresas de tecnologia voltadas para serviços bancários.
Supermercados rejeitam vale-alimentação do BK Bank após operação da PF
Logo após a operação policial que teve como alvo o BK Bank, pelo menos cinco supermercados de Campo Mourão passaram a recusar o cartão de vale-alimentação da instituição.
O único motivo declarado pelos estabelecimentos foi uma “instabilidade no sistema”.
No entanto, a decisão veio na esteira da revelação de que o banco é suspeito de operar um esquema de lavagem de dinheiro em parceria com o PCC, movimentando cerca de R$ 982 milhões entre 2019 e 2024.
A prefeitura da cidade confirmou que cerca de 3 mil servidores são impactados, e prometeu compensar os valores bloqueados.
Já em Uberaba, a situação é semelhante: 15 empresas acionaram a Justiça para tentar reaver os valores que a instituição deixou de repassar.
Pequenos negócios e servidores acumulam prejuízos
Casos como o da comerciante Liliane, dona de um restaurante em Uberaba, mostram o impacto direto da crise. Segundo ela, o BK Bank deixou de repassar R$ 4 mil referentes ao uso do cartão em seu estabelecimento.
“Disseram que em 24 horas nos retornariam, mas isso não aconteceu. Depois, descobrimos que deixaram de pagar para toda a cidade”, relatou.
Servidores municipais também relatam créditos bloqueados. É o caso de Carlos, que afirma ter R$ 2 mil presos no cartão. “Fui fazer uma compra e o cartão simplesmente não passou mais. Fiquei sem acesso ao benefício”, disse.
Governo e instituições públicas rompem contratos com o BK Bank
Diante das investigações, diversos órgãos públicos estão revendo suas relações com o BK Bank. Cidades como Betim (MG), Ribeirão Preto (SP) e Birigui (SP) encerraram contratos com a instituição.
Já os estados do Paraná e Mato Grosso paralisaram parcerias em programas sociais que envolviam o uso do banco para repasse de benefícios.
A fintech, que afirma ter atualmente 112 contratos ativos com o setor público, também mantinha acordos com instituições como os Correios, o Exército, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal — neste último caso, apenas para fornecimento de maquininhas de pagamento.
Enquanto os Correios e a Câmara anunciaram suspensão ou análise para rompimento de contrato, o Exército abriu um processo para apurar possíveis irregularidades.
O Senado informou que o contrato já estava em fase final e seria substituído, independentemente das investigações.
BK Bank afirma ser instituição idônea e tenta liberar valores bloqueados
Procurado, o BK Bank não concedeu entrevista, mas divulgou nota por meio de seu escritório de advocacia.
A fintech afirmou que está tomando medidas legais para liberar os valores bloqueados pela Justiça, alegando que os recursos pertencem a órgãos públicos e estabelecimentos comerciais, e não deveriam sofrer esse tipo de bloqueio.
Ainda segundo a nota, a empresa declarou ser uma instituição idônea, com pleno cumprimento das normas do Banco Central, e negou ter conhecimento ou participação em qualquer prática criminosa.
Sobre as cidades atingidas, o banco disse que as transações com Campo Mourão já foram normalizadas, e que está em processo de restabelecimento do fluxo de pagamentos em Uberaba.
Especialistas alertam para infiltração do crime organizado nas fintechs
O presidente da Associação Brasileira das Fintechs (ABFintechs), Diego Perez, alertou que a atuação do crime organizado em setores formais da economia tem se tornado uma realidade preocupante.
Segundo ele, embora o setor de fintechs tenha modernizado o acesso ao sistema bancário, a sofisticação tecnológica também pode ser usada para rastrear atividades criminosas.
“As fintechs têm sistemas muito avançados e podem se tornar ferramentas importantes no combate ao crime organizado. Elas já estão colaborando com as autoridades e devem seguir investindo em segurança e transparência”, destacou.

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