Universidades e institutos federais ainda dependem da conclusão da fase de recursos antes de organizar a seleção das participantes. Os cursos terão de 200 a 240 horas, enquanto o auxílio de R$ 300 é limitado a quatro pagamentos mensais.
O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) divulgou 28 propostas institucionais com resultado favorável no Programa Asas para o Futuro, que somam 3.320 bolsas de Apoio à Difusão do Conhecimento, modalidade ADC-2B. A seleção ainda não corresponde à abertura de inscrições individuais para as jovens que participarão dos cursos.
O resultado preliminar divulgado pelo CNPq saiu na segunda-feira (19), e o prazo para apresentação de recursos termina na próxima segunda-feira (26). Nesta etapa, o órgão avaliou projetos enviados por universidades e institutos federais, e não candidaturas individuais de estudantes.
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As 3.320 bolsas estão vinculadas às propostas institucionais selecionadas preliminarmente. A chamada estabelece que cada instituição contemplada deverá organizar seu próprio processo de chamamento e inscrição das interessadas depois da conclusão da seleção dos projetos apoiados.
Assim, a divulgação da lista não equivale à existência imediata de um formulário nacional no qual qualquer jovem possa solicitar uma das bolsas. Os procedimentos para escolha das participantes ficarão sob responsabilidade das instituições executoras, dentro das condições previstas pelo programa.
Cursos de até 240 horas e auxílio por quatro meses
A lista preliminar reúne 17 institutos ou campi federais e 11 universidades federais. A quantidade de bolsas varia entre os projetos, com propostas de 80, 110, 160 e 220 participantes, composição que leva ao total de 3.320 bolsas indicado pelo CNPq.
A Chamada Pública CNPq/MMulheres nº 19/2026 foi estruturada para apoiar até 32 propostas e fixou a meta de qualificar 3.520 jovens mulheres. O resultado preliminar ficou 200 bolsas abaixo dessa meta e quatro projetos abaixo do limite inicialmente previsto.
Essa diferença não pode ser tratada automaticamente como 200 vagas disponíveis para novas inscrições. A quantidade de qualificações funciona como meta da chamada, enquanto a oferta efetiva depende da conclusão do processo seletivo, da contratação e da execução dos projetos pelas instituições contempladas.
As formações serão concentradas em ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conjunto conhecido pela sigla STEM. O edital prevê entre 160 e 200 horas de qualificação profissional, além de pelo menos 40 horas de formação sociopolítica, levando os cursos a uma carga total de 200 a 240 horas.
A execução das atividades deverá ocorrer ao longo de quatro a seis meses. Durante esse período, as instituições serão responsáveis pela organização das turmas, matrícula das participantes, acompanhamento das atividades e demais procedimentos previstos no projeto aprovado.
As jovens selecionadas terão direito a R$ 300 por mês durante quatro meses. O valor integra a assistência estudantil prevista na chamada e está ligado à participação nas atividades, não correspondendo a salário nem a uma bolsa acadêmica de duração anual.
O calendário do curso e o período do auxílio não são equivalentes em todos os casos. Embora a execução das formações possa se estender por até seis meses, a bolsa de R$ 300 está limitada a quatro pagamentos mensais, conforme as condições estabelecidas na chamada.
Quem poderá disputar as bolsas
O público do programa é formado por mulheres de 15 a 29 anos, estejam ou não cursando o ensino médio, desde que atendam aos requisitos mínimos de idade e escolaridade definidos para o curso escolhido. A chamada também estabelece condições sociais que deverão ser consideradas nos editais de cada instituição.
Na primeira seleção de participantes, a candidata deverá cumprir ao menos uma das condições previstas: estar inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, morar em comunidade periférica urbana ou zona rural, ou ser mãe ou responsável direta por criança de até 12 anos.
O documento também estabelece prioridade para mulheres negras, indígenas, quilombolas, transexuais e pessoas com deficiência. Se as candidatas dos grupos prioritários não ocuparem todas as oportunidades disponíveis, as vagas remanescentes poderão alcançar outras mulheres que preencham os requisitos gerais e sociais da chamada.
A estrutura do programa permite ainda a participação de jovens que não estejam vinculadas ao sistema educacional formal no momento da inscrição. A candidata não precisará ter matrícula prévia na universidade ou no instituto responsável pelo curso, porque o vínculo acadêmico será providenciado pela própria instituição depois da seleção.
A seleção local deverá observar os requisitos gerais do programa e as características do curso oferecido. Por isso, idade, escolaridade mínima e critérios sociais precisarão ser conferidos no edital publicado pela universidade ou instituto responsável por cada turma, e não em uma inscrição nacional única.
Antes dessa etapa, o processo institucional ainda terá de passar pela fase de recursos contra o resultado preliminar e chegar à decisão final do julgamento. As propostas selecionadas definitivamente serão apoiadas em nome de seus representantes institucionais mediante termo de outorga.
Depois dessa definição, as instituições executoras poderão detalhar cursos, procedimentos e calendários de participação em seus próprios editais. Até esse momento, o caminho prático para as interessadas é acompanhar as publicações das instituições que tiverem suas propostas confirmadas no resultado final.
