Sprites são relâmpagos vermelhos que sobem até 80 km acima das nuvens e foram registrados da ISS, revelando fenômenos que podem afetar comunicações.
Em 2025, imagens feitas da Estação Espacial Internacional e divulgadas pela NASA voltaram a registrar os sprites, descargas elétricas avermelhadas que surgem acima de grandes tempestades e podem alcançar a mesosfera, faixa da atmosfera situada entre cerca de 50 e 85 quilômetros de altitude. O fenômeno integra a categoria dos eventos luminosos transitórios e permanece como um dos capítulos mais enigmáticos da eletricidade atmosférica.
As imagens captadas do espaço mostram estruturas luminosas gigantes, por vezes com formas que lembram águas-vivas ou colunas ramificadas, aparecendo por frações de segundo acima de sistemas de tempestade. Em materiais da NASA Science e do National Severe Storms Laboratory, os sprites aparecem como fenômenos raros, difíceis de observar visualmente e ainda não totalmente compreendidos, o que ajuda a explicar por que durante décadas eles circularam mais como relato incomum de pilotos e observadores do que como objeto consolidado de pesquisa atmosférica.
Relâmpagos que sobem até 80 km desafiam a física clássica das tempestades
Diferente dos raios convencionais, que descem das nuvens em direção ao solo, os sprites fazem o caminho inverso. Eles se originam acima das tempestades e se propagam para cima, atingindo altitudes entre aproximadamente 50 km e 80 km, segundo dados da NASA Earth Observatory.
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Essa região da atmosfera, chamada mesosfera, possui características físicas completamente distintas da troposfera. O ar é extremamente rarefeito, a pressão é baixa e a condução elétrica ocorre de forma diferente, o que permite o surgimento de estruturas luminosas amplas e difusas.
Essa inversão de comportamento elétrico foi, durante décadas, considerada improvável, o que explica por que relatos de pilotos foram desacreditados por tanto tempo.
Fenômeno foi tratado como mito até ser registrado oficialmente em 1989
Relatos de luzes estranhas acima das nuvens existem desde o início da aviação, mas só ganharam validação científica em 1989, quando pesquisadores da Universidade de Minnesota registraram o fenômeno com câmeras de baixa luminosidade.
Antes disso, a ideia de descargas elétricas ascendentes era considerada incompatível com os modelos clássicos de eletricidade atmosférica.
O reconhecimento científico dos sprites ocorreu mais de um século após os primeiros relatos, um intervalo que evidencia o quão difícil é observar e estudar fenômenos que acontecem fora do campo visual humano e duram apenas milissegundos.
ISS se torna plataforma estratégica para observação de fenômenos invisíveis
A observação de sprites avançou significativamente com o uso de plataformas orbitais. A Estação Espacial Internacional, que orbita a cerca de 400 km de altitude, oferece uma visão privilegiada acima das nuvens, permitindo registrar diretamente os eventos na região onde ocorrem.
Do solo, esses fenômenos são frequentemente encobertos por nuvens densas ou simplesmente passam despercebidos devido à sua curta duração. Já do espaço, sensores e câmeras de alta sensibilidade conseguem capturar imagens detalhadas das descargas.

Em registros recentes divulgados pela NASA, astronautas documentaram sprites gigantes sobre sistemas de tempestade na América do Norte, reforçando o papel da ISS como um observatório atmosférico avançado.
Estruturas podem atingir dezenas de quilômetros e duram milissegundos
Sprites não são apenas flashes isolados. Eles podem atingir dimensões impressionantes, com até 20 a 30 quilômetros de extensão vertical e estruturas ramificadas que se espalham lateralmente.
Apesar disso, sua duração é extremamente curta. A maioria dos eventos dura apenas alguns milissegundos, o que torna sua observação extremamente difícil sem equipamentos especializados.
Essa combinação de grande escala e curta duração contribui para o caráter raro e fascinante do fenômeno.
Fenômeno é disparado por raios extremamente energéticos
A formação dos sprites está diretamente associada a descargas elétricas intensas entre nuvens e solo, especialmente os chamados raios positivos.
Esses raios geram uma mudança abrupta no campo elétrico acima das nuvens, criando condições para uma descarga na mesosfera. Quando isso ocorre, surge o sprite.
Mesmo com esse entendimento, os mecanismos exatos que determinam quando e onde os sprites aparecem ainda não são completamente compreendidos, o que mantém o fenômeno como um dos mais ativos campos de pesquisa em eletricidade atmosférica.
Relâmpagos invisíveis podem interferir em comunicações globais
Um dos aspectos mais relevantes dos sprites está no seu impacto potencial sobre a tecnologia.
Esses eventos ocorrem na região onde sinais de rádio de longa distância se propagam, especialmente na interface com a ionosfera. Alterações elétricas nessa camada podem interferir temporariamente na transmissão de sinais.
Segundo estudos citados pela NASA, sprites podem modificar a distribuição de cargas elétricas na alta atmosfera, o que afeta a propagação de ondas eletromagnéticas.
Isso significa que fenômenos invisíveis acima das tempestades podem ter efeitos diretos em sistemas de comunicação e navegação, ainda que de forma sutil e temporária.
Sprites fazem parte de uma família maior de fenômenos elétricos desconhecidos
Os sprites não estão sozinhos. Eles fazem parte de um grupo chamado eventos luminosos transitórios, que inclui outros fenômenos igualmente raros:
- Blue jets, que disparam da nuvem para cima em formato de jato;
- Elves, que se expandem como anéis gigantes na ionosfera;
- Gigantic jets, que podem conectar diretamente a tempestade ao espaço.
Esses eventos indicam que uma parte significativa da atividade elétrica do planeta ocorre fora do alcance da visão humana, revelando uma camada invisível e ainda pouco compreendida da atmosfera.
Um fenômeno que revela que ainda sabemos pouco sobre a atmosfera da Terra
Mesmo após décadas de estudo, muitas perguntas permanecem sem resposta.
- Por que apenas algumas tempestades produzem sprites?
- Qual é o impacto acumulado desses eventos no clima global?
- Até que ponto eles interferem em sistemas tecnológicos?
A dificuldade de observação, combinada com a complexidade física do fenômeno, faz com que a ciência ainda esteja longe de uma compreensão completa.
Você acredita que fenômenos invisíveis como esse podem estar moldando o planeta sem que percebamos
Os sprites mostram que o planeta abriga processos gigantescos, rápidos e invisíveis acontecendo acima das tempestades, fora do alcance direto da maioria das pessoas.
Eles transformam a ideia de relâmpago em algo muito mais amplo, revelando que a eletricidade atmosférica vai muito além do que vemos durante uma tempestade comum.
Diante disso, surge uma questão inevitável: quantos outros fenômenos ainda desconhecidos estão acontecendo neste exato momento na atmosfera da Terra sem que tenhamos capacidade de observá-los completamente?


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