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Asteroide abriu uma cratera na Coreia do Sul, criou um ambiente extremo cheio de minerais e agora cientistas veem ali pistas importantes sobre a vida primitiva

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 26/05/2026 às 16:51
Atualizado em 26/05/2026 às 16:53
Geólogo analisa estromatólitos em lago hidrotermal dentro de cratera de asteroide enquanto meteorito cruza o céu em cenário inspirado na descoberta da Coreia do Sul.
Imagem ilustrativa mostra lago hidrotermal em cratera de impacto, estromatólitos e cenário associado às pesquisas sobre vida primitiva e possíveis ambientes semelhantes em Marte.
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Estromatólitos encontrados na cratera de Hapcheon indicam que o impacto de um asteroide pode ter criado um lago hidrotermal aquecido, rico em minerais e favorável ao crescimento de microrganismos antigos ligados à vida primitiva na Terra

Uma descoberta científica feita na Coreia do Sul pode ampliar a compreensão sobre a origem da vida na Terra e a busca por sinais antigos em Marte. Pesquisadores identificaram estromatólitos na cratera de impacto de Hapcheon, considerada a única cratera de asteroide confirmada na Península Coreana.

Essas estruturas rochosas se formam pela ação de microrganismos ao longo de milhões de anos e estão associadas a registros antigos de vida. O estudo conduzido pelo Instituto Coreano de Geociências e Recursos Minerais (KIGAM) aponta que a cratera pode ter abrigado um lago hidrotermal após o impacto do asteroide.

Vista panorâmica da cratera de impacto de Hapcheon, na Coreia do Sul, cercada por montanhas e vegetação, em cenário ligado ao estudo sobre asteroides e vida primitiva.
Cratera de impacto de Hapcheon, onde pesquisadores identificaram evidências geológicas de um ambiente de lago hidrotermal pós-impacto de asteroide. – Crédito: Instituto Coreano de Geociências e Recursos Minerais (KIGAM)

Impacto de asteroide criou ambiente extremo

O choque do asteroide teria derretido parte das rochas da região, segundo os pesquisadores. Com isso, o calor gerado pode ter mantido a água aquecida e rica em minerais por muito tempo, criando um ambiente extremo e favorável a microrganismos resistentes.

Esse cenário ajuda a explicar por que a cratera de Hapcheon ganhou relevância científica. Os estromatólitos foram encontrados na região noroeste da estrutura, com formações entre 10 e 20 centímetros de diâmetro.

Vista aérea da cratera de impacto de Hapcheon, na Coreia do Sul, mostrando formação circular cercada por montanhas e áreas rurais associadas ao estudo sobre vida primitiva e impactos de asteroides.
Imagem de satélite da cratera de impacto de Hapcheon, na Coreia do Sul – Crédito: Google Earth / @2026 Maxar Technologies / Airbus

Estromatólitos reforçam pistas sobre oxigênio

O estudo publicado na revista Communications Earth & Environment registra a primeira identificação dessas formações no local. A descoberta também pode trazer novas pistas sobre o Grande Evento de Oxidação, ocorrido há cerca de 2,4 bilhões de anos.

Nesse período, os níveis de oxigênio da atmosfera terrestre aumentaram de forma intensa devido à atividade de organismos microscópicos. Segundo os pesquisadores, lagos aquecidos por impactos de asteroides podem ter funcionado como pequenos “oásis de oxigênio”.

Análises químicas indicam material extraterrestre

As análises feitas nas rochas revelaram sinais de material extraterrestre misturado à cratera. Também foram identificadas marcas de alterações provocadas por água em altas temperaturas, o que reforça a hipótese de um antigo sistema hidrotermal.

As camadas internas dos estromatólitos apresentaram sinais mais intensos de atividade hidrotermal, conforme os cientistas. Por isso, essas estruturas podem ter se formado quando o ambiente ainda era muito quente.

Descoberta fortalece busca por vida em Marte

O estudo reforça a hipótese de que crateras de impacto tiveram papel importante na origem da vida. Ambientes semelhantes podem ter existido em Marte, já que o planeta possui diversas crateras que podem ter abrigado água no passado.

Para Jaesoo Lim, autor principal do estudo, essa é a primeira evidência abrangente de que estromatólitos podem se formar em lagos hidrotermais criados por impactos de asteroides. Essas regiões, portanto, podem se tornar alvos importantes na busca por sinais de vida antiga fora da Terra.

O que essa descoberta ainda pode revelar sobre a vida primitiva na Terra e os possíveis rastros escondidos em Marte?

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Caio Aviz

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