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Arqueólogos se surpreendem com o que havia no interior do maior navio mercante medieval já encontrado no fundo do mar Báltico enterrado sobre metros de areia

Publicado em 30/01/2026 às 09:19
Atualizado em 30/01/2026 às 11:04
Assista o vídeoNavio, Areia, Mar
Imagem: Ilustração artística
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Escavações subaquáticas revelam maior roda dentada conhecida, preservada a treze metros, com objetos pessoais, cozinha, castelos e pistas valiosas sobre a economia europeia do século XV e comércio medieval

Sob metros de areia e água fria, um gigante do comércio medieval aguardou 600 anos para revelar os seus segredos. No fundo do estreito que separa a Dinamarca da Suécia, arqueólogos identificaram vestígios que permitem compreender como se navegava, o que se comia e até como se rezava a bordo da maior roda dentada alguma vez conhecida.

A descoberta ocorreu durante pesquisas subaquáticas relacionadas com o projeto Lynetteholm, um novo bairro em construção ao largo de Copenhaga.

No local, investigadores do Museu do Navio Viking, em Roskilde, encontraram uma enorme roda dentada enterrada a 13 metros de profundidade.

O navio recebeu o nome de Svælget 2, em homenagem ao canal onde foi localizado, e tudo indica que se trata do maior navio mercante da Idade Média alguma vez encontrado.

Navio, Areia, Mar
Seis séculos debaixo de água não apagaram a história deste gigante do comércio medieval. Foto: Museu do Navio Viking.

Um navio gigante da engenharia medieval

Segundo estimativas, o cargueiro foi construído por volta de 1410. Mede 28 metros de comprimento, 9 metros de largura e 6 metros de altura, com capacidade de carga de quase 300 toneladas.

Estes números fazem do Svælget 2 o maior exemplar do gênero conhecido até à data.

As rodas dentadas eram os verdadeiros caminhões de longo curso da Idade Média. Transportavam grandes volumes de mercadorias e permitiram que o comércio deixasse de se limitar a bens de luxo.

Sal, madeira, alimentos e tijolos passaram a circular de forma regular entre portos do norte da Europa.

A descoberta constitui um marco para a arqueologia marítima. É a maior engrenagem que conhecemos e dá-nos uma oportunidade única de compreender como estes navios eram construídos e como as pessoas viviam a bordo deles”, explicou Otto Uldum, arqueólogo marítimo e diretor da escavação, em declarações divulgadas pelo Museu do Navio Viking.

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Vestígios que contam histórias

Quando os mergulhadores começaram a retirar a areia do fundo do mar, não encontraram tesouros tradicionais.

Surgiram pentes, sapatos usados, rosários, pratos de madeira pintados e outros objetos simples, pertencentes a marinheiros de há mais de 600 anos.

Para os investigadores, um navio desta dimensão só poderia existir inserido num sistema comercial bem oleado.

É uma prova concreta de como o comércio estava organizado no norte da Europa durante o século XV”, afirmou Uldum, segundo o Museu do Navio Viking.

Madeira que revela origens do navio

A análise dendrocronológica, baseada nos anéis de crescimento das árvores, permitiu identificar a proveniência dos materiais.

As tábuas de carvalho vieram da Pomerânia, na atual Polônia, enquanto as armações, as chamadas costelas do navio, foram feitas com madeira dos Países Baixos.

Isto indica que a madeira pesada foi importada e que o navio foi construído onde existia o conhecimento técnico para fabricar embarcações tão grandes”, explicou Uldum.

Este dado mostra que o Svælget 2 já fazia parte de uma rede de comércio internacional antes mesmo de tocar na água.

Navio, Areia, Mar
O Svælget 2 foi construído por volta de 1410 e é a maior roda dentada medieval alguma vez descoberta. Foto: Museu do Navio Viking

Um estado de preservação raro

Durante séculos, o navio esteve coberto por areia e sedimentos. Essa proteção natural preservou intacta a parte de estibordo, desde a quilha até à amurada, algo sem precedentes neste tipo de descoberta.

Graças a esse estado de conservação, foram encontrados restos do cordame, o complexo sistema de cordas e roldanas que permitia manusear a vela e estabilizar o mastro.

Para os arqueólogos, estes elementos ajudam a compreender melhor as técnicas de navegação da época.

Castelos e cozinha a bordo do navio

Esta é também a primeira prova arqueológica clara dos castelos de popa das engrenagens medievais, estruturas elevadas até agora conhecidas apenas por ilustrações.

No Svælget 2, foi encontrada uma grande quantidade de madeira proveniente de um desses castelos, onde a tripulação se podia abrigar.

Outra surpresa foi a identificação de uma cozinha construída em tijolo, a mais antiga jamais encontrada em águas dinamarquesas. Foram reconhecidos cerca de 200 tijolos, 15 telhas, além de potes de bronze e cerâmica.

Isto revela um conforto e uma organização excepcionais a bordo. Os marinheiros podiam saborear refeições quentes, semelhantes às que desfrutavam em terra”, disse Uldum, segundo o Museu do Navio Viking.

Um espelho do seu tempo

Objetos pessoais, como pentes, sapatos e rosários, completam o retrato da vida quotidiana. “O marinheiro levava consigo o seu quotidiano para o mar”, resume o arqueólogo.

Curiosamente, não foi encontrado qualquer vestígio da carga. O porão não estava coberto, pelo que barris ou fardos teriam flutuado após o naufrágio.

A ausência de lastro indica que o navio estava completamente carregado e não há sinais de conflito ou uso militar.

Para além do que transportava, o Svælget 2 reflete uma sociedade capaz de financiar grandes embarcações e sustentar redes comerciais complexas, oferecendo hoje uma janela rara para um mundo que durante séculos permaneceu oculto sob o mar.

Com informações de Tempo.com.

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Britz
Britz
03/02/2026 11:19

A/O “Roda dentada” é um erro de tradução, nome do navio, fazia parte do navio ou era carga do navio!??
Não cheguei a conclusão nenhuma!

Rikke Johansen
Rikke Johansen
Em resposta a  Britz
06/02/2026 06:53
Lucas
Lucas
30/01/2026 13:21

Eu só quero saber porque a roda dentada estava enterrada SOBRE a areia…

Romário Pereira de Carvalho

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