Escavações em el-Araj, no norte de Israel, revelaram estruturas romanas, moedas, lamparinas herodianas e outros artefatos que aumentam a confiança dos pesquisadores de que o local corresponde à antiga cidade bíblica de Betsaida, na Galileia
Uma equipe de arqueólogos afirma estar “absolutamente confiante” de que o sítio de el-Araj, no norte de Israel, corresponde à antiga Betsaida, cidade mencionada no Novo Testamento. A décima temporada de escavações revelou estruturas romanas, moedas, lamparinas e objetos que reforçam a identificação do local.

Novos achados reforçam identificação de Betsaida
A equipe da escavação Betsaida-Júlias trabalha há uma década nas ruínas de el-Araj, às margens do Mar da Galileia.
Segundo os pesquisadores, o conjunto acumulado de evidências tornou o perfil histórico do sítio mais claro a cada temporada.
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Nas escavações mais recentes, foram recuperados utensílios de maquiagem, moedas, lamparinas e dezenas de outros artefatos.
Também apareceram paredes do período romano, um almofariz de basalto e um capitel dórico quebrado, provavelmente pertencente a um edifício público.
Steven Notley, diretor acadêmico da escavação, afirmou que a análise considera o conjunto de evidências encontradas em todas as áreas pesquisadas, em vez de depender de uma descoberta isolada.
A décima temporada ampliou principalmente o conhecimento sobre Betsaida-Júlias entre os séculos I e III. Os arqueólogos também identificaram sinais de que um assentamento helenístico mais antigo permanece sob estruturas posteriores.

Lamparinas indicam presença judaica no século I
Entre os achados considerados importantes estão recipientes de pedra calcária e várias lamparinas herodianas intactas.
Segundo o material divulgado pela equipe, esses objetos eram produzidos exclusivamente em Jerusalém antes de 70 d.C.
Para os pesquisadores, isso comprova a presença de judeus no local durante o século I, período diretamente relacionado à identificação histórica de Betsaida.
Foi nessa época que a vila teria passado por uma transformação administrativa, tornando-se uma polis romana chamada Júlias, nome escolhido em homenagem à filha do imperador romano Augusto.
Os trabalhos também revelaram que, durante o período otomano, o proprietário sírio de Beit Habek construiu cocheiras diretamente sobre estruturas romanas antigas, sem novas fundações. Apesar disso, as paredes permaneceram sem rachaduras ou colapso até serem localizadas pelos arqueólogos.
Cidade aparece em episódio de cura narrado no Evangelho de Marcos
Nos relatos do Novo Testamento, Betsaida aparece associada à atuação de Jesus. O episódio citado especificamente na cidade é a cura de um homem cego, registrada no Evangelho de Marcos 8:22-26.
Segundo a narrativa apresentada no material-base, Jesus levou o homem para fora do povoado, colocou saliva sobre seus olhos e impôs as mãos. Inicialmente, o homem disse enxergar pessoas como árvores caminhando.
Após uma segunda imposição das mãos, sua visão teria sido completamente restaurada. Jesus então orientou o homem a voltar para casa e não entrar novamente na aldeia.
A região próxima de Betsaida também é relacionada, segundo a narrativa bíblica, ao episódio da multiplicação dos pães e peixes.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas sobre a equipe de escavação Betsaida-Júlias e nas declarações de Steven Notley, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

