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Arqueólogos encontram inscrições de visitantes indianos em tumbas egípcias de 2.000 anos no Vale dos Reis e descoberta surpreende estudiosos das estrelas e da história antiga

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 08/03/2026 às 20:06
Inscrições em línguas indianas encontradas em tumbas do Vale dos Reis indicam presença de visitantes da Índia no Egito há 2.000 anos.
Inscrições em línguas indianas encontradas em tumbas do Vale dos Reis indicam presença de visitantes da Índia no Egito há 2.000 anos.
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Pesquisadores identificaram cerca de 30 inscrições deixadas por visitantes vindos da Índia em seis tumbas do Vale dos Reis, no Egito, datadas entre os séculos I e III d.C., revelando presença estrangeira na região durante o domínio romano

Visitantes vindos da Índia deixaram cerca de 30 inscrições em tumbas egípcias de aproximadamente 2.000 anos no Vale dos Reis, no Egito. Os registros, escritos em três línguas indianas antigas, reforçam evidências da presença de pessoas do sul da Ásia na região durante o período romano.

Novas inscrições revelam visitantes estrangeiros no Vale dos Reis

Pesquisadores identificaram aproximadamente 30 inscrições distribuídas em seis tumbas diferentes no Vale dos Reis, local onde faraós e membros poderosos da elite egípcia foram enterrados durante séculos. Os textos estão escritos em três línguas indianas antigas e foram analisados em estudo recente.

Metade das inscrições identificadas está em tâmil antigo. Entre os nomes registrados aparece repetidamente o de um visitante chamado Cikai Korran, responsável por diversas marcas encontradas nas paredes de túmulos da necrópole egípcia.

As descobertas foram apresentadas em fevereiro durante uma conferência acadêmica realizada em Chennai, na Índia. Os resultados também foram publicados no livro “Tamil Epigraphy: A four-day international conference 11-14 February 2026, Proceedings Volume 1”, editado pelo Governo de Tamil Nadu.

Datação aponta período entre os séculos I e III

Durante a nova investigação, os estudiosos dataram as inscrições indianas entre o primeiro e o terceiro século d.C. Nesse período, o Egito fazia parte do Império Romano e o Vale dos Reis já era visitado por viajantes interessados nas tumbas antigas.

Segundo o professor Ingo Strauch, da Universidade de Lausanne, na Suíça, o local funcionava como um destino turístico semelhante ao que ocorre atualmente. Visitantes costumavam registrar seus nomes ou mensagens nas paredes das tumbas.

Esse comportamento não era exclusivo de viajantes locais. Pessoas vindas da Índia também deixaram registros, escrevendo ou gravando textos diretamente nas estruturas funerárias que estavam abertas à visitação.

Mensageiro de um rei indiano também deixou registro

Entre os textos encontrados está uma inscrição em sânscrito escrita por um homem chamado Indranandin. No registro, ele afirma ser um “mensageiro do Rei Kshaharata”, dinastia que governou parte da Índia durante o primeiro século d.C.

Não está claro qual governante específico da dinastia Kshaharata ele representava. No entanto, a inscrição sugere que Indranandin poderia estar em viagem diplomática ou comercial durante sua passagem pelo Egito.

Strauch considera possível que ele tenha chegado ao país por navio através do porto de Berenike, localizado na costa oriental egípcia no Mar Vermelho. A partir dali, ele poderia ter seguido para o interior até alcançar o Vale dos Reis.

Os pesquisadores também apontam a possibilidade de que ele estivesse viajando em direção a Roma. Como o Egito era governado pelo Império Romano na época, a rota poderia fazer parte de um trajeto mais amplo.

Cikai Korran deixou oito inscrições em cinco tumbas

Entre os visitantes identificados, Cikai Korran se destacou pela quantidade de registros encontrados. Ele escreveu seu nome oito vezes em cinco tumbas diferentes, sempre em tâmil antigo.

As inscrições deixadas por ele se traduzem como “Cikai Korran veio aqui e viu”. O padrão repetitivo da mensagem indica que ele registrava sua passagem pelos locais visitados no complexo funerário.

Uma característica observada pelos pesquisadores é que Korran costumava escrever seus registros em pontos elevados das estruturas. Em um caso específico, ele gravou sua inscrição entre cinco e seis metros acima da entrada do túmulo de Ramsés IX.

Ramsés IX governou o Egito aproximadamente entre 1126 a.C. e 1108 a.C. Os estudiosos não conseguiram determinar como Korran alcançou essa altura para registrar seu nome na parede da tumba.

Inscrição também aparece em tumba de dois faraós

Outra marca atribuída a Korran foi encontrada na entrada de uma tumba que pertenceu a dois faraós do Novo Império: Tausert e Setnakhte. Nesse local, a inscrição aparece isolada na entrada do monumento funerário.

Os pesquisadores observaram que essa é a única inscrição identificada nessa tumba. Isso sugere que, na época da visita de Korran, o interior do monumento estava fechado ao público.

Mesmo sem acesso à parte interna, ele conseguiu localizar a entrada da tumba e registrar seu nome no local. Esse detalhe indica que visitantes estrangeiros circulavam pela área mesmo quando algumas estruturas estavam inacessíveis.

Ainda não há informações conclusivas sobre quem exatamente era Cikai Korran. O idioma utilizado nas inscrições indica apenas que ele provavelmente era originário do sul da Índia.

Charlotte Schmid, pesquisadora da Escola Francesa do Extremo Oriente, afirmou que Korran poderia ter sido um chefe, mercenário ou comerciante. A razão pela qual ele repetia seu nome tantas vezes também permanece desconhecida.

Reações acadêmicas às descobertas

Pesquisadores que analisaram os resultados destacam que as inscrições oferecem novas evidências sobre contatos entre o sul da Ásia e o Egito antigo. Segundo especialistas, registros desse tipo eram esperados, mas raramente documentados em quantidade significativa.

O pesquisador independente Kasper Grønlund Evers afirmou que as descobertas correspondem exatamente ao tipo de evidência que estudiosos do comércio antigo buscavam encontrar. Ele destaca que os textos confirmam a presença de mercadores da Índia e de regiões próximas.

Para Alexandra von Lieven, professora de egiptologia da Universidade de Münster, as inscrições indicam não apenas a presença de visitantes indianos, mas também seu interesse direto pela cultura egípcia.

Segundo ela, novas pesquisas podem revelar outras inscrições semelhantes em diferentes sítios arqueológicos do Egito. Entre os locais que podem apresentar registros semelhantes estão templos e outros monumentos antigos espalhados pelo país.

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Augusto
Augusto
09/03/2026 14:06

Muito interessante! Esses indianos já falavam português há dois mil anos ! Gente fina

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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