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Arábia Saudita revitalizou o arranha-céu mais alto do mundo após mais de 10 anos de abandono: megatorre de US$ 20 bilhões voltará a crescer rumo aos 1.000 metros com 167 andares, quase 900 mil toneladas e tecnologia extrema no deserto do Mar Vermelho.

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 19/05/2026 às 12:57
Atualizado em 19/05/2026 às 17:15
Assista o vídeoJeddah Tower volta a avançar na Arábia Saudita e pode se tornar o edifício mais alto do mundo até 2028.
Jeddah Tower volta a avançar na Arábia Saudita e pode se tornar o edifício mais alto do mundo até 2028.
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Retomada da Jeddah Tower recoloca a Arábia Saudita no centro da corrida global por megaprojetos de engenharia, com avanço acelerado da torre que pretende superar 1.000 metros de altura e redefinir os limites técnicos da construção civil em ambiente desértico próximo ao Mar Vermelho.

Após anos de paralisação, a Jeddah Tower voltou a avançar na Arábia Saudita e já ultrapassou a marca de 100 pavimentos e 400 metros de altura, conforme atualização divulgada em abril de 2026 pela Thornton Tomasetti, empresa envolvida na engenharia estrutural do empreendimento.

Projetada para superar os 1.000 metros de altura, a megatorre pretende ultrapassar o Burj Khalifa e assumir o posto de edifício mais alto do planeta, reforçando a estratégia saudita de transformar Yeda em um dos principais polos urbanos e financeiros do Oriente Médio.

Em janeiro de 2025, a Kingdom Holding Company confirmou oficialmente a retomada das obras, incluindo a volta da concretagem e da construção em larga escala às margens do Mar Vermelho, região escolhida para abrigar um dos maiores projetos urbanos já anunciados pelo país.

Integrada à Jeddah Economic City, a torre faz parte de um desenvolvimento urbano estimado em cerca de US$ 20 bilhões e conduzido pela Jeddah Economic Company, responsável por coordenar a execução do empreendimento e o planejamento da área ao redor.

Jeddah Tower volta a avançar na Arábia Saudita e pode se tornar o edifício mais alto do mundo até 2028.
Jeddah Tower volta a avançar na Arábia Saudita e pode se tornar o edifício mais alto do mundo até 2028.

Anteriormente chamada de Kingdom Tower, a estrutura foi desenhada pelo escritório Adrian Smith + Gordon Gill Architecture, liderado pelo arquiteto Adrian Smith, que também participou da concepção do Burj Khalifa, em Dubai, atual recordista mundial com 828 metros de altura.

Jeddah Tower voltou a crescer após anos de paralisação

Iniciada em 2013, a construção perdeu ritmo a partir de 2017 e acabou entrando em um longo período de paralisação, cenário provocado por dificuldades envolvendo empreiteiras, financiamento, instabilidade administrativa e, posteriormente, os impactos globais causados pela pandemia de Covid-19.

Mesmo diante das interrupções, o projeto permaneceu inserido no planejamento estratégico saudita e continuou sendo tratado como peça relevante da Vision 2030, programa criado para reduzir a dependência econômica do petróleo e ampliar investimentos em turismo, tecnologia e infraestrutura.

Engenharia extrema sustenta torre de mais de 1 quilômetro

Muito antes de alcançar o céu, a engenharia da Jeddah Tower precisou resolver desafios complexos abaixo da superfície, principalmente por causa das condições do terreno costeiro próximo ao Mar Vermelho e da necessidade de sustentar uma estrutura com dimensões inéditas.

Para garantir estabilidade, o sistema de fundação combina um grande radier estrutural com 270 estacas escavadas, solução desenvolvida para distribuir cargas extremas e suportar o peso da torre em um ambiente marcado por calor intenso, umidade salina e elevado risco de corrosão.

Jeddah Tower volta a avançar na Arábia Saudita e pode se tornar o edifício mais alto do mundo até 2028.
Jeddah Tower volta a avançar na Arábia Saudita e pode se tornar o edifício mais alto do mundo até 2028.

Estudos técnicos apontam que algumas dessas estacas alcançam cerca de 105 metros de profundidade, conectadas diretamente a uma base de concreto armado preparada para resistir durante décadas às variações térmicas e aos esforços contínuos provocados pela estrutura.

Além disso, o projeto exige concreto de alto desempenho, aço especializado e rígido controle de materiais, já que pequenas falhas estruturais poderiam gerar impactos significativos em uma construção planejada para ultrapassar a marca de um quilômetro de altura.

Acima do solo, a torre adota um desenho com três asas assimétricas que se estreitam gradualmente conforme a altura aumenta, solução criada para reduzir os efeitos do vento e distribuir melhor os esforços sobre o núcleo central da estrutura.

Cidade vertical terá hotel, apartamentos e elevadores de alta velocidade

Planejada para funcionar como uma cidade vertical, a Jeddah Tower deverá reunir apartamentos de luxo, escritórios, hotel, áreas comerciais e um observatório panorâmico em altura inédita, além de dezenas de elevadores de alta velocidade distribuídos pelo núcleo central da construção.

Embora diferentes metodologias sejam usadas para contabilizar pavimentos técnicos e áreas ocupáveis, a previsão mais citada aponta que a estrutura completa terá cerca de 167 andares, consolidando o empreendimento entre os projetos mais ambiciosos já executados na engenharia moderna.

Outro desafio decisivo envolve a logística necessária para manter o canteiro de obras funcionando continuamente em ambiente desértico, exigindo fornecimento constante de concreto, aço, vidro, combustível, máquinas e milhares de trabalhadores especializados.

Para reduzir os impactos do calor extremo, dos ventos e da poeira sobre materiais e equipamentos, parte das operações é planejada em horários específicos, enquanto sistemas técnicos monitoram continuamente o desempenho estrutural e as condições da obra.

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Megaprojeto faz parte da estratégia Vision 2030

Com a retomada das obras e o avanço acelerado da estrutura, a Jeddah Tower voltou a atrair atenção internacional e passou novamente a ser tratada como um dos maiores desafios da engenharia contemporânea, ao lado de outros megaprojetos desenvolvidos atualmente pela Arábia Saudita.

Mais de 100 pavimentos já foram concluídos, resultado que reforçou o otimismo em torno do empreendimento depois de anos marcados por incertezas sobre financiamento, fornecimento de materiais, ritmo de execução e estabilidade operacional do canteiro de obras.

Ainda que a previsão mais mencionada indique conclusão por volta de 2028, projetos dessa magnitude costumam sofrer ajustes técnicos e financeiros ao longo da construção, especialmente em estruturas que operam próximas aos limites conhecidos da engenharia civil moderna.

Caso seja concluída conforme o planejamento atual, a torre deverá se transformar em uma vitrine global para tecnologias ligadas a fundações profundas, concreto de alto desempenho, resistência ao vento em grandes altitudes e operação urbana vertical em regiões de clima extremo.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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