Da infância no lixão em São Vicente ao empreendedorismo em Praia Grande, Patrícia Lopes Santos construiu duas confeitarias após abandono escolar, perdas familiares, gravidez precoce, pandemia e trabalho informal prolongado
A confeiteira Patrícia Lopes Santos, de 42 anos, abriu recentemente a segunda loja em Praia Grande, no litoral paulista, após uma trajetória marcada por trabalho infantil em lixão, abandono escolar e superação, transformando um negócio caseiro iniciado em 2015 em duas confeitarias ativas.
Patrícia começou a trabalhar aos 9 anos em um lixão de São Vicente, coletando recicláveis e restos de comida, após a mãe perder o emprego e a família enfrentar severa instabilidade financeira.
Ela morava com a mãe, o irmão e o então companheiro dela, no bairro Sambaiatuba, em São Vicente, onde relatou episódios de privação alimentar e abuso durante a infância.
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NOTA DE ESCLARECIMENTO E DIREITO DE RESPOSTA
Segundo Patrícia, o homem escondia comida da família e abusava dela, então com 8 anos, e da irmã, que vivia com uma madrinha.
Moradia precária e interrupção dos estudos
Após quase um ano, a mãe decidiu sair da casa e levou os filhos para um barraco no mesmo bairro, com espaço restrito a uma beliche e um guarda-roupas.
Sem condições financeiras, o irmão encontrou o lixão próximo e pediu para parar de estudar para trabalhar, decisão que Patrícia acompanhou voluntariamente.
Ela relatou que mexia no lixo sem luvas, separava material reciclável e vendia para levar dinheiro à mãe, sustentando parcialmente a família.
Patrícia lembra que caminhões despejavam alimentos descartados por mercados, vencidos ou abertos, que eram consumidos por várias famílias que dependiam daquele espaço.
Segundo ela, era comum encontrar carne, frutas, verduras, arroz, leite e danones, que garantiam a sobrevivência de quem trabalhava no lixão.
Aos 14 anos, Patrícia voltou a estudar, mas convivia com constrangimento na escola por causa do cheiro do lixão, que ainda era seu sustento.
Gravidez precoce e novas dificuldades
Aos 18 anos, começou a namorar, engravidou e continuou trabalhando no lixão, mesmo após ir morar com o pai da criança, relacionamento que não se manteve.
De volta à casa da mãe, Patrícia seguiu coletando recicláveis e enfrentou um período de extrema necessidade com o filho ainda pequeno.
Ela contou que um dia foi ao lixão em busca de dinheiro para comprar leite e encontrou um pacote aberto pela metade, o que a deixou muito aflita.
Separação do filho e perdas familiares
Sem condições financeiras, Patrícia precisou deixar o filho aos cuidados da avó paterna, decisão que marcou profundamente sua trajetória pessoal.
A mãe, alcoólatra, morreu de cirrose, enquanto o irmão entrou nas drogas, chegou a usar crack e sofreu traumatismo craniano, mas hoje está recuperado.
Apesar da separação, Patrícia afirmou que sempre ajudou a ex-sogra nos cuidados com o filho, mantendo vínculo e responsabilidade.
Primeira oportunidade fora do lixão
Aos 21 anos, Patrícia deixou o lixão quando um vizinho ofereceu emprego em uma padaria, oportunidade que ela descreveu como libertadora.
Segundo ela, o local não era um sonho, parecia mais um bar, mas representava uma vida melhor que o trabalho no lixão.
Com o tempo, conseguiu novas oportunidades em lanchonetes e padarias, ampliando sua visão de mundo além da realidade que conhecia.
Caminho até o empreendedorismo
Patrícia trabalhou cinco anos no ferro-velho da irmã, casou-se novamente e teve uma filha, até decidir mudar de atividade profissional.
Cansada do ferro-velho, passou a vender coxinhas em feirões de São Vicente e depois mudou-se para Praia Grande com o marido.
Em 2015, sonhou que vendia bolo de pote, buscou receitas no YouTube e começou a produzir, mesmo sem experiência previa.
Consolidação do negócio próprio
Ela iniciou as vendas em casa, recebeu encomendas, passou a fazer bolos personalizados e sentiu impacto na pandemia, quando festas foram suspensas.
Patrícia montou uma loja na garagem e, em 2023, abriu a primeira unidade perto de casa, estruturando o negócio gradualmente.
Recentemente, inaugurou a segunda loja, empregando nove pessoas e afirmando que ainda atua diretamente na produção, além da administração.
Encerrando a trajetória, Patrícia destacou que hoje tem duas casas, não falta nada para os filhos e segue agradecida pelas oportunidades conquistadas.
Com informações de G1.

Parabéns guerreira…a vitória sempre vem para aqueles que tem garra e nunca desistam de ser vitorioso O Criador nos deu a vida para sermos vitoriosos gratidão pela trajetória e lição de vida.
Qual o endereço da confeitaria da Patricia
Ola, temos uma na Hermenegildo pereira de frança 305 e uma na Av Presidente Kennedy 13078 PG
PATRÍCIA….DEUS É CONTIGO