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Após chuva arrastar 7.500 m³ de solo no Paraná, drones ajudam Embrapa e Itaipu a trocar 43 terraços por 29 e a capacidade de conter enxurradas mais que triplica

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 26/10/2026 às 18:52 Atualizado em 26/10/2026 às 18:55
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Drone branco com câmera pairando sobre plantação verde em terraços sinuosos de solo avermelhado
Drone e terraços agrícolas em representação visual das técnicas de conservação do solo e mapeamento por geotecnologia.
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Embrapa e Itaipu redesenharam terraços agrícolas em 115 hectares de Toledo (PR) usando drones e software. A intervenção trocou 43 estruturas por 29 e elevou a capacidade de retenção de água de 22 para 71 mm.

Uma área agrícola de 115 hectares no oeste do Paraná passou a contar com menos terraços de contenção e uma capacidade muito maior de segurar a água da chuva. Em Toledo, pesquisadores da Embrapa Soja e da Itaipu Binacional substituíram 43 terraços considerados ineficientes por 29 estruturas redesenhadas, usando drones e cálculos sobre o comportamento da enxurrada.

A Embrapa divulgou os resultados em 20 de outubro de 2026: a capacidade de retenção dos terraços passou de 22 para 71 milímetros de água, mais que o triplo do valor anterior. O projeto também respondeu a uma perda de solo registrada após uma tempestade intensa e buscou abrir mais espaço para máquinas agrícolas modernas.

Tempestade de 2017 arrastou 7.500 metros cúbicos de solo em Toledo

Uma tempestade em outubro de 2017 expôs o problema nas barreiras antigas. Na bacia hidrográfica de Toledo, caíram cerca de 160 milímetros em 18 horas. A água transbordou as estruturas existentes, e a perda estimada chegou a 7.500 metros cúbicos de solo, segundo os pesquisadores.

Terraços agrícolas são faixas de contenção construídas transversalmente à inclinação do terreno. Funcionam como obstáculos para diminuir a velocidade da enxurrada e favorecer a infiltração. Quando mal dimensionados, porém, podem deixar a água escapar justamente durante os temporais que deveriam suportar.

A equipe identificou estruturas que já apresentavam falhas hidráulicas e desempenho abaixo do necessário. As falhas levaram à revisão do desenho das barreiras em uma área de 115 hectares, mantendo a circulação de máquinas agrícolas.

Drones mapearam o terreno e ajudaram a trocar 43 terraços por 29

Para redesenhar o sistema, os pesquisadores recorreram a modelos digitais de elevação produzidos com drones e ao software Terraço 4.1, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). As imagens do relevo foram combinadas com medições de infiltração e estimativas do volume de água que corre pela superfície.

Vista aérea de área agrícola no Paraná mostra terraços e curvas de nível utilizados para controlar o escoamento da água e reduzir a erosão do solo. O mapeamento por drones permite avaliar o relevo e planejar estruturas mais eficientes. Foto:Adapar.
Vista aérea de área agrícola no Paraná mostra terraços e curvas de nível utilizados para controlar o escoamento da água e reduzir a erosão do solo. O mapeamento por drones permite avaliar o relevo e planejar estruturas mais eficientes. Foto:Adapar.

Com esse conjunto de informações, a Embrapa e a Itaipu puderam avaliar onde os terraços existentes eram insuficientes e definir dimensões mais adequadas para cada trecho. O trabalho resultou em 29 estruturas reprojetadas no lugar das 43 anteriores.

Os novos cálculos cruzaram a altura e a largura das barreiras com a intensidade da enxurrada e a infiltração de água. Assim, o desenho da proteção passou a responder às condições reais do relevo.

Altura média subiu de 26 para 72 centímetros e mudou a retenção de água

A alteração mais visível ocorreu nas dimensões. A altura média dos terraços aumentou de 0,26 metro para 0,72 metro, enquanto a capacidade calculada de retenção passou de 22 para 71 milímetros. A comparação corresponde a uma capacidade mais de três vezes maior para interceptar o escoamento.

Os valores medem a capacidade das estruturas de conter enxurradas na área estudada. A equipe acompanhou os efeitos desse redimensionamento sobre o escoamento de água e a formação de sinais de erosão.

Na avaliação dos pesquisadores, estruturas melhor dimensionadas interceptam água e sedimentos com maior eficiência. A água retida pode infiltrar-se no solo, enquanto a redução do escoamento superficial ajuda a evitar a formação de sulcos e o transporte de terra fértil.

Máquinas agrícolas maiores também exigiram mais espaço entre os terraços

O redimensionamento considerou outra mudança ocorrida nas propriedades rurais: tratores e implementos ficaram maiores e mais pesados. Nos sistemas antigos, a pouca distância entre as barreiras obrigava os operadores a realizar mais manobras, aumentando o tráfego e a compactação do solo.

Por isso, o estudo indicou ampliar a distância horizontal média entre os terraços de 28 para 51 metros, mantendo um espaçamento vertical próximo de três metros. A nova organização buscou conciliar conservação do terreno e circulação de equipamentos.

Em reportagem da Revista Cultivar, o pesquisador Júlio Franchini explicou que a proposta era tornar os terraços eficientes e, ao mesmo tempo, facilitar o deslocamento das máquinas robustas utilizadas atualmente. Menos estruturas, nesse caso, vieram acompanhadas de dimensões diferentes e planejamento mais preciso.

Chuvas acima de 30 milímetros por dia testaram as estruturas entre 2019 e 2024

O redesenho também foi acompanhado em campo. Segundo a Embrapa, entre 2019 e 2024 a microbacia enfrentou eventos de chuva superiores a 30 milímetros por dia sem apresentar sinais de erosão ou formação de sulcos nas condições observadas pelos pesquisadores.

Antes do redesenho, a enxurrada de 2017 havia transbordado os terraços e carregado milhares de metros cúbicos de solo. Os pesquisadores consideram os testes um indicativo da eficiência das novas estruturas para interceptar enxurradas e sedimentos na área experimental.

As conclusões integram um trabalho técnico documentado pela Embrapa em 2025 e divulgado ao público em outubro de 2026. O estudo sobre geotecnologias e infiltração de água detalha a metodologia aplicada no oeste paranaense.

Nova avaliação distingue terraços seguros daqueles perto de falhar

A pesquisa também trouxe uma forma de classificar a condição das estruturas. O pesquisador Henrique Debiasi apresentou o conceito de Capacidade Estrutural Relativa (CER), que compara quanto cada terraço consegue armazenar com a enxurrada produzida em seu entorno.

Com esses cálculos, os sistemas podem ser separados em três condições: seguros, marginais e sujeitos a falhas. A classificação intermediária ajuda a identificar terraços que ainda funcionam, mas se aproximam de uma condição crítica em determinadas chuvas ou práticas de manejo.

Essa leitura permite diferenciar áreas onde ajustes de manejo do solo podem bastar daquelas que exigem obras de redimensionamento. O diagnóstico evita tratar todas as estruturas antigas como se tivessem os mesmos problemas.

Pesquisa aponta caminho para outras áreas do Paraná com relevo semelhante

A região analisada em Toledo apresenta condições semelhantes às encontradas em aproximadamente 2 milhões de hectares no Paraná, de acordo com os pesquisadores. A semelhança abre espaço para avaliar a metodologia em outras bacias, com medições próprias de relevo, infiltração e chuva.

A Embrapa e a Itaipu esperam que os resultados auxiliem decisões de reforma de terraços, conservação da água e planejamento territorial. A intenção é levar a avaliação baseada em dados para áreas onde estruturas antigas já não acompanham as características do terreno ou dos equipamentos agrícolas.

Em Toledo, a comparação entre as estruturas antigas e as novas revelou que 29 terraços reprojetados passaram a oferecer uma capacidade de retenção superior à de 43 estruturas anteriores.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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