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Apareceu no Brasil: velejador alemão lança garrafa no oceano durante viagem de volta ao mundo pelo Atlântico Sul e, cinco anos depois, mensagem reaparece no Brasil

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 03/09/2026 às 20:57 Atualizado em 03/09/2026 às 20:58
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O recipiente encontrado na Praia do Cassino ainda guardava duas cartas, apesar da umidade e do tempo no mar. Sem rastreamento, o percurso exato permanece desconhecido, mas a circulação do Atlântico Sul ajuda a explicar como o objeto alcançou o litoral gaúcho.

Uma garrafa lançada nas proximidades da Ilha de Santa Helena e encontrada anos depois na Praia do Cassino, no Rio Grande do Sul, oferece um exemplo concreto de como objetos flutuantes podem permanecer por longos períodos no Atlântico, embora o caminho exato nunca tenha sido registrado.

O responsável pelo lançamento era Martin Finkbeiner, alemão que realizava uma volta ao mundo a bordo do veleiro Ivalu. Durante a travessia pelo Atlântico Sul, acompanhado da irmã, Barbara Bergfield, ele colocou mensagens em garrafas de vidro e as lançou ao mar.

A carta em inglês encontrada no Brasil tinha sido escrita em 2 de fevereiro de 2013. Martin informava que navegava pelo Atlântico em direção à Cidade do Cabo, na África do Sul, e pedia que quem encontrasse o recipiente contasse onde e quando isso havia ocorrido.

Mais de cinco anos depois, em 25 de fevereiro de 2018, Renan Elkuri e Camila Silveira, ambos com 17 anos na época, encontraram a garrafa enquanto caminhavam pela Praia do Cassino, em Rio Grande.

A GaúchaZH, que relatou o episódio, informou que o vidro estava fechado com rolha e tampa e tinha conchas aderidas à parte externa. Dentro havia dois papéis, um em inglês e outro em alemão, ainda identificáveis apesar dos sinais de umidade.

Das cartas ao contato com o velejador

Os jovens recorreram a um tradutor pela internet para compreender o material. Como o nome de Martin aparecia no texto, Renan e Camila procuraram o alemão no Facebook e enviaram uma mensagem informando que a carta havia chegado ao litoral gaúcho.

Martin respondeu no dia seguinte e reconheceu o material. Ele explicou que navegava com a irmã quando os dois, depois de 17 dias em alto-mar, decidiram lançar duas garrafas nas proximidades da Ilha de Santa Helena.

Uma delas foi a encontrada no Brasil, que continha os dois papéis; a outra havia sido preparada por Barbara para o marido.

A carta em alemão recolhida pelos jovens era destinada à mulher com quem Martin mantinha um relacionamento durante a viagem. Quando voltou a falar com os brasileiros, ele pediu que o conteúdo privado não fosse divulgado.

O lançamento ocorreu durante uma viagem muito mais extensa. Martin contou à GaúchaZH que sua volta ao mundo durou de 2010 a 2013, com partida de Kiel, no norte da Alemanha, e passagens por diferentes regiões da Europa, África, Ásia, Oceania e América Central antes do retorno ao país.

Amigos e outros tripulantes participaram de etapas da jornada, enquanto Martin permaneceu no Ivalu ao longo do percurso. A passagem pelo Atlântico Sul aconteceu dentro desse roteiro, no trecho em que ele navegava com Barbara em direção ao sul da África.

O papel das correntes do Atlântico Sul

A garrafa não tinha rastreador, transmissor ou outro equipamento que registrasse sua posição. Por isso, os pontos conhecidos são o lançamento informado por Martin perto de Santa Helena e o encontro na Praia do Cassino; o trajeto percorrido entre eles não pode ser reconstruído passo a passo.

À GaúchaZH, Osmar Moller Jr., então diretor do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande, explicou que correntes marítimas funcionam como grandes fluxos capazes de transportar materiais flutuantes pelo oceano. Na região, a circulação envolve correntes associadas às margens brasileira e africana.

Entre a África e a América do Sul, essa circulação forma caminhos oceânicos capazes de manter materiais flutuantes em movimento por longos períodos antes que sejam lançados em direção a alguma costa.

O oceanógrafo citou a Corrente do Brasil, junto à costa sul-americana, e a Corrente de Benguela, no lado africano. Também explicou que uma bifurcação da Corrente Sul Equatorial poderia ter levado o objeto em outra direção, o que impede tratar a chegada ao Rio Grande do Sul como uma rota linear.

Considerando os cinco anos transcorridos, Moller avaliou que o recipiente provavelmente circulou mais de uma vez pelo sistema antes de alcançar a praia. “Provavelmente, a garrafa fez mais de uma volta na corrente do Oceano Atlântico”, disse o professor à reportagem.

Ventos, ondas e mudanças nas correntes podem alterar o deslocamento de um objeto à deriva, enquanto a falta de rastreamento impede saber quanto tempo a garrafa permaneceu em cada região antes de chegar ao litoral brasileiro.

O estado do objeto indicava uma permanência prolongada no ambiente marinho. Conchas estavam presas ao vidro e os papéis apresentavam umidade, mas as informações preservadas foram suficientes para identificar Martin e permitir que os estudantes estabelecessem contato com ele.

Depois de concluir a viagem, Martin relatou à GaúchaZH que passou a falar em escolas sobre o descarte de resíduos no oceano. A garrafa encontrada no Brasil acabou servindo como exemplo, nas explicações do velejador, de que objetos deixados no mar podem percorrer grandes distâncias e reaparecer anos depois na costa.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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