Aos 66 anos, Miliana conseguiu sua primeira venda como corretora de imóveis ao negociar um apartamento de alto padrão de R$ 7,15 milhões em Goiás.
Sete meses depois de conquistar seu registro profissional, Miliana Cândida Rosa Ferreira, de 66 anos, conseguiu fechar a primeira transação de sua carreira como corretora de imóveis. A estreia ocorreu com a venda de um apartamento de alto padrão avaliado em R$ 7,15 milhões, em Goiás, depois de diversas tentativas que não haviam resultado em contratos.
A negociação começou longe de um estande sofisticado. Durante uma ação de panfletagem diante de uma padaria, Miliana percebeu um casal observando empreendimentos da região, venceu o receio de abordá-los e iniciou uma conversa que acabaria levando ao contrato milionário. As informações foram publicadas dia 5 de setembro pelo ND+.
Cliente apareceu durante distribuição de panfletos
O casal chamou a atenção de Miliana enquanto ela trabalhava na prospecção de interessados. A corretora decidiu se aproximar e apresentou um dos imóveis disponíveis em seu portfólio.
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Ela mostrou inicialmente o material de um prédio novo que possuía piscina e elevador privativos. A abordagem funcionou e abriu caminho para que os potenciais compradores conhecessem melhor as opções disponíveis.
No dia seguinte, entretanto, Miliana enfrentou um imprevisto familiar. Seu irmão precisou de atendimento hospitalar, impedindo que ela acompanhasse pessoalmente a primeira visita ao empreendimento.

A gerência da imobiliária deu continuidade ao atendimento. Durante o processo, o casal demonstrou interesse por uma unidade maior, e a negociação avançou até a apresentação do apartamento que posteriormente seria adquirido por R$ 7,15 milhões.
Mudança de carreira veio depois de décadas em outras profissões
A chegada ao mercado imobiliário ocorreu após uma trajetória profissional construída em atividades bastante diferentes. Antes de obter o CRECI, Miliana passou cerca de quatro décadas trabalhando em funções braçais, no comércio e na prestação de serviços.
Ela começou como faxineira para ajudar no sustento familiar. Em outra etapa, trabalhou como feirante, vendendo produtos como temperos caseiros, bacon e aves desossadas.
A experiência mais longa veio no setor de eventos. Durante aproximadamente 30 anos, atuou como cozinheira e cerimonialista de buffet, participando da organização de recepções e colações de grau.
Aos 66 anos, decidiu buscar uma nova profissão. Sem experiência anterior na corretagem, matriculou-se em um curso preparatório para iniciantes, concluiu a formação necessária e conseguiu o registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis.
Infância e juventude foram marcadas por dificuldades
Natural de Uberlândia, em Minas Gerais, Miliana perdeu a mãe quando tinha oito anos. Anos depois, ainda jovem, enfrentaria uma situação mais extrema.
Aos 18 anos, ficou em situação de rua acompanhada do filho, que tinha menos de um mês de vida. Sem condições regulares de alimentação, chegou a ficar sem comer diariamente, situação que também prejudicou a possibilidade de amamentar o bebê.

O período começou a mudar quando ela recebeu apoio temporário e conseguiu uma moradia. A partir daí, entrou no mercado informal e passou a exercer diferentes ocupações para reconstruir a rotina familiar.
Essa experiência ocorreu décadas antes da decisão de entrar no mercado imobiliário, quando já havia acumulado uma longa trajetória em trabalhos voltados principalmente à prestação de serviços.
Primeira venda demorou sete meses após registro profissional
Conquistar a autorização para trabalhar como corretora não significou encontrar clientes imediatamente. Durante os sete meses seguintes à obtenção do CRECI, Miliana fez tentativas e enfrentou recusas sem conseguir concluir uma transação.
Foi a prospecção realizada pessoalmente que mudou essa situação. Ao perceber o casal na padaria, ela decidiu apresentar seu portfólio mesmo sentindo insegurança diante da abordagem.
A assinatura do contrato encerrou a espera pela primeira venda e colocou a corretora diante de um negócio de alto padrão logo em sua estreia profissional.
O valor de R$ 7,15 milhões corresponde ao imóvel negociado. A quantia recebida por Miliana foi a comissão resultante dessa transação, cujo valor específico não foi informado.

Comissão deverá ajudar na reorganização financeira da família
Com a primeira negociação concluída, Miliana já definiu alguns destinos para o dinheiro recebido pela comissão. Entre os planos está o conserto do automóvel utilizado pelo marido. Ela também pretende comprar outro veículo para utilizar tanto nos compromissos pessoais quanto na nova rotina profissional.
Outra prioridade é formar uma reserva financeira para a aposentadoria, aumentando a segurança econômica na terceira idade.
A venda representa uma mudança importante para alguém que passou boa parte da vida profissional em atividades muito distantes da corretagem. Aos 66 anos, depois de décadas como faxineira, feirante, cozinheira e cerimonialista, Miliana iniciou uma nova fase justamente com uma negociação de R$ 7,15 milhões — resultado de uma abordagem feita enquanto distribuía panfletos na porta de uma padaria.
