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Aos 5 anos, Samyr Oliveira deixou Petrolândia antes de a cidade ser engolida pelo Lago de Itaparica e, 29 anos depois, mergulhou 19 metros para reencontrar igreja submersa da própria infância

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 03/09/2026 às 17:13
Mergulhador diante de ruínas parcialmente submersas que representam construções da antiga Petrolândia, inundada pelo Lago de Itaparica.
Imagem ilustrativa representa mergulhador diante das ruínas de Petrolândia, cidade inundada pelo Lago de Itaparica, cenário ligado à trajetória de Samyr Oliveira.
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Samyr Oliveira deixou a antiga Petrolândia ainda criança, voltou décadas depois como mergulhador e encontrou a Matriz de São Francisco de Assis preservada sob as águas do reservatório.

Samyr Oliveira tinha apenas cinco anos quando deixou a antiga Petrolândia, no Sertão de Pernambuco, antes de a cidade ser atingida pelas águas do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaparica, atualmente chamada de Luiz Gonzaga. A mudança não aconteceu por escolha da família. A antiga área urbana seria inundada, e os moradores precisariam reconstruir a vida em outro ponto do município.

Décadas depois, Samyr encontrou uma maneira pouco comum de voltar ao lugar onde viveu durante a infância. Com equipamentos de mergulho, começou a descer pelas águas do Lago de Itaparica e a percorrer os vestígios da cidade que permaneceram no fundo do reservatório.

A experiência ganhou um significado ainda maior em 2017, quando ele decidiu procurar um dos edifícios mais importantes da antiga Petrolândia. O objetivo era encontrar a Igreja Matriz de São Francisco de Assis, desaparecida sob as águas havia quase três décadas.

Busca pela Matriz de São Francisco de Assis levou mergulhadores a 19 metros de profundidade

Encontrar a antiga igreja não foi simples. Samyr já havia passado quase um dia mergulhando na região sem conseguir localizar a construção, enquanto moradores acreditavam que o prédio poderia ter desabado após tantos anos debaixo d’água.

A busca mudou quando Samyr e o mergulhador Fagner Barros conseguiram um mapa de Petrolândia datado de 1987. Com o documento, os dois calcularam a posição aproximada da antiga matriz e planejaram uma nova tentativa no reservatório.

Em 28 de outubro de 2017, a dupla entrou novamente na água e passou aproximadamente duas horas procurando pelo templo. A cerca de 19 metros de profundidade, uma parede alta apareceu diante dos mergulhadores. Logo depois, as grandes janelas confirmaram que a construção havia sido localizada.

A igreja estava cerca de 50 metros distante do ponto onde o barco havia sido ancorado. Debaixo d’água, Samyr não podia comemorar falando. Ele se comunicou com Fagner por gestos e apontou para as ruínas que haviam permanecido escondidas durante décadas.

Ruínas de construção parcialmente submersa no Lago de Itaparica representam a antiga Petrolândia, cidade inundada em Pernambuco.
Imagem ilustrativa representa uma das construções parcialmente submersas nas águas de Petrolândia, cenário que preserva vestígios da antiga cidade inundada pelo Lago de Itaparica.

Mergulhos transformaram a antiga Petrolândia em uma experiência de contato direto com a história

A descoberta da matriz não encerrou a relação de Samyr com a cidade submersa. Durante mais de uma década, ele passou a levar visitantes pelas águas de Petrolândia e transformou as lembranças da própria infância em uma maneira de apresentar a história local aos turistas.

Samyr costumava definir o que existia abaixo do barco como um “tesouro submerso”. A expressão ajudava a resumir uma experiência pouco comum, já que os mergulhadores não apenas ouviam relatos sobre uma cidade inundada, mas podiam descer até parte de suas antigas estruturas.

As águas do reservatório ainda escondem ruas, paredes e construções ligadas ao antigo núcleo urbano. A própria Prefeitura de Petrolândia apresenta a área submersa como opção para pessoas que praticam mergulho e desejam conhecer vestígios deixados pela inundação.

Esse cenário também ajudou a criar a imagem de Petrolândia como uma espécie de cidade escondida sob o São Francisco. Parte dessa memória permaneceu completamente submersa, enquanto outra construção se transformou em um dos cartões-postais mais conhecidos da região.

Igreja encontrada por Samyr não é o templo que aparece parcialmente acima das águas

A Matriz de São Francisco de Assis localizada por Samyr não deve ser confundida com a igreja que costuma aparecer nas fotografias do Lago de Itaparica. O templo visível acima da superfície é a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, localizada na antiga comunidade de Barreiras.

A construção foi parcialmente inundada em 1988 e passou a chamar atenção por permanecer cercada pelas águas do reservatório. Dependendo do nível do lago, partes das paredes e da estrutura surgem acima da superfície.

A paisagem criou uma das imagens mais conhecidas de Petrolândia. Em determinados períodos, os tijolos aparecem no meio da imensidão de água, enquanto boa parte da construção continua escondida abaixo do nível do reservatório.

A antiga matriz procurada por Samyr possui outra história. Ela permaneceu completamente submersa durante décadas e precisou ser localizada por meio de mergulho, com apoio do mapa produzido antes da inundação.

Formação do Lago de Itaparica obrigou moradores a deixar a antiga Petrolândia em 1988

A história da cidade submersa está diretamente ligada à construção do reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaparica, atualmente denominada Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. O projeto alterou profundamente a paisagem de uma região ocupada havia décadas por moradores do Sertão pernambucano.

Em 6 de março de 1988, a sede administrativa foi transferida para a nova Petrolândia, segundo registros da Prefeitura Municipal. A antiga área urbana acabou atingida pelas águas, enquanto os moradores passaram a ocupar a cidade reconstruída em outro local.

A Prefeitura de Petrolândia informa que vestígios da antiga cidade permanecem atualmente entre aproximadamente 20 e 30 metros abaixo da superfície. Ruas e construções que fizeram parte da vida cotidiana ficaram preservadas sob as águas do reservatório.

Foi nesse cenário que Samyr voltou a encontrar fragmentos do lugar onde havia vivido quando criança. A cidade que ele deixou pela estrada passou a ser acessada novamente décadas depois por meio de equipamentos de mergulho.

Imagem em preto e branco representa construção da antiga Petrolândia antes de a cidade ser parcialmente inundada pelo Lago de Itaparica em 1988.
Imagem ilustrativa representa a arquitetura da antiga Petrolândia antes da inundação de 1988, quando parte do município foi coberta pelas águas do Lago de Itaparica.

Samyr Oliveira transformou lembranças da infância em parte da memória turística de Petrolândia

Samyr Oliveira morreu em 22 de janeiro de 2026, em Serra Talhada. Ao registrar sua morte, a Câmara Municipal de Petrolândia destacou sua atuação como empresário e sua participação em iniciativas relacionadas ao desenvolvimento do turismo regional.

A Secretaria Municipal de Cultura de Petrolândia também ressaltou a ligação de Samyr com a preservação e a divulgação da memória local. Sua trajetória acabou associada justamente às águas que transformaram profundamente a cidade durante sua infância.

O menino que deixou Petrolândia aos cinco anos voltou ao mesmo território décadas depois de uma maneira que provavelmente seria impossível imaginar naquele momento. Em vez das antigas ruas, encontrou água; no lugar das fachadas, encontrou paredes submersas e construções preservadas no fundo do reservatório.

A história de Samyr Oliveira permanece ligada a Petrolândia por esse reencontro. Ele deixou a cidade antes da inundação e, quase três décadas depois, mergulhou 19 metros para localizar uma igreja que havia feito parte da paisagem de sua infância.

O que mais chama sua atenção na história de Petrolândia: a cidade ter sido inundada pelo Lago de Itaparica ou Samyr Oliveira ter voltado 29 anos depois e mergulhado 19 metros para reencontrar a antiga igreja de sua infância? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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