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Aos 47 anos e com câncer terminal, homem decide fazer o próprio velório em vida, reúne amigos e familiares com roda de samba e explica por que se recusa a dizer que está morrendo

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 15/09/2026 às 15:00
Retrato ilustrativo em homenagem a Tiago Pitthan durante velório em vida, cercado por flores, plantas e mensagens de carinho.
Imagem ilustrativa representa a celebração em vida de Tiago Pitthan, que, aos 47 anos e com câncer terminal, decidiu reunir amigos e familiares antes de sua morte.
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Tiago Pitthan descobriu um câncer agressivo no estômago, recebeu o diagnóstico de doença metastática e transformou o próprio velório em vida em uma celebração ao lado de amigos e familiares.

Aos 47 anos, Tiago Pitthan decidiu enfrentar um câncer em estágio terminal de uma maneira diferente. Depois de descobrir que a doença havia se espalhado e passar por quimioterapia e imunoterapia, ele resolveu organizar o próprio velório enquanto ainda estava vivo. O encontro aconteceu em 30 de maio de 2026 e reuniu amigos, familiares e outras pessoas em uma celebração marcada por roda de samba e pela vontade de aproveitar o tempo que ainda tinha.

A decisão chamou atenção não apenas pela ideia de participar do próprio velório, mas pela maneira como Tiago passou a lidar com a proximidade da morte. Em vez de evitar palavras como câncer, morte e velório, ele fazia questão de pronunciá-las e falar abertamente sobre sua condição. Sua explicação era direta: sabia que morreria, mas entendia que, enquanto isso não acontecesse, continuava vivendo.

Câncer agressivo no estômago começou a dar sinais no réveillon de 2024 e depois foi identificado como metastático

Os primeiros sintomas apareceram no réveillon de 2024. Tiago descobriu um câncer agressivo no estômago e chegou a ter uma cirurgia marcada. A expectativa mudou quando o médico entrou no quarto e explicou que o procedimento não havia ocorrido como esperado, porque a doença já apresentava metástase.

Segundo Tiago, o câncer havia alcançado o intestino grosso e o intestino delgado. A descoberta mudou as possibilidades de tratamento e colocou diante dele uma realidade difícil de assimilar. O diagnóstico de câncer terminal provocou um choque e fez com que a morte deixasse de ser uma possibilidade abstrata para se transformar em algo diretamente relacionado à própria vida.

Tiago passou a realizar quimioterapia e imunoterapia na tentativa de desacelerar o crescimento dos tumores. No fim de 2025, porém, a doença piorou. Foi nesse período que sua relação com o tempo começou a mudar, porque ele percebeu que saber que morreria não significava considerar que já estivesse morto.

Diagnóstico terminal fez Tiago Pitthan perceber o tempo como um dos bens mais preciosos que ainda possuía

A mudança de perspectiva apareceu quando Tiago resumiu para si mesmo a situação: “Eu vou morrer, mas não estou morto”. A partir desse entendimento, ele passou a considerar o tempo como um dos bens mais preciosos disponíveis e decidiu aproveitá-lo principalmente ao lado das pessoas importantes em sua vida.

O câncer continuava avançando e os tratamentos buscavam desacelerar os tumores, mas Tiago não queria que a doença definisse cada momento restante. Ele passou a usar mais do próprio tempo com outras pessoas e encontrou nessa convivência uma maneira de continuar vivendo apesar da consciência sobre a proximidade da morte.

Essa percepção também influenciou a forma como conversava sobre a doença. Tiago notou que muitas pessoas evitavam falar diretamente sobre câncer, morte e velório desde o início de seu tratamento. Para ele, deixar essas palavras sem nome poderia torná-las ainda mais assustadoras, razão pela qual preferia encarar cada uma delas abertamente.

Tiago fazia questão de falar sobre câncer, morte e velório porque não queria ser assombrado pelo que as pessoas evitavam nomear

A relação direta com a própria condição se tornou uma característica da maneira como Tiago enfrentava o diagnóstico. Ele dizia ter câncer e reconhecia que morreria, sem tentar retirar essas palavras das conversas. Sua postura partia da percepção de que a morte acontece com todas as pessoas, embora normalmente seja tratada como algo distante.

O impacto foi diferente quando essa realidade passou a fazer parte de sua própria história. Ao descobrir que o câncer era terminal, Tiago contou ter encarado o momento de frente e reconhecido para si mesmo que iria morrer. A constatação não significou abandonar a vontade de viver, mas reorganizar a maneira como pretendia aproveitar o período disponível.

Foi dessa combinação entre consciência da morte e vontade de permanecer presente que nasceu a ideia do velório em vida. Tiago não queria apenas imaginar o que amigos e familiares fariam depois de sua partida. Ele queria encontrá-los, celebrar e participar daquele momento enquanto ainda pudesse estar ao lado deles.

Velório em vida começou com lista de 50 convidados, passou para 100 e terminou aberto para quem quisesse celebrar ao lado de Tiago

O encontro aconteceu em 30 de maio de 2026 e foi pensado como uma celebração à vida. A primeira lista elaborada para o evento reunia cerca de 50 convidados, mas rapidamente aumentou para aproximadamente 100 pessoas. Depois, a ideia ficou ainda mais aberta e a orientação passou a ser simples: quem quisesse participar poderia chegar.

A celebração começou com uma roda de samba e ganhou dimensões maiores do que as imaginadas inicialmente. O ambiente refletia justamente aquilo que Tiago pretendia construir ao antecipar o próprio velório: uma oportunidade de reunir pessoas enquanto ele ainda estava presente para compartilhar o encontro.

Para sua mãe, Mabel Schueler, aceitar a proposta exigiu um processo diferente. Ela reconheceu que a situação era difícil e resumiu o sentimento ao dizer que iria ao velório do próprio filho vivo. A experiência carregava o peso da doença, mas também permitia que mãe, familiares e amigos estivessem com Tiago durante uma cerimônia que normalmente aconteceria sem a presença dele.

Imagem ilustrativa representa o velório em vida de Tiago Pitthan, que transformou a própria despedida em uma celebração com roda de samba, amigos e familiares.
Homem com chapéu celebra velório em vida durante roda de samba, cercado por músicos, amigos e convidados.

Velório em vida transformou uma despedida normalmente realizada depois da morte em uma celebração com o próprio homenageado presente

A proposta de Tiago invertia a lógica tradicional de uma despedida. Em vez de deixar homenagens e encontros para depois de sua morte, ele decidiu participar daquele momento e aproveitar a presença das pessoas que faziam parte de sua trajetória. O velório em vida se tornou, dessa maneira, uma extensão da forma como ele passou a enxergar o próprio tempo.

A proximidade da morte não desapareceu e Tiago também não tentava escondê-la. O que mudou foi a maneira como decidiu ocupar o período que ainda possuía. Ele continuava tratando o câncer com quimioterapia e imunoterapia, enquanto procurava passar mais tempo com familiares e amigos.

O encontro de 30 de maio materializou essa escolha. Tiago pôde estar presente em uma celebração construída justamente em torno de sua vida, ouvir as pessoas, compartilhar momentos e transformar uma cerimônia normalmente marcada pela ausência em uma experiência realizada enquanto ainda estava vivo.

“Quando eu morrer, eu morri”: resposta de Tiago resumiu por que ele preferia dizer que estava vivendo, e não morrendo

Muitas pessoas perguntavam a Tiago como era estar morrendo. Ele respondia que não sabia, porque não se considerava alguém que estivesse morrendo naquele momento. Sua interpretação partia de uma diferença simples: a morte chegaria, mas ainda não havia chegado.

“Eu estou vivendo e, quando eu morrer, eu morri, mas até lá, eu estou vivendo, não estou morrendo”, dizia Tiago. A frase condensava a perspectiva que ele desenvolveu depois do diagnóstico terminal e ajuda a explicar por que decidiu organizar uma celebração antes que amigos e familiares precisassem se reunir para uma despedida sem sua presença.

A história de Tiago Pitthan ganhou força justamente por essa escolha. Diante de um câncer agressivo, da metástase e da consciência de que seu tempo poderia ser limitado, ele decidiu não antecipar emocionalmente a própria morte. Enquanto pudesse estar com as pessoas que amava, sua prioridade seria continuar vivendo.

O que você acha da decisão de Tiago Pitthan de realizar o próprio velório em vida: você participaria de uma celebração assim para aproveitar a presença de amigos e familiares ou preferiria uma despedida tradicional? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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