Em La Paz, na região argentina de Traslasierra, Mauricio constrói a própria casa com madeira, palha e barro, capta água da chuva, usa energia solar e recorre a serviços de jardinagem, cozinha e reparos para obter renda fora do emprego formal.
Mauricio passou a dividir os dias entre trabalhos remunerados, construção da própria casa e manutenção do terreno depois de deixar Buenos Aires e se mudar para La Paz, na província de Córdoba. A nova rotina depende de soluções que ele mesmo instalou para água e eletricidade.
A história foi relatada por Mauricio em entrevista ao canal Crónicas del Cambio – De Música Rutera e também publicada pelo LA NACION. Antes da mudança, ele trabalhava em uma fábrica da Fiat e já demonstrava insatisfação com o ritmo que levava na capital argentina.
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Um acidente de motocicleta entrou nesse processo como momento de reflexão. Mauricio contou que, anos antes, havia escrito que gostaria de chegar aos 40 vivendo no campo, com mais tranquilidade e liberdade para organizar o próprio tempo; a mudança acabou acontecendo aos 37.
Trabalhos avulsos substituíram o salário mensal
Sair da fábrica eliminou a previsibilidade do salário. Em vez de buscar outro emprego formal, Mauricio passou a aceitar diferentes serviços conforme surgem oportunidades, entre eles jardinagem, trabalhos ligados à cozinha e pequenos reparos.
A renda não vem de uma única ocupação. Ele combina atividades distintas e usa as habilidades que possui para conseguir dinheiro, enquanto reserva parte dos dias para a obra da casa e para as necessidades da propriedade onde passou a viver.
No relato, Mauricio associou essa escolha à ideia de que ferramentas, disposição para trabalhar e conhecimentos práticos podem criar alternativas mesmo sem um emprego convencional. O sustento passou a depender da disponibilidade para assumir tarefas diferentes, em vez de um pagamento garantido no fim do mês.
O receio de ficar sem recursos financeiros esteve entre as preocupações mencionadas por ele. Mauricio explicou que preferiu enfrentar essa incerteza a permanecer em uma situação confortável apenas pelo medo de mudar, avaliação que fez ao descrever a decisão de abandonar o trabalho formal.
Sem a jornada determinada pela fábrica, também mudou a organização dos horários. Os dias passaram a ser distribuídos entre os serviços remunerados que aparecem, o avanço da construção e as tarefas necessárias para manter o terreno funcionando.
Casa é construída com madeira, palha e barro
No terreno em La Paz, Mauricio ergue a residência com a técnica conhecida como quincha, que combina uma estrutura de madeira com materiais como palha e barro para formar as paredes.
Ele não tinha experiência profissional em construção quando iniciou o projeto e aprendeu durante a execução da obra. O trabalho avança por etapas, conforme consegue dedicar tempo à construção e reunir os materiais necessários para cada parte da casa.
A primeira estrutura concluída no terreno nem sequer foi um quarto. Antes das paredes principais da residência, Mauricio construiu um forno de barro para preparar alimentos enquanto continuava a desenvolver o restante do espaço.
A casa ainda não está totalmente pronta, mas já é utilizada durante a nova rotina. Mauricio continua trabalhando na construção ao mesmo tempo em que assume serviços remunerados e executa as tarefas necessárias para manter a propriedade.
Água da chuva e energia solar atendem parte das necessidades
A propriedade não tem abastecimento de água nem ligação com a rede elétrica. Para obter água, Mauricio preparou uma drenagem que direciona o volume acumulado no terreno durante as chuvas e permite armazenar parte desse recurso para uso posterior.
Na eletricidade, a solução adotada foi um pequeno painel solar, responsável por fornecer parte da energia utilizada no local. A estrutura disponível faz com que o consumo precise ser ajustado ao que o sistema consegue produzir.
A captação da chuva e a geração solar não eliminaram a necessidade de trabalhar para obter renda. Mauricio continua dependendo dos serviços que consegue realizar para sustentar a rotina e atender às necessidades que não podem ser resolvidas apenas com os recursos disponíveis no terreno.
Manter esse modo de vida também exige trabalho diário. A administração da água armazenada, o uso da energia disponível, os serviços pagos e a construção da residência passaram a integrar uma rotina diferente daquela que Mauricio mantinha enquanto trabalhava na fábrica.
Além da busca por maior autonomia, Mauricio relacionou a mudança ao desejo de passar mais tempo com os três filhos. A decisão de viver no interior de Córdoba também foi apresentada por ele como uma maneira de reduzir o ritmo cotidiano e ampliar a convivência familiar.
