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Aos 37 anos, ex-funcionário da Fiat deixa Buenos Aires e passa a viver sem água nem eletricidade da rede, troca o salário fixo por trabalhos avulsos e revela como sustenta sua nova rotina

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 15/09/2026 às 16:13
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Em La Paz, na região argentina de Traslasierra, Mauricio constrói a própria casa com madeira, palha e barro, capta água da chuva, usa energia solar e recorre a serviços de jardinagem, cozinha e reparos para obter renda fora do emprego formal.

Mauricio passou a dividir os dias entre trabalhos remunerados, construção da própria casa e manutenção do terreno depois de deixar Buenos Aires e se mudar para La Paz, na província de Córdoba. A nova rotina depende de soluções que ele mesmo instalou para água e eletricidade.

A história foi relatada por Mauricio em entrevista ao canal Crónicas del Cambio – De Música Rutera e também publicada pelo LA NACION. Antes da mudança, ele trabalhava em uma fábrica da Fiat e já demonstrava insatisfação com o ritmo que levava na capital argentina.

Um acidente de motocicleta entrou nesse processo como momento de reflexão. Mauricio contou que, anos antes, havia escrito que gostaria de chegar aos 40 vivendo no campo, com mais tranquilidade e liberdade para organizar o próprio tempo; a mudança acabou acontecendo aos 37.

Trabalhos avulsos substituíram o salário mensal

Sair da fábrica eliminou a previsibilidade do salário. Em vez de buscar outro emprego formal, Mauricio passou a aceitar diferentes serviços conforme surgem oportunidades, entre eles jardinagem, trabalhos ligados à cozinha e pequenos reparos.

A renda não vem de uma única ocupação. Ele combina atividades distintas e usa as habilidades que possui para conseguir dinheiro, enquanto reserva parte dos dias para a obra da casa e para as necessidades da propriedade onde passou a viver.

No relato, Mauricio associou essa escolha à ideia de que ferramentas, disposição para trabalhar e conhecimentos práticos podem criar alternativas mesmo sem um emprego convencional. O sustento passou a depender da disponibilidade para assumir tarefas diferentes, em vez de um pagamento garantido no fim do mês.

O receio de ficar sem recursos financeiros esteve entre as preocupações mencionadas por ele. Mauricio explicou que preferiu enfrentar essa incerteza a permanecer em uma situação confortável apenas pelo medo de mudar, avaliação que fez ao descrever a decisão de abandonar o trabalho formal.

Sem a jornada determinada pela fábrica, também mudou a organização dos horários. Os dias passaram a ser distribuídos entre os serviços remunerados que aparecem, o avanço da construção e as tarefas necessárias para manter o terreno funcionando.

Casa é construída com madeira, palha e barro

No terreno em La Paz, Mauricio ergue a residência com a técnica conhecida como quincha, que combina uma estrutura de madeira com materiais como palha e barro para formar as paredes.

Ele não tinha experiência profissional em construção quando iniciou o projeto e aprendeu durante a execução da obra. O trabalho avança por etapas, conforme consegue dedicar tempo à construção e reunir os materiais necessários para cada parte da casa.

A primeira estrutura concluída no terreno nem sequer foi um quarto. Antes das paredes principais da residência, Mauricio construiu um forno de barro para preparar alimentos enquanto continuava a desenvolver o restante do espaço.

A casa ainda não está totalmente pronta, mas já é utilizada durante a nova rotina. Mauricio continua trabalhando na construção ao mesmo tempo em que assume serviços remunerados e executa as tarefas necessárias para manter a propriedade.

Água da chuva e energia solar atendem parte das necessidades

A propriedade não tem abastecimento de água nem ligação com a rede elétrica. Para obter água, Mauricio preparou uma drenagem que direciona o volume acumulado no terreno durante as chuvas e permite armazenar parte desse recurso para uso posterior.

Na eletricidade, a solução adotada foi um pequeno painel solar, responsável por fornecer parte da energia utilizada no local. A estrutura disponível faz com que o consumo precise ser ajustado ao que o sistema consegue produzir.

A captação da chuva e a geração solar não eliminaram a necessidade de trabalhar para obter renda. Mauricio continua dependendo dos serviços que consegue realizar para sustentar a rotina e atender às necessidades que não podem ser resolvidas apenas com os recursos disponíveis no terreno.

Manter esse modo de vida também exige trabalho diário. A administração da água armazenada, o uso da energia disponível, os serviços pagos e a construção da residência passaram a integrar uma rotina diferente daquela que Mauricio mantinha enquanto trabalhava na fábrica.

Além da busca por maior autonomia, Mauricio relacionou a mudança ao desejo de passar mais tempo com os três filhos. A decisão de viver no interior de Córdoba também foi apresentada por ele como uma maneira de reduzir o ritmo cotidiano e ampliar a convivência familiar.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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