Robert Carter recebeu três irmãos em sua casa e só depois descobriu que duas meninas da mesma família estavam em outros lares temporários. A primeira reunião das cinco crianças, após cerca de seis meses separadas, mudou seus planos e levou o pai solteiro de Cincinnati a assumir uma decisão muito maior.
Robert Carter tinha 29 anos quando entrou em um tribunal de Cincinnati, no estado americano de Ohio, em 30 de outubro de 2020, e saiu de lá oficialmente como pai de cinco crianças. Marionna, Robert, Makayla, Giovanni e Kiontae, então com idades entre 4 e 10 anos, eram irmãos, mas haviam sido distribuídos entre diferentes famílias do sistema de acolhimento.
Para Carter, a separação não era um detalhe burocrático do processo. Ele próprio havia passado pela experiência na infância. Terceiro mais velho entre nove irmãos, entrou no sistema de foster care dos Estados Unidos ainda criança e passou anos sem conviver com parte da família. Segundo a ABC News, ele tinha 12 anos quando foi colocado sob acolhimento.
Décadas depois, ao perceber que a história começava a se repetir diante dele, Carter decidiu interferir. Primeiro recebeu três meninos. Depois descobriu que eles tinham duas irmãs vivendo em outras casas. O plano de cuidar de três crianças acabou se transformando na adoção definitiva das cinco.
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Aos 12 anos, Carter foi separado de oito irmãos e chegou à vida adulta sem ser adotado
Antes de se tornar pai, Carter conheceu o sistema de proteção infantil pelo outro lado. De acordo com a ABC News, ele era o terceiro mais velho de nove filhos e, ainda adolescente, foi afastado de sua família e colocado sob acolhimento.
Uma das lembranças que mais tarde explicariam sua decisão envolvia o irmão mais novo. Carter contou ao programa “Good Morning America” que o menino tinha apenas 2 anos quando os dois foram separados. Ele só voltaria a vê-lo quando o irmão tivesse 16 anos.
Depois de deixar o sistema, Carter chegou a obter a guarda de uma irmã mais nova e a tutela de um irmão. Uma biografia publicada posteriormente pelo Congressional Coalition on Adoption Institute também registra que, antes de entrar no acolhimento, ele já exercia parte das responsabilidades de um adulto dentro da própria casa.
Em entrevista concedida anos depois à CBS News, Carter relatou que, ainda criança, tentava conseguir comida para os irmãos enquanto a família enfrentava dificuldades. Ele saiu do sistema sem ter sido adotado definitivamente por outra família.
A experiência acabou influenciando a decisão que tomaria na vida adulta. Carter queria ter filhos e passou a enxergar a adoção como uma forma de oferecer a outras crianças a estabilidade que ele próprio não encontrou naquele período.
Três irmãos chegaram à casa de Carter e uma conversa revelou que faltavam duas crianças

Carter tornou-se pai acolhedor licenciado em 2017, segundo a ABC News. Em 2018, recebeu em sua casa três irmãos, Robert, Giovanni e Kiontae. Foi durante esse período que soube que os meninos não eram três, mas parte de um grupo de cinco irmãos.
As duas meninas, Marionna e Makayla, também estavam no sistema de acolhimento, mas viviam em outras casas.
A informação chamou imediatamente sua atenção. Carter começou a defender a realização de visitas para que as crianças pudessem restabelecer contato. Segundo ele, os cinco haviam ficado aproximadamente seis meses sem se encontrar.
A assistente de adoção Stacey Barton, ligada ao serviço de proteção infantil de Ohio, informou posteriormente que, quando a guarda permanente das crianças passou para o poder público, os cinco irmãos estavam distribuídos em três lares temporários diferentes.
Não era, portanto, simplesmente uma situação em que Carter precisaria abrir espaço para duas crianças adicionais. Para reconstruir a unidade dos irmãos, seria necessário encontrar uma casa capaz e disposta a receber os cinco.
O reencontro depois de seis meses fez Carter decidir que não deixaria os irmãos serem separados novamente
Carter conseguiu organizar o reencontro das crianças. A reação dos irmãos durante a visita acabou definindo os passos seguintes.
Em relato reproduzido pela People, ele disse que os meninos falavam das irmãs com frequência. Quando finalmente se encontraram novamente, em junho de 2019, as crianças choraram durante a reunião e não queriam se separar outra vez. Carter disse que foi naquele momento que percebeu que tentaria adotar todas elas.
A decisão significava passar de uma casa com três crianças para uma família com cinco filhos.
Stacey Barton afirmou que Carter acabou sendo o único pai acolhedor disposto e em condições de adotar todo o grupo. Para a profissional, a experiência dele durante a própria infância o fazia compreender de forma particular o peso que uma nova separação poderia ter sobre aquelas crianças.
A preocupação encontra respaldo nas próprias normas do sistema americano. O Child Welfare Information Gateway, serviço ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, explica que os estados devem fazer esforços para manter irmãos juntos durante o acolhimento. Quando isso não é possível, devem buscar contato e visitas frequentes, desde que não exista risco para a segurança ou o bem-estar das crianças.
Em 30 de outubro de 2020, os cinco irmãos passaram a ter legalmente o mesmo pai
O processo terminou em 30 de outubro de 2020. Naquela data, Carter adotou Marionna, de 10 anos; Robert, de 9; Makayla, de 8; Giovanni, de 5; e Kiontae, de 4, conforme as idades divulgadas pela ABC News na época.
A cerimônia ocorreu durante um dia de adoções organizado no condado de Hamilton. Segundo a emissora local FOX19, dez crianças tiveram adoções concluídas naquela manhã. Cinco delas passaram a formar a família Carter.
Depois da decisão judicial, Carter explicou que sentia alívio por poder dizer às crianças que a situação temporária havia terminado. Ele agora seria o pai delas de maneira definitiva.
A rotina, naturalmente, mudou. Carter brincou à ABC que o nível de barulho da casa havia aumentado “13 ou 14 níveis”, mas disse preferir aquela agitação sabendo que os cinco estavam felizes e juntos.
Na época, ele trabalhava como profissional de beleza e administrava seu próprio negócio em Cincinnati. A família passou a ser formada por um pai solteiro e cinco crianças que, poucos meses antes, sequer viviam sob o mesmo teto.
Três anos depois, os cinco continuavam juntos e Carter voltou a contar por que tomou a decisão
A história não terminou com a repercussão de 2020. Em agosto de 2023, a CBS News voltou a encontrar Carter. Aos 33 anos, ele continuava vivendo em Cincinnati e criando os cinco filhos que havia adotado.
Na reportagem, Carter revisitou a própria infância e explicou novamente por que descobrir a existência das duas meninas havia sido decisivo. Ele sabia, por experiência própria, que uma separação prolongada entre irmãos poderia atravessar toda a infância.
Em janeiro de 2024, a organização Casey Family Programs concedeu a Carter o Life of Hope Award, reconhecimento destinado a pessoas envolvidas na proteção e no fortalecimento de crianças e famílias. A entidade destacou especificamente sua decisão de reunir os cinco irmãos e informou que ele continuava conciliando a criação dos filhos com o trabalho como proprietário de um salão em Cincinnati.
Mais de três anos depois da adoção, a escolha feita quando aqueles três meninos chegaram à sua casa permanecia intacta. Carter havia entrado no sistema de acolhimento ainda criança e crescido sem conseguir permanecer ao lado dos próprios oito irmãos. Quando teve diante de si cinco crianças prestes a enfrentar uma trajetória semelhante, decidiu que, desta vez, os irmãos cresceriam na mesma casa.
Você assumiria a responsabilidade de adotar cinco irmãos para impedir que eles fossem separados?
