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Aos 24 anos, paulistana vendeu roupas para tirar o passaporte, deixou emprego em eventos e foi aprender inglês na Austrália, trabalhou como garçonete e faxineira até virar comissária de iate e passou a morar a bordo cruzando lugares como Fiji, Vanuatu e Nova Zelândia

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Escrito por Geovane Souza Publicado em 18/08/2026 às 15:21 Atualizado em 18/08/2026 às 15:22
Paulistana deixa o Brasil para estudar inglês na Austrália e acaba trabalhando como comissária de iate pelo Pacífico
Paulistana deixa o Brasil para estudar inglês na Austrália e acaba trabalhando como comissária de iate pelo Pacífico. (Foto: Arquivo Pessoal)
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Sabrina Nogueira saiu de São Paulo em 2009 com visto de estudante e uma reserva formada com ajuda do pai, seguro-desemprego e até a venda de roupas. Anos depois, a rotina em terra havia sido substituída pelo trabalho dentro de um iate, onde passou a cuidar do serviço aos hóspedes, da organização da embarcação e da preparação para longas viagens pelo Pacífico.

Aos 24 anos, a paulistana Sabrina Nogueira decidiu deixar o Brasil sem ter pela frente uma carreira definida no exterior. Ela havia cursado três anos de Biologia, trabalhava no setor de eventos ligado ao ramo alimentício e queria aprender inglês na Austrália, mudança que exigiu juntar dinheiro antes mesmo de conseguir embarcar.

Sem recursos sobrando, Sabrina vendeu parte das próprias roupas para conseguir pagar o passaporte. Também contou com ajuda financeira do pai e usou recursos do seguro-desemprego para montar o orçamento da viagem, realizada em 2009.

Segundo o relato dado por Sabrina ao UOL em janeiro de 2017, os gastos daquele período chegaram a aproximadamente R$ 12 mil entre passagem, curso de inglês e dinheiro levado para a Austrália. O curso também tinha uma função prática além do aprendizado do idioma, pois permitia que ela permanecesse no país com visto de estudante.

O plano inicial, portanto, não era trabalhar em um iate nem passar meses navegando entre ilhas do Pacífico. O caminho até esse emprego começou em atividades bem mais comuns entre estrangeiros que chegam ao país buscando estudar e pagar as próprias despesas.

Na Austrália, os primeiros empregos foram como garçonete, faxineira e recolhendo copos em baladas

Assim que se instalou na Austrália, Sabrina passou por diferentes empregos. Trabalhou como garçonete, fez serviços de limpeza, recolheu copos em casas noturnas e chegou a atuar em um asilo enquanto conciliava os trabalhos com os estudos.

Uma das ocupações acabou mudando sua trajetória. Sabrina continuava trabalhando como garçonete em um restaurante localizado em uma marina de Gold Coast, cidade litorânea de Queensland conhecida pela atividade turística e náutica.

Foi ali que começou a ter contato frequente com proprietários de embarcações. Aos poucos, surgiram oportunidades para fazer trabalhos ocasionais dentro dos barcos, inicialmente uma ou duas vezes por semana, atendendo pessoas que alugavam embarcações para aniversários, noivados e outras comemorações.

A Catraca Livre informou posteriormente que Sabrina chegou à Austrália em novembro de 2009 e que, em 2013, fez um teste para trabalhar como stewardess. A publicação também registra que, depois de entrar no setor, ela passou a viajar por diferentes regiões do Pacífico trabalhando a bordo.

Um contato na marina levou à proposta para morar e trabalhar em tempo integral dentro de um iate

Brasileira que foi estudar inglês na Austrália consegue emprego como comissária de iate e passa a viajar pelo Pacífico
Brasileira que foi estudar inglês na Austrália consegue emprego como comissária de iate e passa a viajar pelo Pacífico

Os trabalhos temporários colocaram Sabrina em contato com o capitão de uma das embarcações. Mais tarde, ele ofereceu uma vaga em tempo integral, uma mudança grande em relação aos bicos que ela vinha fazendo até então.

A função era de stewardess, profissional que integra a equipe interna de atendimento e manutenção de um iate. No caso de Sabrina, isso significava morar na própria embarcação e assumir tarefas que iam muito além de servir refeições aos proprietários e convidados.

Ela passou a cuidar de lavagem e passagem de roupas, organização de ambientes, atendimento, administração de tarefas internas e recepção dos hóspedes. O trabalho também incluía preparar festas e atividades quando os proprietários recebiam familiares e convidados.

Em uma rotina dessa natureza, a divisão entre local de trabalho e moradia praticamente desaparece. Durante os períodos com hóspedes, a jornada pode começar antes que eles acordem e terminar somente depois que todos tenham se recolhido, característica que Sabrina descreveu ao falar sobre a profissão anos depois.

Por trás das viagens havia treinamento marítimo, segurança e uma rotina que podia se estender do começo da manhã até a noite

A experiência anterior com atendimento ajudou Sabrina a entrar no setor, mas trabalhar profissionalmente no mar envolve preparação específica. Antes de começar, ela fez um treinamento baseado no STCW, conjunto internacional de padrões para formação, certificação e serviço de marítimos.

A Convenção STCW, criada no âmbito da Organização Marítima Internacional, estabeleceu padrões internacionais mínimos de treinamento e certificação para quem trabalha a bordo de embarcações. A ideia foi substituir regras muito diferentes entre países por requisitos reconhecidos internacionalmente.

Entre os conteúdos básicos estão técnicas de sobrevivência pessoal, prevenção e combate a incêndios, primeiros socorros e segurança e responsabilidades sociais. Na Austrália, a autoridade marítima AMSA também relaciona esses módulos à formação básica de segurança prevista pela regulamentação STCW.

Isso ajuda a explicar por que a ocupação é diferente da imagem de alguém simplesmente contratado para acompanhar turistas durante viagens de luxo. A tripulação precisa estar preparada para trabalhar durante a navegação e reagir a situações de emergência no mar, além de executar as atividades de hotelaria e atendimento.

O emprego levou Sabrina de Gold Coast a Nova Caledônia, Vanuatu, Nova Zelândia e Fiji

Depois de assumir a vaga fixa, a própria embarcação passou a ser a casa de Sabrina. Quando os proprietários não estavam presentes, a equipe permanecia na marina cuidando da preparação e manutenção do iate; quando eles embarcavam, começavam os deslocamentos.

A rota levou a brasileira muito além da costa australiana. Ela relatou ter passado quatro meses na Nova Caledônia, outros quatro meses em Vanuatu, seis meses na Nova Zelândia e aproximadamente mais seis meses nas Ilhas Fiji.

Os trajetos também proporcionaram encontros frequentes com animais marinhos e acesso a locais distantes dos grandes centros. Algumas das viagens permitiram contato com comunidades de regiões pouco acessíveis por transporte convencional.

Ao completar cerca de três anos trabalhando naquela embarcação, Sabrina já havia transformado a mudança feita originalmente para estudar inglês em uma carreira no setor náutico. O contrato era anual e incluía uma passagem de ida e volta ao Brasil por ano, além de pagamentos extras recebidos por meio de gorjetas.

Morar no iate trouxe viagens pelo Pacífico, mas também fez Sabrina perder datas importantes no Brasil

A possibilidade de acordar em diferentes ilhas e trabalhar cercada pelo oceano vinha acompanhada de limitações concretas. Como residência e emprego eram o mesmo lugar, sair inesperadamente para resolver um problema familiar no Brasil não era uma opção simples.

Sabrina contou que perdeu o casamento de amigas próximas, o aniversário de 50 anos do pai e a comemoração dos 15 anos da irmã. A distância entre os países, o calendário das viagens e as responsabilidades assumidas com a embarcação dificultavam viagens de última hora.

Outro desafio era dividir praticamente todos os momentos com os mesmos colegas. Tripulantes trabalham, comem e descansam dentro de um espaço limitado, condição que reduz a privacidade e exige convivência constante durante meses.

O trabalho em iates também continua sendo uma atividade marítima sujeita a qualificações próprias. Autoridades marítimas mantêm exigências de treinamento e certificação para diferentes funções a bordo, e os requisitos podem variar conforme o tipo de embarcação, bandeira, função exercida e região onde o profissional pretende trabalhar.

Uma viagem para estudar inglês acabou criando uma carreira que Sabrina não havia planejado quando deixou São Paulo

Quando vendeu roupas para conseguir tirar o passaporte, Sabrina ainda estava tentando viabilizar o primeiro passo de uma mudança para a Austrália. Não havia uma vaga em iate esperando por ela e tampouco uma trajetória marítima previamente planejada.

A sequência veio aos poucos. Primeiro o curso de inglês, depois os empregos para se sustentar, o trabalho no restaurante de Gold Coast, os serviços ocasionais em barcos e, finalmente, a oportunidade de entrar definitivamente em uma tripulação.

A história também mostra uma característica pouco conhecida desse mercado. Por trás dos destinos turísticos e das embarcações de alto padrão existe uma equipe profissional responsável por atendimento, limpeza, organização, segurança e funcionamento da vida a bordo, muitas vezes trabalhando durante longos períodos longe de casa.

Você encararia morar durante meses dentro de um iate e trabalhar enquanto cruza diferentes países? A possibilidade de conhecer lugares como Fiji, Vanuatu e Nova Zelândia compensaria a distância da família e a rotina intensa a bordo? Deixe sua opinião nos comentários e conte se você aceitaria um trabalho como esse.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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