Ángela Karime Venegas Hernández desenvolveu o Vortex Tech, protótipo portátil que usa som de baixa frequência para desestabilizar pequenas chamas e já passou por mais de 100 testes experimentais.
Aos 16 anos, a mexicana Ángela Karime Venegas Hernández, estudante de eletrônica do CETIS nº 78, em Altamira, no estado de Tamaulipas, desenvolveu um equipamento capaz de apagar pequenas chamas sem utilizar água, espuma ou produtos químicos. O dispositivo recebeu o nome de Vortex Tech e funciona por meio de ondas sonoras de baixa frequência direcionadas para a região da combustão.
O projeto chamou atenção porque transforma um fenômeno físico estudado há anos em uma aplicação portátil criada no ambiente escolar. Em vez de lançar agentes extintores sobre o fogo, o equipamento movimenta o ar ao redor da chama e interfere nas condições que permitem que ela continue queimando. Nos testes divulgados, pequenas chamas foram apagadas em aproximadamente cinco a oito segundos, com atuação a distâncias de até dois metros.
Vortex Tech reuniu bateria, amplificador e ondas sonoras de 30 Hz para interferir diretamente na chama
O equipamento criado por Ángela trabalha com uma frequência próxima de 30 hertz, o equivalente a 30 oscilações por segundo. Para produzir esse efeito, o sistema reúne uma bateria de 12 volts, um gerador de frequência, um amplificador de potência e uma corneta responsável por concentrar as ondas acústicas em direção ao fogo.
-
Conhecido como “Menino do Abacaxi”, estudante de apenas 16 anos transforma resíduo da fruta em embalagem que desaparece em pouco mais de um mês
-
Depois de ficar guardado desde 1980 em um centro de pesquisas canadense, o fóssil do cefalópode Enchoteuthis passou por um escaneamento em 3D que revelou duas perfurações na estrutura interna, ajudando os cientistas a entenderem como funcionavam as redes alimentares e as caças nos mares do Cretáceo.
-
Amazon vai atravessar o Pacífico com cabo submarino de 420 Tbps e 20 pares de fibras para ligar EUA ao Japão em nova rota prevista para entrar em operação em 2029
-
Pesquisadores analisam 16 ciclos solares e encontram um padrão estranho: depois dos ciclos ímpares, os dados antigos perdem força para prever o futuro e o atual ciclo 25 é justamente um deles
Na saída do aparelho, o deslocamento do ar produz perturbações que atingem a região da chama. Pequenos vórtices são formados durante esse processo, modificando o comportamento do ar próximo ao combustível e dificultando a continuidade da combustão.
A proposta não depende de retirar completamente o oxigênio ao redor do fogo. O efeito ocorre porque as ondas podem deformar a chama, alterar a mistura entre combustível e oxidante e aumentar a perda de calor. Quando essas mudanças se tornam suficientemente intensas, a reação deixa de encontrar condições para permanecer estável.
Projeto começou tentando apagar uma vela e avançou para mais de 100 testes experimentais
A criação do Vortex Tech começou com um objetivo muito mais simples. Ángela queria descobrir se seria possível apagar a chama de uma vela utilizando apenas som, sem recorrer aos métodos tradicionais usados em extintores.
O desenvolvimento levou aproximadamente um ano e passou por mudanças de materiais, componentes e configurações até chegar ao modelo atual. Segundo informações divulgadas sobre o projeto, mais de 100 testes experimentais foram realizados durante esse período.
Os ensaios envolveram pequenas chamas associadas a madeira, líquidos inflamáveis, equipamentos eletrônicos e óleo ou gordura de cozinha. Nas demonstrações apresentadas, o aparelho conseguiu extinguir focos experimentais em cerca de cinco a oito segundos e, em determinadas condições, a até dois metros de distância.
Ciência já estudava o uso de ondas sonoras para apagar pequenas chamas antes do Vortex Tech
A ideia de utilizar som para interferir no fogo não surgiu com o projeto de Ángela. Pesquisadores estudam há anos a chamada supressão acústica de chamas, área que investiga como determinadas frequências conseguem alterar o comportamento da combustão.
Experimentos científicos já testaram faixas entre aproximadamente 14 e 70 Hz, dependendo do combustível, do tamanho da chama e da geometria utilizada. Frequências mais baixas costumam gerar deslocamentos maiores de ar, característica que ajuda a produzir turbulência ao redor da região em combustão.
O diferencial do Vortex Tech está justamente em levar esse princípio para um protótipo portátil desenvolvido por uma estudante do ensino técnico. Ángela reuniu conhecimentos de eletrônica e acústica para transformar um conceito científico em um equipamento experimental funcional.
Ausência de água e produtos químicos ampliou interesse pelo possível uso em ambientes sensíveis
Uma das características mais marcantes do Vortex Tech é a ausência de agentes tradicionais de combate ao fogo. O sistema não utiliza água, espuma, dióxido de carbono ou pó químico durante a demonstração de supressão da chama.
Essa característica chamou atenção porque o uso de líquidos ou resíduos pode gerar danos adicionais em determinados ambientes. Computadores, equipamentos eletrônicos, laboratórios, museus e objetos sensíveis aparecem entre as possíveis aplicações futuras discutidas para tecnologias desse tipo.
O projeto, entretanto, continua em fase experimental. A ausência de água ou produtos químicos representa uma vantagem potencial, mas ainda não significa que o sistema esteja pronto para substituir equipamentos certificados de combate a incêndios.
Extintor acústico ainda é um protótipo e não substitui equipamentos convencionais de combate ao fogo
O Vortex Tech ainda não possui indicação de certificação como equipamento profissional de combate a incêndios. Também não foram apresentados testes independentes padronizados que comprovem sua eficiência diante de focos maiores ou situações reais de emergência.
Outro ponto importante está na diferença entre apagar a chama visível e eliminar totalmente o risco. Materiais como madeira podem permanecer quentes depois que o fogo desaparece e voltar a entrar em combustão caso não sejam resfriados de maneira adequada.
Por essa razão, o dispositivo deve ser entendido como um protótipo experimental de supressão acústica, e não como substituto de extintores convencionais. O próprio desenvolvimento do projeto ainda prevê aumento de potência e novos testes.
Reconhecimento científico abriu caminho para Ángela levar o projeto a uma competição internacional
O trabalho desenvolvido pela estudante ganhou visibilidade em competições científicas no México. Em 2025, o Vortex Tech recebeu reconhecimento na ExpoCiencias Tamaulipas e, posteriormente, avançou em uma competição nacional ligada à ciência e tecnologia.
Em 2026, o desempenho do projeto abriu caminho para que Ángela representasse o México em uma feira internacional de ciência e inovação na Indonésia. A participação ampliou a exposição de um equipamento que nasceu dentro de uma escola técnica e foi desenvolvido ao longo de dezenas de experimentos.
A trajetória também reforçou o caráter educacional da invenção. O projeto mostra como conceitos estudados em eletrônica, acústica e combustão podem ser reunidos em uma solução prática ainda durante a formação escolar.
Próximo passo do Vortex Tech é detectar a chama e ativar sozinho o sistema acústico
Depois da primeira versão funcional, Ángela passou a trabalhar em uma evolução do equipamento. A proposta é desenvolver um modelo capaz de identificar automaticamente a presença de fogo e ativar o sistema sem que uma pessoa precise apontar o dispositivo para a chama.
Outro objetivo é aumentar a potência do conjunto para ampliar sua capacidade diante de focos maiores. Essa etapa, porém, exige novos testes e aperfeiçoamentos antes de qualquer possibilidade de aplicação profissional.
O Vortex Tech permanece como uma demonstração prática de um fenômeno físico já conhecido pela ciência. Em determinadas condições, ondas sonoras de baixa frequência conseguem movimentar o ar, desestabilizar a combustão e apagar pequenas chamas em poucos segundos.
A história de Ángela Karime Venegas Hernández chama atenção justamente por isso. Aos 16 anos, ela transformou um princípio científico em um protótipo portátil, realizou mais de 100 testes e levou um projeto criado em ambiente escolar para uma competição internacional.
O que você acha que deve ser prioridade no desenvolvimento do Vortex Tech: aumentar a potência do extintor acústico para combater chamas maiores ou investir primeiro em testes, segurança e certificação da tecnologia com ondas sonoras? Deixe sua opinião!
