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Amônia 70% mais eficiente impulsiona motores gigantes e pode transformar transporte marítimo, mineração e geração elétrica com tecnologia criada por ex-alunos do MIT

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 26/11/2025 às 23:26
Amônia ganha eficiência inédita com tecnologia de ex-alunos do MIT e surge como alternativa para motores industriais e sistemas
Amônia ganha eficiência inédita com tecnologia de ex-alunos do MIT e surge como alternativa para motores industriais e sistemas
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Tecnologia criada por ex-alunos do MIT promete substituir combustíveis tradicionais ao decompor amônia com eficiência inédita, mirando navios, caminhões e sistemas de geração elétrica em larga escala

A possibilidade de utilizar a amônia como fonte de energia passou a ganhar nova dimensão com o desenvolvimento de um catalisador criado pela Amogy. A empresa afirma que o dispositivo consegue decompor a amônia em hidrogênio e nitrogênio com eficiência até 70% superior à dos sistemas modernos usados atualmente.

Essa capacidade permite empregar o processo em aplicações ligadas ao transporte marítimo, geração de energia, manufatura e outros segmentos que demandam alto consumo energético.

Fundada por quatro ex-alunos do MIT, a Amogy planeja comercializar o catalisador e sistemas modulares que integram células de combustível e motores projetados para converter amônia em energia sem combustão. A estratégia busca eliminar preocupações relacionadas à produção de óxidos de nitrogênio, já que os equipamentos não queimam o composto.

A proposta também foi concebida para atender operações em porte equivalente ao de navios e caminhões, algo destacado pelo CEO Seonghoon Woo ao comentar a escalabilidade da tecnologia.

Aplicações em setores intensivos em energia

A companhia volta suas primeiras iniciativas para segmentos que operam com grandes demandas energéticas, como transporte marítimo, construção civil, mineração e geração elétrica.

A amônia se apresenta como alternativa pela densidade energética superior quando comparada a fontes renováveis ou baterias. Para consolidar esse movimento, a Amogy assinou um contrato de fabricação com a Samsung Heavy Industries e se prepara para fornecer sistemas comerciais a partir do próximo ano.

Um projeto piloto de 1 megawatt será implementado em 2026 na cidade sul-coreana de Pohang. A expectativa, segundo comunicado da empresa, é ampliar a instalação para 40 megawatts até 2028 ou 2029.

Além desse passo, a Amogy informou que concluiu a construção de um centro de pesquisa e produção em Houston e que iniciou a implementação piloto do catalisador em parceria com a JGC Holdings Corporation. Woo relatou ainda a existência de dezenas de projetos em andamento envolvendo corporações multinacionais.

Avanços no craqueamento de amônia

O processo de craqueamento de amônia, que consiste em dividir as moléculas de NH3 em nitrogênio e hidrogênio, sempre exige altas temperaturas e uso intensivo de energia.

Reatores grandes e materiais catalíticos limitados eram padrões nas operações das usinas responsáveis por essa atividade.

No entanto, a Amogy afirma ter identificado novas fórmulas de materiais que permitem miniaturizar o catalisador e operar com temperaturas mais baixas, reduzindo custos e ampliando a possibilidade de implantação em diferentes locais.

Segundo Woo, a equipe precisou redesenvolver toda a tecnologia, incluindo catalisador, reformador e integração com sistemas maiores.

Uma das características ressaltadas pelo CEO é que o processo não envolve queima de amônia, dispensando combustível piloto e evitando a liberação de gás nitrogênio e CO2. Esse conjunto de mudanças permitiu à empresa construir um sistema com maior flexibilidade para aplicações portáteis e industriais.

Demonstrações e uso em equipamentos

A eficiência dos catalisadores foi apresentada pela Amogy em demonstrações que tiveram início em 2021, com o primeiro drone movido a amônia.

O catalisador é usado para produzir hidrogênio de maneira otimizada e, quando integrado a células de combustível ou motores de hidrogênio, compõe sistemas modulares capazes de converter amônia em energia em diferentes escalas.

A empresa afirma que essa característica possibilita atender às exigências de consumo de clientes que operam em setores variados.

Woo pontuou que a empresa trabalha para viabilizar a descarbonização de indústrias classificadas como pesadas.

O foco inclui transporte, produção química, manufatura e setores que lidam com emissões elevadas e precisam reduzir impactos para atender metas nacionais. A perspectiva mencionada pela empresa é expandir o uso da amônia como combustível em diferentes aplicações energéticas.

Perspectivas de longo prazo

A Amogy projeta a utilização de seus sistemas em microrredes e, futuramente, em redes de maior porte. O objetivo declarado por Woo é tornar a amônia uma opção viável para geração de energia em diferentes escalas.

A empresa vê nesse processo uma oportunidade de ampliar o alcance da tecnologia e impulsionar a adoção de soluções baseadas em hidrogênio produzido a partir da decomposição da amônia.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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