Tecnologia criada por ex-alunos do MIT promete substituir combustíveis tradicionais ao decompor amônia com eficiência inédita, mirando navios, caminhões e sistemas de geração elétrica em larga escala
A possibilidade de utilizar a amônia como fonte de energia passou a ganhar nova dimensão com o desenvolvimento de um catalisador criado pela Amogy. A empresa afirma que o dispositivo consegue decompor a amônia em hidrogênio e nitrogênio com eficiência até 70% superior à dos sistemas modernos usados atualmente.
Essa capacidade permite empregar o processo em aplicações ligadas ao transporte marítimo, geração de energia, manufatura e outros segmentos que demandam alto consumo energético.
Fundada por quatro ex-alunos do MIT, a Amogy planeja comercializar o catalisador e sistemas modulares que integram células de combustível e motores projetados para converter amônia em energia sem combustão. A estratégia busca eliminar preocupações relacionadas à produção de óxidos de nitrogênio, já que os equipamentos não queimam o composto.
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A proposta também foi concebida para atender operações em porte equivalente ao de navios e caminhões, algo destacado pelo CEO Seonghoon Woo ao comentar a escalabilidade da tecnologia.
Aplicações em setores intensivos em energia
A companhia volta suas primeiras iniciativas para segmentos que operam com grandes demandas energéticas, como transporte marítimo, construção civil, mineração e geração elétrica.
A amônia se apresenta como alternativa pela densidade energética superior quando comparada a fontes renováveis ou baterias. Para consolidar esse movimento, a Amogy assinou um contrato de fabricação com a Samsung Heavy Industries e se prepara para fornecer sistemas comerciais a partir do próximo ano.
Um projeto piloto de 1 megawatt será implementado em 2026 na cidade sul-coreana de Pohang. A expectativa, segundo comunicado da empresa, é ampliar a instalação para 40 megawatts até 2028 ou 2029.
Além desse passo, a Amogy informou que concluiu a construção de um centro de pesquisa e produção em Houston e que iniciou a implementação piloto do catalisador em parceria com a JGC Holdings Corporation. Woo relatou ainda a existência de dezenas de projetos em andamento envolvendo corporações multinacionais.
Avanços no craqueamento de amônia
O processo de craqueamento de amônia, que consiste em dividir as moléculas de NH3 em nitrogênio e hidrogênio, sempre exige altas temperaturas e uso intensivo de energia.
Reatores grandes e materiais catalíticos limitados eram padrões nas operações das usinas responsáveis por essa atividade.
No entanto, a Amogy afirma ter identificado novas fórmulas de materiais que permitem miniaturizar o catalisador e operar com temperaturas mais baixas, reduzindo custos e ampliando a possibilidade de implantação em diferentes locais.
Segundo Woo, a equipe precisou redesenvolver toda a tecnologia, incluindo catalisador, reformador e integração com sistemas maiores.
Uma das características ressaltadas pelo CEO é que o processo não envolve queima de amônia, dispensando combustível piloto e evitando a liberação de gás nitrogênio e CO2. Esse conjunto de mudanças permitiu à empresa construir um sistema com maior flexibilidade para aplicações portáteis e industriais.
Demonstrações e uso em equipamentos
A eficiência dos catalisadores foi apresentada pela Amogy em demonstrações que tiveram início em 2021, com o primeiro drone movido a amônia.
O catalisador é usado para produzir hidrogênio de maneira otimizada e, quando integrado a células de combustível ou motores de hidrogênio, compõe sistemas modulares capazes de converter amônia em energia em diferentes escalas.
A empresa afirma que essa característica possibilita atender às exigências de consumo de clientes que operam em setores variados.
Woo pontuou que a empresa trabalha para viabilizar a descarbonização de indústrias classificadas como pesadas.
O foco inclui transporte, produção química, manufatura e setores que lidam com emissões elevadas e precisam reduzir impactos para atender metas nacionais. A perspectiva mencionada pela empresa é expandir o uso da amônia como combustível em diferentes aplicações energéticas.
Perspectivas de longo prazo
A Amogy projeta a utilização de seus sistemas em microrredes e, futuramente, em redes de maior porte. O objetivo declarado por Woo é tornar a amônia uma opção viável para geração de energia em diferentes escalas.
A empresa vê nesse processo uma oportunidade de ampliar o alcance da tecnologia e impulsionar a adoção de soluções baseadas em hidrogênio produzido a partir da decomposição da amônia.

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