Resultado expressivo reforça retomada estratégica da companhia no mercado brasileiro, destaca crescimento das linhas premium e evidencia nova fase competitiva no setor cervejeiro nacional
A Ambev voltou ao centro das atenções do mercado ao registrar um desempenho expressivo no primeiro trimestre, consolidando um recorde de volume de cerveja no Brasil. O resultado marca uma virada importante após um período de instabilidade frente à concorrência direta, especialmente com a Heineken. Com crescimento de 1,2% na comparação anual, a companhia atingiu 23,429 milhões de hectolitros vendidos, o maior volume já registrado para um primeiro trimestre.
A informação foi divulgada por “Valor Econômico”, com base nos resultados financeiros da companhia, evidenciando que a Ambev não apenas recuperou força, como também reposicionou sua estratégia de mercado. Ao mesmo tempo, a concorrente apresentou retração de um dígito baixo, entre 1% e 3% no mesmo período, reforçando a mudança no cenário competitivo.
Além disso, o avanço da Ambev foi fortemente impulsionado pelas marcas premium, que vêm ganhando espaço no consumo nacional. Esse movimento indica uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro, que passa a valorizar mais qualidade e experiência, mesmo em categorias tradicionalmente populares como a cerveja.
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Crescimento de receita e pressão de custos mostram equilíbrio estratégico

Enquanto o volume de vendas apresentou crescimento, a receita operacional líquida por hectolitro (ROL/hl) também avançou significativamente, registrando alta de 8,3% no trimestre. Quando excluído o marketplace, o crescimento se manteve robusto, em 8%, demonstrando consistência na geração de valor por produto.
No entanto, esse cenário positivo veio acompanhado de desafios. O custo de produtos vendidos por hectolitro (CPV/hl), excluindo depreciação, amortização e marketplace, subiu 14,6%. Esse aumento reflete, principalmente, os impactos do câmbio e da alta das commodities, fatores que vêm pressionando diversas indústrias no Brasil.
Apesar disso, a Ambev conseguiu manter controle sobre suas despesas operacionais. As despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A), também excluindo depreciação e amortização, cresceram apenas 3,4%. Esse desempenho está diretamente relacionado a ganhos de eficiência, especialmente na área de distribuição, impulsionados pelo maior volume de vendas.
Portanto, mesmo diante de pressões externas, a companhia demonstrou equilíbrio entre crescimento e controle de custos, o que reforça sua capacidade de adaptação em um ambiente econômico desafiador.
Desempenho consolidado revela força financeira e disputa acirrada com concorrentes
Ao analisar o desempenho total da operação no Brasil, o volume consolidado atingiu 32,013 milhões de hectolitros, registrando uma leve queda de 0,2%. Essa retração foi influenciada principalmente pela divisão de bebidas não alcoólicas, que apresentou queda de 3,9%, totalizando 8,583 milhões de hectolitros.
Ainda assim, a empresa destacou uma melhora gradual nesse segmento desde o segundo semestre de 2025. Além disso, o portfólio sem açúcar apresentou crescimento na casa dos 15% (mid-teens), reforçando o potencial de expansão e a força das marcas nesse nicho.
No consolidado geral, a Ambev registrou lucro líquido de R$ 3,885 bilhões, alta de 2,1% na comparação anual. A receita líquida alcançou R$ 22,464 bilhões, com crescimento orgânico de 8,1%, números que confirmam a recuperação da companhia no mercado.
Enquanto isso, a concorrente Heineken enfrentou um cenário mais desafiador no Brasil. A empresa registrou queda de volume entre 1% e 3%, impactada por um enfraquecimento nas vendas e por fatores sazonais, como um carnaval mais curto.
Mesmo assim, a Heineken conseguiu elevar sua receita líquida em um dígito médio, entre 4% e 6%, sustentada por um aumento de preços de um dígito alto, entre 7% e 9%. Isso mostra que, embora o volume tenha caído, a estratégia de precificação ainda garantiu crescimento financeiro.
Marcas premium impulsionam recorde e indicam tendência de consumo
O grande destaque do resultado da Ambev foi, sem dúvida, o desempenho das marcas premium. Esse segmento foi o principal responsável pelo recorde de 23,429 milhões de hectolitros no primeiro trimestre, evidenciando uma tendência clara de valorização de produtos de maior qualidade.
Esse movimento não é isolado. Pelo contrário, ele acompanha uma transformação global no mercado de bebidas, onde consumidores estão dispostos a pagar mais por experiências diferenciadas. Dessa forma, a estratégia da Ambev de fortalecer seu portfólio premium se mostra alinhada com as novas demandas do mercado.
Além disso, esse posicionamento ajuda a empresa a melhorar suas margens, já que produtos premium geralmente possuem maior rentabilidade. Portanto, o crescimento desse segmento não apenas impulsiona volume, mas também contribui diretamente para os resultados financeiros.
Você também percebeu essa mudança no consumo, preferindo bebidas mais premium mesmo pagando um pouco mais?

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