Índice global de alimentos recuou em junho, segundo a FAO, em um movimento puxado por açúcar, cereais e laticínios. Mesmo assim, carnes e óleos vegetais ainda pressionam o mercado internacional.
Os preços dos alimentos no mundo voltaram a cair em junho de 2026, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, em 3 de julho. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO ficou em 130,3 pontos, abaixo dos 130,8 pontos registrados em maio.
O resultado marcou o segundo recuo mensal consecutivo do indicador, acompanhado por governos, empresas e investidores em várias regiões do mundo. A baixa foi puxada principalmente pelos preços do açúcar, dos cereais e dos laticínios, enquanto a alta dos óleos vegetais e das carnes limitou uma queda mais forte.
Indicador da FAO acompanha alimentos negociados no comércio global
O índice da FAO mede a variação mensal de uma cesta de commodities agrícolas comercializadas internacionalmente, como cereais, carnes, laticínios, açúcar e óleos vegetais. Esse indicador é usado como referência para entender a direção dos preços dos alimentos no comércio global.
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No caso do Brasil, essas oscilações ganham peso especial, já que o país está entre os grandes fornecedores mundiais de açúcar, milho, soja e carnes. Mudanças nos preços internacionais podem afetar produtores, exportadores e cadeias ligadas ao agronegócio.
Queda de junho vem após pico recente registrado em abril
O recuo de junho ocorreu depois de uma queda já registrada em maio. Antes disso, em abril, o índice havia atingido o maior nível em três anos, em meio à tensão envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos, que ajudou a impulsionar os preços dos óleos vegetais.
Mesmo com a queda recente, o índice de junho ficou 1,7% acima do nível observado um ano antes. O indicador, ainda assim, permaneceu 18,7% abaixo do recorde registrado em março de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, episódio que afetou fortemente o comércio internacional de alimentos.
Cereais caem com avanço da colheita e expectativa de maior oferta
O índice de preços dos cereais caiu 3,5% em junho, na comparação com maio. Segundo a FAO, os preços do trigo foram pressionados pelo avanço da colheita e pelas perspectivas de ampla oferta na região do Mar Negro, importante área produtora e exportadora de grãos.
O milho também ficou mais barato no mercado internacional. Nesse caso, a queda foi associada à expectativa de ampla oferta na América do Sul e ao recuo dos preços do petróleo.
Arroz sobe com demanda maior na Ásia
O arroz seguiu caminho diferente dos cereais em geral. O índice de preços do arroz da FAO subiu 3,2% em junho, impulsionado pela maior demanda na Ásia pelo arroz do tipo indica, variedade bastante consumida em países asiáticos.
Açúcar tem queda forte, mas clima ainda preocupa produtores
O açúcar registrou uma das maiores baixas do mês, com recuo de 5,7% em junho, segundo a FAO. A queda foi influenciada pela desvalorização do etanol no Brasil, que levou usinas a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção de açúcar.
A redução, porém, foi limitada por preocupações com o possível impacto do El Niño sobre as safras da Índia e da Tailândia, dois importantes produtores globais da commodity.
Laticínios recuam, enquanto carnes renovam recorde histórico
Os preços dos laticínios caíram 1,5% em junho, pressionados pelo aumento da oferta global. Já o índice de carnes avançou 0,4% em relação ao mês anterior e renovou seu recorde histórico.
A alta das carnes foi puxada principalmente pela carne de aves, diante da forte demanda global.
Óleos vegetais voltam a subir com demanda por biodiesel
Os óleos vegetais também ficaram mais caros em junho. O índice avançou 3,8%, impulsionado pelos preços mais altos do óleo de palma e da colza.
Parte dessa alta foi associada ao aumento da demanda por biodiesel. Ainda assim, a queda de açúcar, cereais e laticínios foi suficiente para manter o índice geral em baixa.
Mercado global de alimentos segue dividido
O resultado de junho mostra um mercado global de alimentos ainda dividido. Produtos como açúcar, cereais e laticínios aliviaram o índice geral, enquanto carnes e óleos vegetais seguiram pressionados por demanda elevada e fatores de mercado.
Para países exportadores como o Brasil, esse cenário exige atenção. Commodities agrícolas seguem entre os principais produtos negociados pelo país no mercado internacional.
Você acha que a queda dos preços globais dos alimentos pode chegar ao consumidor brasileiro nos próximos meses ou o impacto deve ficar concentrado no comércio internacional? Deixe sua opinião!
