A MetSul Meteorologia alerta para clima fora do padrão no Brasil até o fim de maio, com chuva acima da média em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais, calor expressivo no Centro do país e nova massa de ar polar trazendo geada para o Sul. O El Niño está prestes a se instalar e deve mudar o clima brasileiro.
Em 17 de maio de 2026, domingo, a MetSul Meteorologia publicou uma análise alertando para um padrão de clima fora da média histórica no Brasil até o fim do mês, com forte impacto no Sudeste, no Centro-Oeste e no Sul do país. Segundo a meteorologista Estael Sias, autora do MetSul e mestre em Meteorologia pela USP, são esperados volumes de chuva acima da média em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Sul do Mato Grosso do Sul e Sul de Minas Gerais, calor expressivo em áreas de Goiás, Tocantins, Mato Grosso e em Minas Gerais, e uma nova massa de ar polar avançando sobre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, com geadas previstas no centro da semana.
O alerta é especialmente relevante porque maio costuma marcar a transição do regime chuvoso de verão para a estação seca típica do outono e do inverno no Brasil Central e no Sudeste. Em vez de a chuva diminuir naturalmente nesta época do ano, os modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) projetam volumes elevados onde deveria estar chovendo pouco. Esse clima fora do padrão coincide com a iminente formação de um novo episódio de El Niño, que a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) classificou em 14 de maio como alerta oficial, com 82% de probabilidade de formação entre maio e julho de 2026.
Por que o clima foge ao padrão histórico em maio no Brasil

A atmosfera passa por mudanças graduais que reduzem a frequência e a intensidade das precipitações. A principal razão é o enfraquecimento dos corredores de umidade vindos da Amazônia, conhecidos como rios atmosféricos, que durante o verão alimentam temporais frequentes no Centro-Oeste e no Sudeste com forte desenvolvimento vertical.
-
China testa reator nuclear de 10 megawatts que cabe em um caminhão e pode levar energia por décadas a ilhas, bases militares, áreas remotas e até centros de dados de inteligência artificial
-
Uma chuva de meteoros acontecerá esta semana e ninguém no mundo conseguirá vê-la, mas poderão ouvi-la
-
Cientistas criam concreto feito com sedimento do fundo do mar para robôs imprimirem estruturas 3D debaixo d’água, tentando transformar o leito oceânico em canteiro de obras submerso para pontes, portos e bases marítimas
-
Dona do ChatGPT entra na fila da bolsa e pode valer US$ 1 trilhão, enquanto Anthropic e SpaceX aceleram seus próprios planos em uma disputa que promete testar se o mercado ainda está disposto a apostar pesado na inteligência artificial
Com menos calor e menor disponibilidade de umidade, diminui a formação de nuvens convectivas, aquelas responsáveis pelas pancadas típicas de fim de tarde. A circulação atmosférica também muda com o avanço mais frequente de massas de ar frio pelo Sul do Brasil e pelo oceano, favorecendo períodos mais longos de estabilidade. Em 2026, no entanto, esse clima estável não está se confirmando: os volumes de chuva já estão acima da média histórica em capitais como São Paulo e Belo Horizonte, segundo dados de estações de superfície.
Chuva acima da média em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais
Os números mostram a diferença em relação ao padrão. Na estação do Mirante de Santana, na zona Norte da cidade de São Paulo, o acumulado de chuva entre 1º e 17 de maio de 2026 chegou a 50,4 milímetros, contra uma média histórica do mês inteiro de 66,3 milímetros, segundo dados publicados pela MetSul. Como ainda restam dias com previsão de chuva no calendário, maio deve fechar a capital paulista com volume superior à média climatológica.
Em Belo Horizonte, a estação do Cercadinho já havia acumulado 30,2 milímetros até a manhã de 17 de maio, superando a média climatológica do mês, que é de 28,1 milímetros. O desvio positivo deve aumentar com o que ainda é esperado de precipitação até o fim do mês, e os maiores desvios devem ocorrer no Sul de Minas Gerais. O clima atípico também deve afetar áreas mais ao Norte do Paraná, o Sul do Mato Grosso do Sul, o estado de São Paulo, o Sul de Minas Gerais e o Rio de Janeiro, conforme a projeção do modelo europeu.
Calor forte no Centro do Brasil e contraste com o Sul
Enquanto o Sudeste e o Sul recebem chuva acima da média, o Centro do país caminha para temperaturas bem acima do que se espera para o fim de maio. Os mapas de anomalia de temperatura do ECMWF apontam que a última semana do mês deve ser marcada por calor acentuado em Goiás, Tocantins, Mato Grosso e em Minas Gerais, com desvios positivos significativos em relação à média histórica do período. Cidades dessas regiões podem registrar tardes com temperaturas próximas ou superiores a 35 graus em pleno fim de outono.
Esse calor é especialmente atípico porque a segunda metade de maio costuma sinalizar o início da chamada veranico, com tardes amenas e noites já frescas. Em 2026, no entanto, o clima deve manter umidade baixa, vegetação seca e potencial de queimadas em zonas rurais e de cerrado, em uma janela de risco que tende a se prolongar pelos próximos meses, conforme alertam meteorologistas que acompanham a transição para o novo episódio de El Niño no Pacífico Equatorial.
Nova massa de ar polar avança sobre Sul com geadas durante a semana
No Sul do Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, o cenário é o oposto. Uma nova massa de ar frio começou a ingressar no estado no começo da semana de 19 de maio, com reforço de ar polar previsto para o meio da semana. A combinação deve resultar em vários dias seguidos com temperaturas negativas, geada e sensação térmica próxima de zero em municípios das regiões da Serra, Campanha e dos Campos de Cima da Serra, segundo a MetSul.
O ar polar também avança sobre Santa Catarina e parte do Paraná, com possibilidade de geada nos planaltos catarinense e paranaense. A partir do fim da semana, a massa de ar frio começa a perder força, com gradual subida da temperatura, mas as noites devem seguir frias e as tardes amenas no Sul, sem registro de calor. Para quem mora ou trabalha nesses estados, o clima frio exige cuidado redobrado com atividades agrícolas, especialmente as voltadas à produção de hortaliças, frutíferas e pastagens sensíveis à geada.
El Niño está prestes a se instalar e deve mudar o clima do Brasil
Em paralelo a esse cenário de extremos pontuais, a MetSul aponta que o começo de um novo episódio de El Niño é considerado iminente. A análise da MetSul, baseada em dados oceânicos e atmosféricos, indica que o fenômeno deve começar a se instalar entre o fim de maio e junho de 2026. Esse diagnóstico está em linha com o relatório oficial da NOAA divulgado em 14 de maio, que elevou o status para alerta de El Niño, com 82% de chance de formação entre maio e julho e 96% para o trimestre entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em nota técnica de abril, também confirma a tendência. Segundo o órgão, a probabilidade de El Niño supera 60% no trimestre maio-junho-julho e pode ultrapassar 90% no segundo semestre. O clima brasileiro deve sentir os efeitos de forma gradual entre junho e julho, com intensificação ao longo do segundo semestre. As consequências esperadas incluem aumento significativo da chuva no Sul, com risco de enchentes e tempestades, redução da chuva e agravamento da seca no Norte e no Nordeste, e maior frequência de calor e queimadas no Sudeste e Centro-Oeste.
O que esperar do clima nos próximos meses no Brasil
O quadro projetado pela meteorologia para 2026 reforça a importância de o cidadão acompanhar as atualizações dos órgãos oficiais. Para o Sul, os modelos do INMET apontam chuvas acima da média já no trimestre maio-junho-julho, com efeito direto sobre cidades em áreas de várzea, especialmente no Rio Grande do Sul, ainda em recuperação de eventos extremos registrados em anos anteriores. Para o Centro-Oeste e o Sudeste, o sinal é de redução de umidade e calor acima do normal nos meses mais secos.
Para o Norte e o Nordeste, a tendência de queda das chuvas tende a se acentuar a partir do meio do ano, com impacto direto sobre o nível dos reservatórios da Amazônia e sobre a agricultura de sequeiro do semiárido nordestino. Em todos os casos, especialistas reforçam que o clima sob influência de El Niño é mais propenso a extremos, com janelas curtas de tempo entre eventos opostos, o que demanda planejamento das defesas civis, dos produtores rurais e do setor de geração de energia, que depende de chuva para abastecer hidrelétricas.
O alerta da MetSul para o fim de maio é apenas o primeiro capítulo de um cenário climático que promete ser desafiador no Brasil ao longo do segundo semestre de 2026. Chuva onde costuma haver pouca, calor onde já era para refrescar e frio polar no Sul desenham um mapa de contrastes em poucas semanas. Quem trabalha com agricultura, transporte, energia, defesa civil e construção precisa redobrar atenção, porque o El Niño tende a amplificar tudo isso a partir de junho.
Você sentiu o clima diferente no seu estado nas últimas semanas? Acha que o Brasil está preparado para enfrentar um novo episódio de El Niño, com possíveis enchentes no Sul e seca no Norte e no Nordeste? Deixe seu comentário, conte como o tempo está aí na sua cidade neste fim de maio e compartilhe a matéria com quem precisa se preparar para os extremos previstos para os próximos meses.

-
1 pessoa reagiu a isso.