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Adeus, ondas de rádio: Europa começa a baixar dados de satélites para a Terra com feixes de laser invisíveis a 2,5 Gbps em projeto apoiado pela ESA que promete acabar com a interceptação e o bloqueio que ameaçam a comunicação espacial atual

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 19/05/2026 às 15:19
Atualizado em 19/05/2026 às 15:21
Europa testa satélites com comunicação a laser na Grécia em projeto da ESA com Astrolight, atinge 2,5 Gbps e ameaça o domínio das ondas de rádio no espaço.
Europa testa satélites com comunicação a laser na Grécia em projeto da ESA com Astrolight, atinge 2,5 Gbps e ameaça o domínio das ondas de rádio no espaço.
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A Europa ativou em maio de 2026 uma estação que recebe dados de satélites por feixes de laser infravermelho, a 2,5 Gbps. O projeto, apoiado pela ESA, usa CubeSats lançados em março, tecnologia da lituana Astrolight e desafia o domínio das ondas de rádio na comunicação entre o espaço e a Terra.

Em 18 de maio de 2026, a empresa lituana Astrolight e a Universidade Aristóteles de Tessalônica anunciaram a ativação operacional da Holomondas Optical Ground Station, primeira estação europeia totalmente integrada para recepção de dados de satélites por feixes de laser infravermelho, instalada em um antigo observatório astronômico no monte Holomondas, na península de Calcídica, no norte da Grécia. A estação foi desenvolvida dentro do Programa de Conectividade Grego, gerido pela Agência Espacial Europeia (ESA) em nome do Ministério da Governança Digital do país, e marca um passo importante na transição mundial da comunicação espacial das ondas de rádio para os enlaces ópticos de alta velocidade.

A novidade alcança velocidade de transmissão de até 2,5 Gbps e é testada com dois CubeSats gregos, o PeakSat, da Universidade Aristóteles de Tessalônica, e o ERMIS-3, da Universidade Nacional Kapodistríaca de Atenas, lançados em 30 de março de 2026 a bordo do voo Transporter-16 da SpaceX. Os dois satélites carregam o terminal óptico ATLAS-1, desenvolvido pela própria Astrolight, e funcionam como prova de conceito da chamada comunicação ótica espaço-Terra, uma tecnologia que promete acabar com a interceptação fácil e o bloqueio intencional que ameaçam a comunicação espacial atual, dependente quase totalmente do espectro de radiofrequência.

Como funciona a comunicação a laser entre satélites e a Terra

Europa testa satélites com comunicação a laser na Grécia em projeto da ESA com Astrolight, atinge 2,5 Gbps e ameaça o domínio das ondas de rádio no espaço.
Europa testa satélites com comunicação a laser na Grécia em projeto da ESA com Astrolight, atinge 2,5 Gbps e ameaça o domínio das ondas de rádio no espaço.

A comunicação por laser substitui as ondas de rádio por feixes concentrados de luz infravermelha, invisíveis ao olho humano. No projeto grego, o terminal embarcado nos CubeSats emite o feixe em direção à estação terrestre, que utiliza um receptor óptico em banda C calibrado por um laser beacon de 808 nanômetros. Esse beacon serve como guia para alinhar os dois lados da conexão com precisão milimétrica, condição obrigatória para que os fótons emitidos pelos satélites cheguem ao espelho da estação no chão.

O ganho técnico é significativo. Os feixes ópticos têm largura de banda muito maior que as ondas de rádio convencionais e, por serem direcionais, dificultam tentativas de interceptação por terceiros. Em sistemas de rádio, qualquer antena ajustada à frequência correta consegue captar sinais de satélites em sua área de cobertura. No laser, é preciso estar exatamente na linha do feixe, em um cone estreitíssimo, o que torna o uso militar, governamental e comercial sensível muito mais seguro. O risco de jamming, ou bloqueio intencional, também cai bastante diante da natureza física do sinal óptico.

Por que a Europa apostou nessa tecnologia agora

O motivo é prático: o espectro de rádio está saturado. Constelações como a Starlink, da SpaceX, e dezenas de outras frotas comerciais e militares de satélites disputam faixas de frequência que são finitas por natureza. Com mais de dez mil satélites já em órbita baixa e projeções de novos lançamentos nos próximos anos, a comunicação tradicional caminha para um gargalo que pode comprometer desde aplicações científicas até serviços civis essenciais, como observação de fenômenos climáticos.

É nesse cenário que a ESA decidiu acelerar investimentos em comunicação óptica. Além do projeto grego, a agência já demonstrou em testes anteriores um enlace ótico capaz de transmitir 2,6 Gbps entre uma aeronave e um satélite geoestacionário, sinalizando que a tecnologia tem potencial para levar internet de alta velocidade a regiões remotas, navios, aviões comerciais e até unidades militares móveis. O Programa de Conectividade Grego é financiado pelo Recovery and Resilience Facility da União Europeia, mostrando que o continente trata a comunicação por satélites a laser como tema de soberania tecnológica.

O papel do PeakSat, do ERMIS-3 e do terminal ATLAS-1

Os dois CubeSats lançados em março de 2026 cumprem missões complementares. O PeakSat é uma plataforma 3U, do tamanho aproximado de uma caixa de cereal, desenvolvida por estudantes de graduação da Universidade Aristóteles de Tessalônica. Sua função é validar o desempenho operacional da Holomondas Optical Ground Station em diferentes ângulos de elevação, condições atmosféricas e cenários de iluminação. Já o ERMIS-3, de plataforma 6U, é uma das principais missões do programa de conectividade grego e foca em enlaces ópticos de alta capacidade e segurança elevada.

O elo de ligação entre os dois CubeSats e a estação terrestre é o terminal óptico ATLAS-1, criado pela Astrolight, empresa lituana de defesa e espaço. O ATLAS-1 é classificado como dispositivo de baixo SWaP, sigla em inglês para tamanho, peso e potência reduzidos, justamente para caber em CubeSats com recursos limitados. A Astrolight já desenvolve a próxima geração, batizada de ATLAS-2, voltada também para comunicação entre satélites em órbita, e não apenas espaço-Terra, o que permitiria criar redes ópticas inteiramente independentes do solo.

Os desafios técnicos da comunicação óptica espacial

Apesar das vantagens, a comunicação a laser não é livre de problemas. A principal limitação está na sensibilidade às condições atmosféricas. Nuvens espessas, chuva forte e turbulência atmosférica podem distorcer ou bloquear o feixe, exigindo redundância na rede e estações em locais com cobertura de céu limpo durante boa parte do ano. Por isso, a escolha do monte Holomondas, em altitude e em região de clima predominantemente seco, foi considerada estratégica pelos engenheiros do projeto.

Outro ponto delicado é o alinhamento. Quando um CubeSat passa pela área de cobertura da estação, a janela útil para estabelecer a conexão dura apenas alguns minutos, e exige um sistema de apontamento extremamente preciso, conhecido como PAT, sigla para aquisição, rastreamento e apontamento. Qualquer pequeno desvio derruba o enlace. A engenharia atual combina sensores, motores de fina precisão e algoritmos que aprendem com cada passagem, mas o desempenho ainda depende de fatores externos que as ondas de rádio toleram sem maiores problemas.

Os satélites mais recentes da constelação Starlink, da SpaceX, já operam com enlaces ópticos entre si no espaço, formando uma malha de comunicação que reduz a dependência de estações terrestres em cada parte do globo. Quando um satélite captura dados em uma região, pode encaminhá-los para outro satélite vizinho até atingir o ponto da rede com conexão direta ao solo. Essa lógica reduz a latência e aumenta a eficiência global da rede de internet via satélite.

O projeto europeu liderado pela Astrolight e pela ESA expande esse conceito para um cenário em que o link óptico não é só entre satélites, mas também entre satélites e estações terrestres comuns. Se a abordagem se provar confiável em condições reais de operação, a Europa pode dar um passo importante para construir uma infraestrutura própria de comunicação espacial óptica, reduzindo dependência tecnológica de fornecedores externos e aumentando autonomia em aplicações sensíveis, como observação militar, monitoramento de fronteiras e operações governamentais.

O que muda para internet via satélite e serviços globais

Para o usuário final, a transição da radiofrequência para o laser pode demorar a aparecer no cotidiano, mas tende a se materializar em conexões mais rápidas e estáveis. Empresas que operam frotas de satélites de observação da Terra, por exemplo, costumam gerar enormes volumes de imagens diárias, que precisam ser baixados para servidores em solo. Com enlaces ópticos a 2,5 Gbps ou mais, esses dados chegam antes, são processados mais rápido e podem alimentar serviços como meteorologia, agricultura de precisão, gestão de cidades e resposta a desastres.

No setor de internet via satélite voltado ao consumidor, a tendência também é positiva. À medida que as constelações forem incorporando comunicação a laser tanto entre satélites quanto em direção ao solo, é razoável esperar latências menores e maior capacidade total da rede. A questão não é mais se a tecnologia será adotada em escala, mas em quanto tempo ela vai se tornar padrão para todos os novos lançamentos de satélites comerciais, especialmente em segmentos de alta demanda por largura de banda.

A ativação da Holomondas Optical Ground Station marca um capítulo importante na corrida pela comunicação óptica espacial. O que era discutido em laboratório agora circula em órbita, com CubeSats reais conectando satélites e Terra por feixes de luz invisíveis. Se o teste se consolidar, a Europa pode pavimentar o caminho para uma nova geração de redes de satélites mais rápidas, mais seguras e menos dependentes de uma faixa de espectro de rádio cada vez mais disputada por dezenas de operadores ao redor do mundo.

Você acha que a comunicação a laser vai substituir as ondas de rádio entre satélites e a Terra na próxima década, ou as limitações atmosféricas vão segurar essa transição por mais tempo? Deixe seu comentário, conte se você já usa internet via satélite no seu dia a dia e compartilhe a matéria com quem acompanha tecnologia espacial, defesa e telecomunicações.

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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