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Alerta nos EUA: fumaça de incêndios florestais entra fundo nos pulmões, chega à corrente sanguínea e já é associada a 24.100 mortes por ano

Publicado em 27/04/2026 às 14:27
Atualizado em 27/04/2026 às 14:52
Fumaça, Incêndios, EUA
Imagem: Ilustração
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Estudo publicado na Science Advances associa a exposição prolongada à PM2,5 da fumaça de incêndios florestais a 24.100 mortes anuais nos EUA, com maior risco para áreas rurais, jovens e doenças neurológicas no período analisado

A exposição crônica à PM2,5 da fumaça de incêndios florestais contribuiu para média de 24.100 mortes por ano entre 2006 e 2020 nos 48 estados contíguos, mostra estudo da Science Advances.

PM2,5 da fumaça aparece como ameaça crescente

O estudo, publicado recentemente, associa a exposição prolongada a partículas minúsculas da fumaça de incêndios florestais a dezenas de milhares de mortes anuais nos Estados Unidos. A análise considera 15 anos e dados de 3.068 condados.

Yaguang Wei, professor assistente do departamento de medicina ambiental da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai e autor do estudo, afirmou que a fumaça dos incêndios florestais é perigosa e representa ameaça crescente à saúde humana.

Partículas entram nos pulmões e no sangue

A pesquisa concentrou-se nas mortes relacionadas à exposiçao crônica a partículas finas, conhecidas como PM2,5, apontadas como a principal preocupação na fumaça de incêndios florestais. Elas podem se alojar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea.

No curto prazo, essas partículas podem provocar tosse e coceira nos olhos. Em exposições prolongadas, podem agravar problemas já existentes e levar a doenças respiratórias, cardiovasculares e neurológicas, além de morte prematura.

Min Zhang, estudante de pós-doutorado na Icahn School e autora do estudo, afirmou que a fumaça composta por PM2,5 virou risco ambiental importante nos EUA, impulsionado por incêndios mais frequentes e intensos ligados às mudanças climáticas.

Mortes não aparecem como incêndio

Michael Jerrett, professor da Universidade da Califórnia, Los Angeles, ressaltou que a maior parte das mortes associadas à fumaça não aparece registrada como morte por incêndio florestal. Essa identificação só tende a ocorrer em contato direto com o fogo.

Muitas pessoas afetadas pela exposição vivem em situação de maior vulnerabilidade. Para o pesquisador, os números não representam apenas uma estimativa abstrata, mas vidas reais perdidas por efeitos ligados à fumaça.

Como os dados foram analisados

Os autores examinaram a relação entre a exposição média anual à PM2,5 da fumaça de incêndios florestais e as mortes por condado nos 48 estados contíguos. A base incluiu dados federais de mortalidade em 3.068 condados.

Foram consideradas mortes por todas as causas e por causas específicas, como doenças circulatórias, neurológicas e respiratórias. A análise também incluiu transtornos mentais e comportamentais, tumores e doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas.

Os pesquisadores ainda testa

ram mortes por quedas e acidentes de transporte, que provavelmente não têm ligação com a fumaça, para verificar possíveis distorções. Wei afirmou que não houve associação com acidentes de carro e quedas, ao contrário de outras doenças.

As mortes por doenças neurológicas apresentaram o maior aumento diante da exposição às partículas. A força da associação entre exposição e mortalidade variou conforme a estação do ano e os grupos analisados.

Áreas rurais e jovens apareceram mais vulneráveis

A ligação foi mais forte durante períodos frios. Pessoas em áreas rurais e comunidades mais jovens pareceram mais vulneráveis, conforme os dados avaliados no estudo.

Os pesquisadores calcularam ainda que, para cada aumento de 0,1 micrograma por metro cúbico de PM2,5 nesses locais, cerca de 5.594 pessoas a mais morriam a cada ano.

Jerrett apontou como vantagem a grande população estudada e a inclusão da maioria das causas de morte nos EUA. Ao mesmo tempo, afirmou que dados por condado podem gerar superestimativas ou subestimativas, porque a fumaça se desloca de forma dinâmica.

Ele destacou que a fumaça não cobre um condado inteiro de uma vez. Algumas áreas podem ser muito mais afetadas do que outras, e o estudo também não considerou fatores relevantes, como o hábito de fumar.

Autores defendem controle e monitoramento

Kai Chen, professor associado de ciências ambientais na Escola de Saúde Pública de Yale, avaliou positivamente a comparação entre PM2,5 da fumaça e de outras fontes, como emissões de veículos.

Os autores apontaram riscos críticos em retrocessos federais nas políticas de mudança climática durante a administração Trump, diante do aumento de incêndios florestais mais destrutivos, atribuído em grande parte ao aquecimento global.

A conclusão destaca a necessidade de estratégias urgentes e eficazes de mitigação, apoiadas por monitoramento e regulamentação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA. Chen concordou que controlar a PM2,5 de incêndios florestais é importante.

Com informações de AP News.

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Romário Pereira de Carvalho

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