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Agricultores enterram tubos a até 40 cm no solo, eliminam quase toda a evaporação, economizam até 50% de água e usam a irrigação por gotejamento subterrâneo para sustentar lavouras em regiões áridas sob estresse climático extremo

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/02/2026 às 20:55
Assista o vídeoAgricultores enterram tubos a até 40 cm no solo, eliminam quase toda a evaporação, economizam até 50% de água e usam a irrigação por gotejamento subterrâneo para sustentar lavouras em regiões áridas sob estresse climático extremo
Agricultores enterram tubos a até 40 cm no solo, eliminam quase toda a evaporação, economizam até 50% de água e usam a irrigação por gotejamento subterrâneo para sustentar lavouras em regiões áridas sob estresse climático extremo
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Irrigação por gotejamento subterrâneo enterra tubos no solo, reduz evaporação, economiza até 50% de água e mantém a produtividade agrícola em regiões secas.

A pressão sobre a agricultura nunca foi tão intensa. Ondas de calor mais longas, chuvas irregulares e restrições ao uso de água estão forçando produtores a abandonar métodos tradicionais de irrigação que desperdiçam volumes enormes por evaporação. Em resposta silenciosa, mas extremamente eficaz, agricultores de regiões áridas e semiáridas estão enterrando seus sistemas de irrigação e mudando radicalmente a forma como a água chega às plantas. O método é simples na aparência, mas profundo no impacto: tubos instalados entre 20 e 40 centímetros abaixo da superfície do solo levam a água diretamente à zona radicular, praticamente eliminando perdas, aumentando a eficiência e garantindo colheitas onde antes o cultivo era inviável.

O que é a irrigação por gotejamento subterrâneo e por que ela muda tudo

A irrigação por gotejamento subterrâneo, conhecida tecnicamente como SDI (Subsurface Drip Irrigation), consiste na instalação permanente de linhas de gotejadores abaixo do solo, posicionadas de forma precisa ao longo das fileiras de cultivo. Diferentemente do gotejamento superficial, a água não entra em contato com o ar, não escorre pela superfície e não evapora antes de cumprir sua função.

Na prática, isso significa que mais de 90% da água aplicada é efetivamente absorvida pelas raízes. Em sistemas convencionais por aspersão ou pivô central, esse índice pode cair drasticamente em dias quentes, quando até metade da água se perde antes de atingir o solo. Em regiões onde cada metro cúbico conta, essa diferença separa a produção contínua do colapso agrícola.

Como enterrar tubos reduz evaporação e economiza até metade da água

A evaporação é o grande inimigo da irrigação em ambientes quentes. Quando a água é lançada sobre o solo ou pulverizada no ar, ela fica exposta à radiação solar, ao vento e à baixa umidade relativa. Ao ser enterrada, a água passa a circular em um ambiente termicamente estável, protegido da ação direta do clima.

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Estudos de campo conduzidos em áreas agrícolas dos Estados Unidos, Israel, Austrália e Espanha mostram reduções médias de consumo entre 30% e 50% em comparação com sistemas superficiais, mantendo ou até aumentando a produtividade. Em culturas como milho, algodão, tomate industrial e cana-de-açúcar, a economia acumulada ao longo de safras inteiras chega a dezenas de milhares de metros cúbicos por hectare.

Essa eficiência extrema também reduz a necessidade de captação constante de rios, aquíferos e reservatórios, aliviando a pressão sobre recursos hídricos já comprometidos.

A profundidade ideal e o controle preciso da zona radicular

A instalação entre 20 e 40 centímetros não é aleatória. Essa faixa corresponde à zona onde se concentra a maior parte das raízes ativas das principais culturas agrícolas.

Ao liberar a água diretamente nesse ponto, o sistema estimula o crescimento radicular em profundidade, tornando as plantas mais resistentes a períodos de estresse hídrico e calor extremo.

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Outro efeito pouco discutido, mas crucial, é a redução do crescimento de plantas daninhas. Como a superfície do solo permanece seca, sementes invasoras têm mais dificuldade para germinar, diminuindo a competição por nutrientes e reduzindo o uso de herbicidas.

O agricultor passa a controlar com precisão milimétrica quando, quanto e onde a água é aplicada, algo impossível em métodos convencionais.

Menos doenças, menos erosão e solos mais saudáveis

A superfície seca traz benefícios adicionais que vão além da economia de água. Doenças fúngicas, altamente dependentes de umidade superficial, tornam-se menos frequentes. A ausência de lâminas de água correndo pelo terreno reduz drasticamente a erosão, um problema crítico em áreas inclinadas ou com solos frágeis.

Ao longo do tempo, o solo irrigado por gotejamento subterrâneo mantém melhor estrutura, maior teor de matéria orgânica e atividade microbiana mais estável. Isso cria um ciclo virtuoso em que a própria fertilidade do solo contribui para reduzir a dependência de insumos externos.

Custos iniciais altos, retorno silencioso e duradouro

O principal obstáculo à adoção do sistema não é técnico, mas financeiro. A instalação exige planejamento, equipamentos específicos e mão de obra qualificada. Os tubos precisam ser enterrados com precisão e protegidos contra danos mecânicos e intrusão de raízes.

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No entanto, quando analisado em ciclos de médio e longo prazo, o investimento se paga. A redução no consumo de água, energia elétrica, fertilizantes e defensivos compensa o custo inicial em poucas safras, especialmente em regiões onde a água é escassa ou cara.

Em países com restrições severas de uso hídrico, como Israel e partes do sudoeste dos Estados Unidos, o gotejamento subterrâneo deixou de ser inovação e passou a ser estratégia de sobrevivência agrícola.

A resposta do agro às mudanças climáticas já está acontecendo

Enquanto debates políticos e promessas de longo prazo se arrastam, a agricultura está se adaptando na prática. O enterramento de sistemas de irrigação é uma resposta direta à nova realidade climática: menos água disponível, mais calor e maior imprevisibilidade.

Essa técnica não depende de grandes obras, barragens ou transposições. Ela atua no nível do campo, da raiz, da gota exata de água. E justamente por isso está se espalhando de forma silenciosa, sem manchetes grandiosas, mas com efeitos profundos sobre a segurança alimentar.

Onde o sistema já sustenta lavouras que antes não sobreviveriam

Regiões desérticas e semiáridas vêm liderando a adoção. No sul da Califórnia, no deserto do Negev, no interior da Austrália e em zonas agrícolas da Espanha, áreas consideradas marginais para cultivo passaram a produzir de forma estável após a adoção do gotejamento subterrâneo.

Mesmo em países em desenvolvimento, projetos pilotos mostram que a técnica pode ser adaptada a diferentes escalas, desde grandes lavouras comerciais até produções familiares, desde que haja planejamento e capacitação técnica.

O futuro da irrigação pode estar escondido debaixo da terra

A lógica é simples e poderosa: se o problema é a perda de água, retire a água do ambiente onde ela se perde. Ao enterrar tubos e levar a irrigação diretamente às raízes, agricultores estão redesenhando a relação entre produção de alimentos e recursos naturais.

Em um mundo onde cada grau a mais e cada litro a menos contam, soluções discretas e eficientes como essa tendem a definir quem continuará produzindo e quem ficará para trás. A irrigação subterrânea não chama atenção à primeira vista, mas pode ser uma das tecnologias mais decisivas da agricultura no século atual.

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Alberto dos Santos
Alberto dos Santos
12/02/2026 19:40

A ideia é excelente , mas , para quem tem muitas plantações e retorno atraente , para a agricultura familiar o custo é alto e não tem retorno financeiros.

Clebson
Clebson
09/02/2026 20:37

Qualquer mangueira de gotejo netafim serve para enterar?

JONATAS DOS SANTOS SOARES
JONATAS DOS SANTOS SOARES
08/02/2026 10:43

Olha a ideia é boa mas e em caso de entupimento ,gradar, passar o arado ou pra fazer manutenção?

Carlos
Carlos
Em resposta a  JONATAS DOS SANTOS SOARES
09/02/2026 08:10

foque na solução, esqueça o problema, e tudo se alinha, acredite.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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