Picapes preparadas com esteiras ganharam repercussão ao transformar modelos conhecidos em veículos de uso fora de estrada, com adaptação cara, aplicação rural e restrições para circular em vias públicas no Brasil.
Duas picapes adaptadas com esteiras no lugar das rodas ganharam repercussão nas redes sociais após aparecerem em Goiânia (GO).
A modificação foi feita em uma Mitsubishi L200 e em uma Ford Ranger Raptor, que passaram a circular em imagens e vídeos com um conjunto mecânico semelhante ao usado em veículos de trabalho pesado, como máquinas agrícolas e equipamentos preparados para terrenos de difícil acesso.
A comparação com um “tanque de guerra” surgiu pela aparência dos veículos após a troca das rodas.
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No lugar dos pneus convencionais, as caminhonetes receberam módulos de esteira, sistema que amplia a área de contato com o solo e é empregado em situações nas quais a tração comum pode ser insuficiente.
Esse tipo de equipamento aparece com mais frequência em operações fora de estrada, áreas rurais, trechos com lama, solo fofo, areia, neve ou terrenos irregulares.
No caso das picapes mostradas nas redes sociais, a adaptação chama atenção por unir modelos conhecidos do público a um recurso normalmente associado a veículos de serviço.
A carroceria permanece reconhecível, mas a altura em relação ao solo aumenta, e o conjunto muda a aparência e o comportamento dinâmico da caminhonete.
Como funcionam as esteiras em picapes
A substituição das rodas por esteiras não exige, necessariamente, uma reconstrução completa do veículo.
Em sistemas desse tipo, o pneu é retirado e o módulo de esteira é instalado no ponto onde a roda original seria fixada.
O encaixe ocorre no cubo do veículo, com componentes e suportes compatíveis com a aplicação escolhida.
A lógica mecânica é semelhante à de uma roda, mas com uma diferença importante: o contato com o piso deixa de ocorrer apenas pela banda do pneu e passa a ser distribuído por uma superfície maior.
Essa distribuição ajuda a reduzir o risco de atolamento em terrenos de baixa aderência, desde que o conjunto esteja dimensionado corretamente para o peso e o uso do veículo.
Apesar de a instalação poder ser descrita como relativamente simples, a mudança interfere em vários aspectos da picape.
A altura livre do solo aumenta, a direção pode ficar mais pesada, a suspensão passa a trabalhar de outra forma e o conjunto mecânico recebe esforços diferentes dos previstos para o uso original com pneus.
Também há impacto sobre a dinâmica de condução.
Com esteiras, o veículo tende a ter comportamento diferente em curvas, frenagens, acelerações e manobras.
Por isso, especialistas em modificação veicular tratam esse tipo de adaptação como uma alteração relevante, mesmo quando o kit pode ser removido posteriormente.

Uso das esteiras em fazendas e terrenos difíceis
As esteiras são conhecidas em veículos e máquinas que precisam operar em pisos instáveis.
Tratores, colheitadeiras, escavadeiras, veículos de resgate e equipamentos de mineração usam esse tipo de sistema justamente para manter mobilidade em locais onde rodas comuns podem perder eficiência.
No Brasil, a aplicação costuma fazer sentido em áreas rurais, fazendas, regiões com barro e operações em terrenos sem pavimentação.
Em outros países, conjuntos semelhantes também são empregados em veículos preparados para neve, serviços em locais remotos e deslocamentos fora de estrada.
A diferença, neste caso, está na adaptação feita em picapes de uso conhecido pelo público.
A Mitsubishi L200 e a Ford Ranger Raptor são modelos associados ao segmento de caminhonetes, mas receberam um conjunto mais próximo de aplicações profissionais severas.
Essa combinação ajuda a explicar a repercussão das imagens, sem que isso signifique que a modificação seja comum no mercado brasileiro.
O uso de esteiras em uma caminhonete pode atender a necessidades específicas de deslocamento em propriedade privada.
Ainda assim, a finalidade do veículo muda quando o conjunto é instalado.
A picape deixa de ter configuração original de fábrica e passa a exigir cuidados compatíveis com uma preparação voltada a terreno difícil.
Preço para transformar uma caminhonete com esteiras
O custo é um dos fatores que limitam esse tipo de adaptação a usos mais específicos.
Segundo a reportagem original, conjuntos vendidos no exterior para picapes e SUVs podem variar de US$ 25 mil a US$ 35 mil.
Para picapes e SUVs pesados, a faixa citada vai de US$ 35 mil a US$ 50 mil.
Em conversão direta aproximada, sem considerar frete, impostos, nacionalização, instalação e eventuais ajustes mecânicos, esses valores ficariam entre cerca de R$ 125 mil e R$ 255 mil.
O preço final no Brasil pode ser maior, dependendo do modelo importado, do tipo de aplicação e das despesas envolvidas no processo.
Rafael Cascão, dono da Mitsubishi L200 mostrada nas publicações, afirmou em uma das postagens que importar as esteiras não sairia por menos de R$ 120 mil, mesmo em uma condição considerada barata por ele.
A declaração ajuda a dimensionar o investimento, mas não permite cravar o valor final pago nas duas picapes exibidas.
Fabricantes estrangeiros que atuam nesse segmento costumam vender conjuntos diferentes conforme peso, porte e finalidade do veículo.
Por isso, uma caminhonete leve, uma picape pesada, um SUV e um caminhão exigem sistemas com capacidades distintas.
A especificação técnica interfere diretamente no custo, na instalação e no uso recomendado.
Picape com esteiras pode circular em via pública?
A circulação em vias públicas é o ponto que mais exige atenção legal.
Marco Fabrício Vieira, conselheiro do Cetran-SP, afirmou que não é permitido rodar em vias públicas com esse kit em automóveis.
Segundo ele, o sistema de esteiras representa uma alteração estrutural profunda, pois afeta a dinâmica do veículo, a suspensão e o esforço exigido do motor.
Na avaliação do especialista, mesmo que a adaptação seja reversível, o veículo fica alterado enquanto estiver equipado com o conjunto.
Para circular legalmente, seria necessário passar por homologação e regularização junto aos órgãos competentes de trânsito.
A legislação brasileira prevê regras para modificações em veículos.
A Resolução Contran nº 916, de 28 de março de 2022, trata da concessão de código de marca, modelo e versão, além de procedimentos relacionados à autorização prévia, ao Certificado de Segurança Veicular e ao Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito, quando aplicável.
A Secretaria Nacional de Trânsito, a Senatran, é o órgão máximo executivo de trânsito da União.
No caso de alterações relevantes, a regularização precisa seguir as normas previstas pelo Sistema Nacional de Trânsito.
Sem esse processo, a utilização de veículos com esse tipo de modificação tende a ficar restrita a áreas privadas ou ambientes controlados, de acordo com a finalidade da preparação.
Adaptação de picapes repercute nas redes sociais
A repercussão nas redes sociais ocorreu principalmente pela transformação visual das caminhonetes.
Ao trocar os pneus por esteiras, os veículos mantêm a carroceria original, mas assumem uma configuração pouco vista em ruas e estradas brasileiras.
Projetos off-road com suspensão elevada, pneus maiores e acessórios de trilha são conhecidos entre proprietários de picapes.
Já os conjuntos de esteira aparecem com menor frequência, sobretudo pelo custo, pela finalidade específica e pelas restrições para uso em via pública.
Em propriedades rurais, o equipamento pode ter aplicação prática quando o deslocamento ocorre em terreno com lama, buracos, solo instável ou trechos em que veículos convencionais perdem tração.
Fora desse contexto, a adaptação exige avaliação técnica, regularização e compatibilidade com o uso pretendido.
A L200 e a Ranger Raptor modificadas em Goiânia mostram uma preparação voltada a situações específicas de mobilidade fora de estrada.


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