Braskem extraiu sal gema em Maceió, no Nordeste do Brasil, e 60 mil moradores deixaram casas após rachaduras
O solo começou a ceder em Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, e mudou a vida de milhares de famílias. Bairros como Pinheiro, Bebedouro e Mutange passaram a conviver com rachaduras, afundamentos e imóveis condenados.
A crise ganhou força a partir de 2018, quando casas, prédios, calçadas e ruas começaram a apresentar sinais de deformação. O problema foi associado à retirada de sal gema na capital alagoana.
O impacto foi direto no cotidiano dos moradores. Cerca de 60 mil pessoas precisaram sair de suas casas, enquanto áreas antes cheias de vida se tornaram praticamente vazias.
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2018 marcou rachaduras em bairros de Maceió, no Nordeste do Brasil
Moradores de bairros tradicionais de Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, viram o conceito de lar mudar de forma brusca. O que antes significava segurança passou a representar risco, incerteza e perda.
As primeiras ocorrências mais graves envolveram Pinheiro, Bebedouro e Mutange. Depois, partes do Bom Parto e do Farol também entraram no mapa das áreas afetadas.
O afundamento atingiu imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais e espaços públicos. Em muitos pontos, o solo abriu fissuras e deixou estruturas sem condições seguras de uso.

Extração de sal gema desestabilizou cavidades no subsolo
A causa apontada para o problema foi a retirada de sal gema, mineral extraído em profundidade. Essa retirada deixou cavidades subterrâneas que perderam estabilidade com o tempo.
Com o solo instável, houve movimentação do sal no subsolo. Esse processo provocou subsidência, termo usado para explicar quando o terreno afunda gradualmente.
No bairro do Pinheiro, a situação ficou ainda mais grave por causa da água da chuva. A infiltração ampliou fraturas, acelerou erosões e favoreceu o surgimento de rachaduras na superfície.
35 minas foram abertas durante a atividade mineradora na capital alagoana
Durante a operação em Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, foram abertas 35 minas ligadas à extração do mineral. O efeito acumulado da atividade alterou a segurança de áreas urbanas ocupadas por décadas.
Com o avanço do risco, prédios e casas precisaram ser demolidos. Em outros pontos, os imóveis permaneceram sob monitoramento para acompanhar possíveis mudanças na estrutura.
A previsão de estabilização também mostra a dimensão do problema. Um especialista em geotecnia e geologia estimou que os bairros podem levar cerca de 10 anos para alcançar estabilidade.
Famílias perderam rotina, vizinhança e memórias construídas por décadas
A professora Lorena Martins, de 36 anos, deixou o conjunto habitacional Jardim das Acácias, no Pinheiro, com a avó e a tia. O apartamento dela não tinha rachaduras, mas a calçada afundou e outros blocos apresentaram danos severos.
A avó de Lorena, Angelina Almeida, de 85 anos, viveu quase 50 anos no local. Depois da saída, passou a enfrentar depressão e perdeu a rotina de encontros, igreja e convivência com amigas antigas.
A gestora de Recursos Humanos Renata Costa também saiu do Pinheiro, onde morava havia 25 anos. Mesmo indenizada, relatou dificuldade para reconstruir a vida e recuperar o ambiente de vizinhança que existia antes.
Programa de compensação apresentou 14.495 propostas até o fim de abril
Segundo Diario de Pernambuco, jornal brasileiro com cobertura nacional e regional, a Braskem informou que criou o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação em dezembro de 2019 para atender moradores das áreas afetadas.
Até o fim de abril, o programa havia apresentado 14.495 propostas. Dessas, 12.637 foram aceitas, com índice de aceitação acima de 99% e apenas 62 recusas.
No mesmo período, foram pagas 11.382 indenizações. A soma das indenizações, auxílios financeiros e honorários de advogados passou de R$ 2,38 bilhões.
Acordo de dezembro de 2020 mira futuro de áreas desocupadas
Em dezembro de 2020, a mineradora desenvolveu um acordo socioambiental voltado ao futuro dos espaços esvaziados e de seu entorno. A proposta envolve reparação urbana, medidas ambientais e monitoramento.
O acordo prevê ações em três frentes principais: área urbana, meio ambiente e estabilização do solo. Também inclui preservação de patrimônio histórico e cultural, mobilidade e indenização por danos coletivos.
As medidas passaram a ser discutidas com autoridades e com participação da população. O desafio é definir o que será feito em bairros que deixaram de funcionar como comunidades vivas.
A tragédia urbana de Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, transformou ruas, prédios e casas em marcas de uma crise que ainda não terminou. O deslocamento de 60 mil moradores mostra um impacto social que vai além das rachaduras.
O afundamento provocado pela extração de sal gema deixou famílias separadas de suas memórias, mudou o mapa da cidade e mantém a capital alagoana sob pressão por reparação, estabilidade e futuro seguro.


O mais cruel que tem gente lucrando é enriquecendo encima da dor, da perda da morte de muitos ex moradores, o poder público que autorizou e não fiscalizou as demandas da Sal gema, ficou, fica e continuará calado, visto que eles não estão nem aí para esse sofrimento, não escuto um político falar sobre esse descaso, , ao contrário, já que atai usando esses infortúnios para ganharem votos, na verdade, o desrespeito é vergonhoso, indigno , nefasto.
O poder público, com exceção da defensoria publica de Alagoas, faz vistas grossas em relação ao desastre ambiental causado pela Braskem; atualmente, a população vive assustada sem saber de fato o que está acontecendo, pois há muitos relatórios forjados dizendo que o solo estabilizou e blá-blá-blá … porém o que a população denuncia e rachaduras nas casas, calçadas cedendo, ruas interditadas, um verdadeiro campo de guerra!!! Justiça Federal de Alagoas, faça uma visita às áreas afetadas e constatem o caos; saia das folhas frias que a Braskem coloca no processo (mentindo) e consulte a população.
Uma vergonha a nível mundial!! Uma catástrofe ambiental produzida pela incompetencia do governo e das autoridades responsáveis que como sempre interessadas só na cobrança de impostos nunca controlaram a extração de sal feita pela Braskem.