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Afundamento do solo em uma cidade no Nordeste do Brasil força 60 mil moradores a deixarem casas após extração de sal gema abrir rachaduras, esvaziar bairros inteiros e transformar áreas tradicionais em zonas quase abandonadas

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 25/04/2026 às 19:43
Atualizado em 25/04/2026 às 19:48
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Braskem extraiu sal gema em Maceió, no Nordeste do Brasil, e 60 mil moradores deixaram casas após rachaduras

O solo começou a ceder em Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, e mudou a vida de milhares de famílias. Bairros como Pinheiro, Bebedouro e Mutange passaram a conviver com rachaduras, afundamentos e imóveis condenados.

A crise ganhou força a partir de 2018, quando casas, prédios, calçadas e ruas começaram a apresentar sinais de deformação. O problema foi associado à retirada de sal gema na capital alagoana.

O impacto foi direto no cotidiano dos moradores. Cerca de 60 mil pessoas precisaram sair de suas casas, enquanto áreas antes cheias de vida se tornaram praticamente vazias.

2018 marcou rachaduras em bairros de Maceió, no Nordeste do Brasil

Moradores de bairros tradicionais de Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, viram o conceito de lar mudar de forma brusca. O que antes significava segurança passou a representar risco, incerteza e perda.

As primeiras ocorrências mais graves envolveram Pinheiro, Bebedouro e Mutange. Depois, partes do Bom Parto e do Farol também entraram no mapa das áreas afetadas.

O afundamento atingiu imóveis residenciais, estabelecimentos comerciais e espaços públicos. Em muitos pontos, o solo abriu fissuras e deixou estruturas sem condições seguras de uso.

Rachaduras em imóvel no bairro do Pinheiro, em Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, expõem os danos causados pelo afundamento do solo que obrigou milhares de moradores a deixarem suas casas.

Extração de sal gema desestabilizou cavidades no subsolo

A causa apontada para o problema foi a retirada de sal gema, mineral extraído em profundidade. Essa retirada deixou cavidades subterrâneas que perderam estabilidade com o tempo.

Com o solo instável, houve movimentação do sal no subsolo. Esse processo provocou subsidência, termo usado para explicar quando o terreno afunda gradualmente.

No bairro do Pinheiro, a situação ficou ainda mais grave por causa da água da chuva. A infiltração ampliou fraturas, acelerou erosões e favoreceu o surgimento de rachaduras na superfície.

35 minas foram abertas durante a atividade mineradora na capital alagoana

Durante a operação em Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, foram abertas 35 minas ligadas à extração do mineral. O efeito acumulado da atividade alterou a segurança de áreas urbanas ocupadas por décadas.

Com o avanço do risco, prédios e casas precisaram ser demolidos. Em outros pontos, os imóveis permaneceram sob monitoramento para acompanhar possíveis mudanças na estrutura.

A previsão de estabilização também mostra a dimensão do problema. Um especialista em geotecnia e geologia estimou que os bairros podem levar cerca de 10 anos para alcançar estabilidade.

Famílias perderam rotina, vizinhança e memórias construídas por décadas

A professora Lorena Martins, de 36 anos, deixou o conjunto habitacional Jardim das Acácias, no Pinheiro, com a avó e a tia. O apartamento dela não tinha rachaduras, mas a calçada afundou e outros blocos apresentaram danos severos.

A avó de Lorena, Angelina Almeida, de 85 anos, viveu quase 50 anos no local. Depois da saída, passou a enfrentar depressão e perdeu a rotina de encontros, igreja e convivência com amigas antigas.

A gestora de Recursos Humanos Renata Costa também saiu do Pinheiro, onde morava havia 25 anos. Mesmo indenizada, relatou dificuldade para reconstruir a vida e recuperar o ambiente de vizinhança que existia antes.

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Programa de compensação apresentou 14.495 propostas até o fim de abril

Segundo Diario de Pernambuco, jornal brasileiro com cobertura nacional e regional, a Braskem informou que criou o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação em dezembro de 2019 para atender moradores das áreas afetadas.

Até o fim de abril, o programa havia apresentado 14.495 propostas. Dessas, 12.637 foram aceitas, com índice de aceitação acima de 99% e apenas 62 recusas.

No mesmo período, foram pagas 11.382 indenizações. A soma das indenizações, auxílios financeiros e honorários de advogados passou de R$ 2,38 bilhões.

Acordo de dezembro de 2020 mira futuro de áreas desocupadas

Em dezembro de 2020, a mineradora desenvolveu um acordo socioambiental voltado ao futuro dos espaços esvaziados e de seu entorno. A proposta envolve reparação urbana, medidas ambientais e monitoramento.

O acordo prevê ações em três frentes principais: área urbana, meio ambiente e estabilização do solo. Também inclui preservação de patrimônio histórico e cultural, mobilidade e indenização por danos coletivos.

As medidas passaram a ser discutidas com autoridades e com participação da população. O desafio é definir o que será feito em bairros que deixaram de funcionar como comunidades vivas.

A tragédia urbana de Maceió, capital de Alagoas, no Nordeste do Brasil, transformou ruas, prédios e casas em marcas de uma crise que ainda não terminou. O deslocamento de 60 mil moradores mostra um impacto social que vai além das rachaduras.

O afundamento provocado pela extração de sal gema deixou famílias separadas de suas memórias, mudou o mapa da cidade e mantém a capital alagoana sob pressão por reparação, estabilidade e futuro seguro.

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Maria de Lourdes do Nascimento Silva
Maria de Lourdes do Nascimento Silva
26/04/2026 10:53

O mais cruel que tem gente lucrando é enriquecendo encima da dor, da perda da morte de muitos ex moradores, o poder público que autorizou e não fiscalizou as demandas da Sal gema, ficou, fica e continuará calado, visto que eles não estão nem aí para esse sofrimento, não escuto um político falar sobre esse descaso, , ao contrário, já que atai usando esses infortúnios para ganharem votos, na verdade, o desrespeito é vergonhoso, indigno , nefasto.

Wellington Silva
Wellington Silva
26/04/2026 00:42

O poder público, com exceção da defensoria publica de Alagoas, faz vistas grossas em relação ao desastre ambiental causado pela Braskem; atualmente, a população vive assustada sem saber de fato o que está acontecendo, pois há muitos relatórios forjados dizendo que o solo estabilizou e blá-blá-blá … porém o que a população denuncia e rachaduras nas casas, calçadas cedendo, ruas interditadas, um verdadeiro campo de guerra!!! Justiça Federal de Alagoas, faça uma visita às áreas afetadas e constatem o caos; saia das folhas frias que a Braskem coloca no processo (mentindo) e consulte a população.

Miguel Quatrini
Miguel Quatrini
25/04/2026 23:37

Uma vergonha a nível mundial!! Uma catástrofe ambiental produzida pela incompetencia do governo e das autoridades responsáveis que como sempre interessadas só na cobrança de impostos nunca controlaram a extração de sal feita pela Braskem.

Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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