A arrecadação começou com uma meta de R$ 30 mil, mas o apoio de clientes, amigos e empresários levou o valor dos medicamentos a R$ 150 mil. Em Porto Alegre, a carga foi recebida pelo Simers, responsável pela triagem antes do encaminhamento das doações.
Uma mobilização iniciada no Rio de Janeiro terminou com R$ 150 mil em medicamentos entregues ao Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), em Porto Alegre. O advogado carioca Fernando Kalache percorreu cerca de 1.800 quilômetros em 29 horas para levar a carga às vítimas das enchentes.
O episódio ocorreu durante a calamidade provocada pelas chuvas no Rio Grande do Sul, em maio de 2024. O registro publicado pelo Simers informou que Kalache chegou à capital gaúcha em uma Defender 130, com apoio de entidades privadas e da Cruz Vermelha.
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Antes de iniciar a viagem, o advogado procurou amigos e empresários gaúchos para identificar um local seguro para receber os medicamentos. A indicação foi o Simers, que já havia organizado uma estrutura de arrecadação e recebia remédios de uso geral e controlado na capital.
A escolha direcionou a carga a uma instituição que fazia a triagem antes da destinação. O presidente do Simers, Marcos Rovinski, explicou que os medicamentos recebidos passavam por esse processo antes de serem encaminhados às pessoas que necessitavam deles.
Arrecadação chegou a cinco vezes a meta inicial
A campanha começou com uma expectativa de R$ 30 mil em medicamentos. Kalache relatou que comunicou a iniciativa a clientes, empresários e grupos de amigos no WhatsApp, e as contribuições continuaram chegando enquanto ele organizava a viagem para o Rio Grande do Sul.
Com a adesão, o valor estimado das doações alcançou R$ 150 mil, cinco vezes o objetivo inicial. O crescimento também mudou a logística, porque a quantidade de remédios reunida exigia um veículo com espaço suficiente para transportar a carga até Porto Alegre.
Foi nesse momento que Kalache conseguiu uma Defender 130 emprestada. No relato divulgado pelo sindicato, ele afirmou que precisou pedir um carro no qual coubessem todos os medicamentos depois que novas entidades se somaram à mobilização e as doações continuaram chegando.
A mudança de escala ocorreu durante a própria organização da viagem. O advogado havia partido de uma campanha menor, mas o aumento das contribuições transformou a arrecadação em uma operação de transporte rodoviário de longa distância, com a carga reunida seguindo diretamente para o ponto de recebimento.
O deslocamento entre o Rio de Janeiro e Porto Alegre levou aproximadamente 29 horas. Em vez de limitar sua participação à arrecadação, Kalache assumiu o transporte da carga e acompanhou os medicamentos até o destino definido na capital gaúcha.
A Cruz Vermelha também participou do apoio à operação. Kalache afirmou que foi credenciado pela organização para conseguir cumprir o trajeto e, ao agradecer o suporte recebido, resumiu o objetivo da viagem na frase: “concluir a missão de entregar as doações”.
Remédios passaram por triagem antes do encaminhamento
A sede do Simers, no bairro Petrópolis, funcionava naquele período como ponto de arrecadação para diferentes tipos de donativos. Além de medicamentos, a entidade recebia alimentos não perecíveis, itens de higiene e limpeza, roupas, brinquedos e agasalhos para atender pessoas atingidas pelas enchentes.
No caso dos remédios, o recebimento não significava distribuição imediata. Rovinski explicou que os produtos passavam por um processo de triagem antes da destinação, uma etapa adotada pelo sindicato para organizar o encaminhamento das doações recebidas durante a emergência.
O procedimento tinha peso particular porque a entidade também arrecadava medicamentos de uso controlado. A estrutura de recebimento permitia que os itens entregues fossem separados antes de seguir para as pessoas atendidas pela rede de ajuda organizada durante a calamidade.
O cenário no momento da chegada da carga ajuda a dimensionar a operação. O balanço citado pelo Simers registrava mais de 2 milhões de pessoas afetadas pelas enchentes, 538.245 fora de suas casas e ao menos 449 municípios atingidos no estado.
Esses números correspondiam à situação registrada naquele período, e não ao balanço definitivo da tragédia. A mesma atualização informava que 76.588 pessoas e 11.427 animais já haviam sido resgatados, enquanto mais de 27,6 mil agentes atuavam nas operações de salvamento.
Naquele período, o Simers mantinha a arrecadação em sua sede e recebia itens levados por diferentes doadores. A carga transportada por Kalache entrou nesse fluxo depois de o advogado procurar previamente uma instituição preparada para receber os medicamentos.
A entrega reuniu duas etapas da mesma mobilização: a arrecadação no Rio de Janeiro e o transporte até o Sul. O aumento de R$ 30 mil para R$ 150 mil obrigou a reorganizar a logística para acomodar o volume de medicamentos reunido antes da partida.
Ao chegar a Porto Alegre, Kalache deixou a carga com a estrutura organizada pelo sindicato. A partir dali, os medicamentos seguiram o fluxo de triagem adotado pelo Simers antes do encaminhamento às pessoas atendidas durante a calamidade.

