Acordo UE-Mercosul pode acelerar migração de empresas brasileiras para o Paraguai, onde impostos menores aumentam competitividade nas exportações.
Em 2026, com a expectativa de entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia, um movimento silencioso ganhou força no setor industrial: empresas brasileiras passaram a olhar para o Paraguai como base estratégica de produção para exportar ao mercado europeu com custos menores. O tratado, negociado por mais de 25 anos, cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, conectando cerca de 718 milhões de pessoas e ampliando significativamente o acesso a mercados internacionais.
O ponto central dessa mudança está na combinação de dois fatores: redução de tarifas no comércio com a Europa e um ambiente tributário muito mais leve no Paraguai. Isso abre uma possibilidade concreta de ganho de competitividade para empresas que produzirem fora do Brasil, mas dentro do Mercosul.
Continue lendo abaixo para entender por que o Paraguai entrou no radar das indústrias brasileiras, como o acordo com a União Europeia muda o jogo e quais são os impactos reais dessa movimentação.
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Acordo UE-Mercosul elimina tarifas e amplia acesso de empresas sul-americanas ao mercado europeu
O acordo entre Mercosul e União Europeia prevê a redução ou eliminação de tarifas sobre uma ampla gama de produtos exportados para o bloco europeu.
Na prática, isso significa que empresas instaladas em países do Mercosul poderão vender para a Europa com menos barreiras comerciais, aumentando sua competitividade frente a produtos de outras regiões.
Além disso, o tratado também inclui regras que aumentam previsibilidade regulatória e reduzem custos operacionais, criando um ambiente mais favorável para exportações e investimentos.
Esse cenário transforma o Mercosul em uma plataforma estratégica de exportação, especialmente para indústrias que dependem de margens apertadas.
Paraguai surge como alternativa por carga tributária muito inferior à brasileira
Um dos fatores mais decisivos nessa movimentação é o sistema tributário do Paraguai. O país adota o chamado modelo “10-10-10”, com:
- 10% de imposto de renda empresarial
- 10% de imposto sobre valor agregado (IVA)
- 10% de imposto de renda pessoal
Esse nível é significativamente inferior ao do Brasil, onde a carga tributária corporativa pode ultrapassar 34% apenas em imposto de renda, sem contar tributos sobre consumo.
Além disso, regimes específicos como a Lei de Maquila permitem que empresas paguem cerca de 1% sobre o valor agregado exportado, tornando o país ainda mais atrativo para produção voltada ao exterior. Esse diferencial cria uma vantagem direta na formação de preço final dos produtos exportados.
Regime de maquila permite importar insumos sem imposto e exportar com carga mínima
O regime de maquila é um dos principais instrumentos que atraem empresas brasileiras.
Ele permite que indústrias:
- importem matérias-primas e equipamentos sem impostos
- realizem a produção no Paraguai
- exportem pagando apenas uma taxa reduzida
Esse modelo foi desenhado justamente para atrair investimento estrangeiro e impulsionar exportações. Na prática, ele funciona como uma estrutura de produção voltada exclusivamente ao mercado externo, com forte redução de custos.
Regras de origem do Mercosul permitem exportar com isenção de tarifas dentro do bloco
Outro ponto essencial é o funcionamento das regras de origem do Mercosul. Para que um produto seja considerado “originário” do bloco e tenha acesso a benefícios tarifários, ele precisa cumprir critérios como:
- percentual mínimo de conteúdo regional
- transformação produtiva relevante dentro do Mercosul
Atualmente, um produto pode ter até 45% de insumos importados de fora do bloco, desde que ao menos 55% seja produzido dentro do Mercosul.
Isso permite que empresas produzam no Paraguai, cumpram as regras e exportem com vantagens tanto dentro do bloco quanto para parceiros como a União Europeia.
Mais de 200 indústrias brasileiras já cruzaram a fronteira em busca de custos menores
O movimento não é teórico. Ele já está acontecendo. Relatórios e reportagens indicam que mais de 200 indústrias brasileiras já se instalaram no Paraguai, atraídas por custos mais baixos, incentivos fiscais e menor burocracia.
Esse fluxo inclui setores como:
- têxtil
- calçados
- alimentos
- autopeças
- eletrônicos
A tendência é que o acordo com a União Europeia acelere esse processo, ao aumentar o potencial de exportação dessas operações.
Diferença de custos entre Brasil e Paraguai amplia vantagem competitiva nas exportações
O chamado “custo Brasil” é frequentemente apontado como um dos principais fatores que limitam a competitividade da indústria nacional. Esse custo envolve:
- carga tributária elevada
- burocracia
- custos trabalhistas
- infraestrutura
Ao transferir parte da produção para o Paraguai, empresas conseguem reduzir significativamente esses custos, aumentando sua competitividade no mercado internacional.
Com o acordo UE-Mercosul, essa diferença se torna ainda mais relevante, pois impacta diretamente a capacidade de competir na Europa.
Nem todas as empresas estão preparadas para aproveitar o novo cenário
Apesar das oportunidades, a adaptação não é automática. Exportar para a União Europeia exige cumprimento de normas técnicas rigorosas, certificações sanitárias e ambientais, adequação a padrões de qualidade e logística internacional eficiente.
Além disso, as regras de origem precisam ser respeitadas para garantir acesso aos benefícios tarifários.
Isso significa que muitas empresas ainda não estão prontas para aproveitar plenamente o acordo, mesmo com vantagens tributárias.
Movimento levanta debate sobre perda industrial e competição regional dentro do Mercosul
A migração de empresas para o Paraguai também levanta preocupações no Brasil. Entre os principais pontos discutidos estão a possível perda de empregos industriais, redução da arrecadação e deslocamento de cadeias produtivas.
Ao mesmo tempo, defensores do modelo argumentam que essa integração regional pode fortalecer o Mercosul como bloco competitivo globalmente.
Acordo pode redefinir a lógica de produção industrial no Cone Sul
O cenário que se desenha é de reorganização da produção dentro do próprio Mercosul. Empresas podem passar a dividir suas operações entre países, escolhendo locais com melhor combinação de custos, logística e acesso a mercados.
Nesse contexto, o Paraguai surge como uma plataforma industrial de baixo custo, enquanto o Brasil pode manter funções estratégicas como mercado consumidor e base de insumos.
Agora a questão que se impõe é direta: o acordo entre Mercosul e União Europeia vai fortalecer a indústria brasileira como um todo ou acelerar a migração de produção para países com menor carga tributária dentro do próprio bloco?


As empresas vão atrás de mão de obra escrava, lógica do negócio.